segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O despertar de uma nova geração

E o último post do ano (e que ano maldito!) vai ser sobre o filme mais esperado dos últimos 30 anos! "STAR WARS - EPISÓDIO VII - O DESPERTAR DA FORÇA", ou, como quer a Disney, apenas O DESPERTAR DA FORÇA. E é fácil entender o porquê disso. É um filme que, mesmo falando intimamente com os pais da nova geração de fãs, foi feito justamente para angariar novos fãs, seja qual for a sua idade. Apesar de no letreiro inicial clássico estar lá estampado EPISÓDIO VII, os produtores queriam de alguma forma, mesmo que sutil, desvincular o novo filme dos anteriores, como se fosse o início de uma nova trilogia quase independente da anterior (e por anterior eu estou mencionando apenas a que realmente vale, ou seja, os episódios IV, V e VI, lançados respectivamente em 1977, 1980 e 1983). E na teoria você realmente não precisa ter assistido a qualquer filme de "Guerra nas Estrelas" para entender o que se passa nesse novo filme. Mas quem liga para isso? O legal, para os fãs, foi mesmo ter feito uma maratona pela trilogia clássica (e, vá lá, o Episódio III também entra aí) para emendar com o DESPERTAR DA FORÇA.

Mas o filme é isso tudo mesmo?

Bem, a essa altura, passados 10 dias de seu lançamento mundial, se você é um incauto que ainda não o assistiu (sabe-se lá o motivo) e mais incauto ainda por estar possivelmente recebendo spoillers a torto e a direito daquela sua sobrinha que não sabe guardar um segredo, é melhor correr para o cinema antes de ler a resenha, porque não posso garantir não soltar alguma coisa aqui.

Respondendo a pergunta lá em cima, sim e não.

Sim porque meu lado saudosista de fã inveterado, que coleciona DVDs e Blu-rays dos filmes, e alguns action figures (a.k.a. bonequinhos) de "O RETORNO DE JEDI", simplesmente AMOU ter novamente assistido no cinema o logotipo de STAR WARS  enchendo a tela ao som da fanfarra de John Williams.  A última vez foi justamente com o EPISÓDIO III, o melhor (ou menos pior) da segunda trilogia, a prequel digital de George Lucas.

E não porque o filme tem sim suas (pequenas!) falhas, a citar: o excesso de humor (necessário para agradar a gurizada, como eu mesmo fui agradado lá em 1983 com "O RETORNO DE JEDI"), e algumas passagens desnecessárias, como a claustrofóbica sequência no cargueiro de Han Solo, onde ele, Chewie, Finn e Rey fogem de um contrabandista barra pesada e de monstros que lembram muito o Observador, de "A CAVERNA DO DRAGÃO" (entendedores entenderão). Outro ponto negativo pode ficar por conta do enorme gap entre os episódios VI e VII, onde 30 anos de história se passaram e nós ficamos sem entender direito o que realmente aconteceu com a Nova República após a queda do Imperador e de Vader. Ok, ok, há livros e jogos sobre isso, tanto no universo expandido quanto no cânone oficial, mas, ora, quem é obrigado a ler ou jogar alguma coisa antes de ir ao cinema? Estou aqui analisando APENAS o filme, não a história toda.

Mas Rafael, então você realmente não gostou do filme.

CLARO QUE GOSTEI! E não é exatamente meu lado fã saudosista que está falando isso, não obstante eu ter vibrado e aplaudido muito quanto Finn e Ray pilotavam a Millenium Falcon no deserto, fugindo os TIE Fighters. Ou mesmo quando Solo, acompanhado do fiel Chewbacca, adentrou a nave e disse: "Chewie, estamos em casa!". Ou quando Rey sente o chamado da Força e a usa contra um Stormtropper da mesma forma que Obi-Wan fez em "UMA NOVA ESPERANÇA". Aliás, palmas, muitas palmas para J. J. Abrams e sua equipe por ter feito esse "fan service" e não ter parado por ai. Ele realmente trouxe STAR WARS de volta para o universo GUERRA NAS ESTRELAS. Sim, efeitos visuais digitais foram muito bem empregados, mas o uso de cenários, efeitos práticos, maquetes e tudo o mais trouxeram o realismo de volta. Está tudo muito palpável. A textura toda está lá. Aliás, muito bem sacada a idéia de trazer toda a ambientação da história para dentro dos planetas, tirando a ação do espaço, das telas verdes, e a colocando  em locações reais. Toda a batalha que vimos em "UMA NOVA ESPERANÇA" e também em "O RETORNO DE JEDI" no espaço agora a vimos sobre as leis da física nas superfícies planetárias. Bem, melhor colocar as "leis da física" entre aspas mesmo, porque, convenhamos, um TIE fighter ou  uma X-wing NUNCA poderia voar de verdade, mas QUEM SE IMPORTA COM ISSO?!

O roteiro, como algunsjá previam, é quase, quaaaaaaase, uma nova versão do primeiro filme, de 1977. Temos um droid com informações secretas que está sendo perseguido pelas forças imperiais, digo, da Nova Ordem (e que foda essa Nova Ordem!); uma jovem heroína que acolhe o droid e promete devolve-lo aos donos; um coroa sábio que trás de volta as histórias de uma época quase esquecida; uma arma letal que destroi planetas; um vilão em ascensão... Mas isso - repito - não diminui em coisa alguma a maestria da aventura fantástica dirigida por Abrams. Ele entregou o que prometeu. E os fãs só têm a agradecer.
 
Que venham os episódios VIII e IX e que o universo STAR WARS nunca mais saia de voga, com muitos filmes, livros e seriados (e jogos, vá lá!) para manter sempre acesa a paixão de milhares e milhares de fãs, por várias gerações.

Que a Força esteja com você. Sempre.

Até 2016.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Paulicéia incoerente


Amigos de São Paulo (capital). Por que exatamentee vocês estão criticando o prefeito Haddad? Estive morando ai por três meses e o que eu vi foi uma fantástica cidade onde tudo funciona. E quando não funciona é algo pontual, como em qualquer grande cidade.
Seria por conta das ciclo-faixas ou ciclo-vias? OK, ok, eu percebi que Sampa (como nós cariocas o chamamos) é uma cidade pouco plana, ou, na verdade, cheia de ladeiras! Quase uma São Francisco tupiniquim! Mas o uso de bicicletas em detrimento dos carros em qualquer cidade do mundo, principalmente em países desenvolvidos, é um movimento crescente. Por que Sampa seria diferente?
Seria por conta do fechamento da Av. Paulista para carros aos domingos e feriados? Ah, colé! Um dia por semana sem carro, minha gente! A cidade tem o melhor sistema de metrôs e trens urbanos do país (mesmo com todos os escândalos de corrupção do governo do estado - que é do PSDB! - a malha metroviária está em expansão, para dar inveja ao metroteco que temos aqui no Rio!) e você consegue chegar onde quiser, fazendo baldeação entre as linhas e com os ônibus municipais! Vai em dizer que no domingo uma única avenida (ok, a mais importante da cidade) vai te prejudicar? Tá bom.
Seria porque ele diminuiu a velocidade máxima permitida em perímetro urbano de 70 para 50 Km/h? Ora, não se consegue andar a mais de 30 km/h na maioria das vias da cidade, ainda mais em dias de trânsito ferrenho! OK, concordo que é uma limitação chata, mas altamente passável. Ninguém vai morrer por isso. Aliás, a idéia é essa, né?
Seria porque agora ele está dando passe de transporte para os desempregados por até 90 dias? Isso é o quê? coisa de comunista??? Desculpe, se você acha isso é um idiota.
Então, o que de tão ruim o Haddad fez por São Paulo nos últimos 4 anos? Só por ser do PT?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Belezinhas: UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA

Dando um tempo nas compras internacionais (com o dólar na casa do R$ 4, impossível!), mostro aqui um bluray que comprei a módicos R$ 12 numa promoção da Livraria Cultura. É uma animação nacional de 2013, um FILMAÇO que merece ser visto e revisto: UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA, filme de Luis Bolognesi, com as vozes de Selton Melo, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro.

Eis o video:



A imagem do Bluray é simplesmente magnífica, realçando as cores e os traços da animação. Mas o que me chamou mais atenção é a qualidade do som. Todos os canais muito bem equalizados. Se você não tem um hometheater, CORRA e garanta o seu para assistir esse e outros filmes; certamente faz toda a diferença.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Luta de classes velada na telona

A luta de classes na sociedade é muito bem representada pela sétima arte. O clássico "O ENCOURAÇADO POTEMKIN" mostra o conflito entre as classes dominante e trabalhadora numa rússia pré-revolução.  "THE HELP" ("Histórias Cruzadas") mostra claramente a intransponível barreira, mesmo que invisível, entre patrão e empregado doméstico. Neste simplesmente maravilhoso "QUE HORAS ELA VOLTA", essa barreira, igualmente existente aqui no Brasil, começa a ser quebrada pelas atitudes de uma jovem filha de empregada doméstica que não consegue, aliás, não aceita a imposição social a que, por nascimento, é obrigada a viver.

Numa verdadeira aula de roteiro e cinema, Anna Muylaert conta com muita subjetividade e, em certo pontos, objetividade clara, a história de Val (Regina Casé, soberba), nordestina que deixou a filha aos cuidados de terceiros para trabalhar como doméstica em São Paulo, praticamente criando o filho de outra mulher. Quando sua filha Jéssica (Camila Márcila) resolve ir para São Paulo tentar o vestibular para a faculdade de arquitetura, o mundo de Val, e consequentemente o mundo de seus patrões, é virado de cabeça para baixo. Máscaras caem. A doméstica, que "é parte da família", começa a enxergar seu verdadeiro lugar dentro daquele micro-cosmos, onde não é bem vinda a mesa de jantar a não ser para servir. Aliás, enxergar não, entender.

Anna Muyalert é muito feliz em colocar a câmera praticamente sempre com o ponto de vista de Val, não exatamente com seus olhos, mas como o mundo é visto da cozinha para fora. Val, que nos é apresentada no início quase de maneira invisível, vai aos poucos ganhando espaço no enquadramento, até que se liberta finalmente das amarras, dos grilhões, e vai viver sua vida aos 50 e tantos tanos.  Nós nos simpatizamos com Val de cara, mas a medida que ela cresce no filme, mais simpatia nós sentimos. Mas, por outro lado, Anna é muito eloquente no que se refere a visão dos patrões, principalmente da patroa Bárbara (Karine Teles). Em nenhum momento "dona Bárbara"é colocada como a grande vilã opressora da estória. Ela simplesmente é o que é. Assim como Val, é a cria da sociedade. Ela não está errada na maneira como age, apenas é o que sempre foi; o retrato da hipocrisia. Resta ao público sentir pena dela, quando muito, e nada mais. Da mesma forma Jéssica, atrevida como é, causa certa antipatia por sua aparente falta de educação, mas ao mesmo tempo causa admiração por ser o elemento chave na reviravolta do status quo daquele ambiente.

"QUE HORAS ELA VOLTA", escolhido pelo Ministério da Cultura para pleitear uma vaga no Oscar do ano que vem, não pretende ser uma aula de civilidade mais do que é um excelente entretenimento, mas mesmo assim é um convite à reflecção sobre nosso papel rumo a uma sociedade um tantinho mais justa.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Belezinhas via Amazon: INTERESTELLAR (digibook)

E lá vamos nós com mais um Belezinhas via Amazon - e ao que tudo indica o último do ano. Também, com o dólar a R$ 4,00 e a tia Dilma taxando TUDO o que vem de fora!

Sem delongas, apresento o vídeo dessa belíssima edição em digibook de INTERESTELLAR, o filmaço (mesmo que controverso) de Christopher Nolan, sua ópera espacial. Certamente, por conta do dólar e das taxas que tive que pagar, é o item mais caro de minha coleção...

Vamos ao video!


Gostou? Tá com dindin sobrando e não tem medo do leão da Dilma? Então, corre malandro! Tem na Amazon UK e na Amazon da Espanha.



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Uma tarde na Bienal do Livro com Eduardo Spohr.

Não é de hoje que eu faço com muito orgulho propaganda para esse que, além de amigo há décadas (sim, há decadas! estou velho!), é o mais talentoso escritor de sua geração (da minha também, rs), que elevou a literatura fantástica brasileira a um patamar há muito almejado.

Lembro-me de que fui acompanha-lo a Bienal do Livro lá nos idos de 2007 quando ele ganhou o prêmio do SENAI como melhor obra de ficção para autores não publicados com o badalado A BATALHA DO APOCALIPSE e, com isso, o direito a 100 exemplares impressos pela (infelizmente) hoje fechada Fábrica de Livros do SENAI.  A partir daí foi apenas ladeira acima, apoiados sempre de perto pelo pessoal do Jovem Nerd, que dedicou um NERDCAST inteiramente a BATALHA... (programa de que tive a honra de participar). O reconhecimento veio quase instantaneamente e hoje Dudu, como carinhosamente o chamamos, já é publicado em diversos países mundo a fora e prepara-se para lançar o derradeiro terceiro volume de FILHOS DO ÉDEN, entitulado PARAÍSO PERDIDO.

Semana passada eu tive a honra novamente de poder acompanha-lo a Bienal do Livro no Rio de Janeiro, onde conversou com os fãs e distribuiu autógrafos e simpatia.

Confira aí o vídeo!

 

Vocô pode gostar também de ler a entrevista que fiz com o Spohr em maio de 2013, quando lançou ANJOS DA MORTE: clique aqui.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Belezinhas via Amazon e E-bay: Django Unchained e Chinatown (steelbook)

Pois não é que eu volto esse mês ainda com mais um video mostrando as belezinhas que comprei em Orlando? Nesse aqui eu mostro os lindos steelbooks de dois filmaços: DJANGO LIVRE, de Tarantino, e CHINATOWN, de Polansky.

Eis o vídeo:


Gostou? Os links estão aqui embaixo:

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Belezinhas via Amazon e E-bay: BATMAN RETURNS e MAN OF STEEL (steelbooks)

Mais um post das belezinhas na minha estante! Desta vez mostro dois steelboooks: MEN OF STEEL ("HOMEM DE AÇO"), duplo, segunda mão, comprado no E-bay, e BATMAN RETURNS ("Batman - o retorno"), de Tim Burton.

Curtam ai o vídeo:


Gostaram?? Taí os links para as belezinhas nas Amazon ao redor do mundo.


quarta-feira, 15 de julho de 2015

Exterminaram o futuro

Sim, esse é o cartaz oficial do filme...
A onda de revivals dos anos 1980 e 1990 parece não ter fim em Hollywood. Só esse ano já revimos no cinema a franquia MAD MAX e JURASSIC PARK e agora TERMINATOR (e vem mais por aí). Falta de originalidade nem sempre é a questão. Na verdade, os executivos da indústria de entretenimento americana sabem muito bem o que fazem quando solicitam e/ou aprovam um projeto como esse. O que importa é a grana que entra, só isso. Qualidade e respeito aos fãs passam longe aqui. Salvaguardando um ou outro lançamento, no geral esses remakes são uma bomba. Por isso mesmo fiquei com muito receio do que poderia ver nessa nova (sic) visita ao universo criado por James Cameron há mais de 30 anos. O mesmo receio, aliás, que tive com JURASSIC WORLD (não confirmado, conforme vocês podem ler aqui). Infelizmente, meus medos se concretizaram e eu saí do cinema com uma baita vontade de reassistir tanto o filme de 1984 quanto a sua excelente sequência de 1991 (sequência essa que deveria ter encerrado a franquia para sempre).

Já nos trailers que vendiam o filme eu já pressentia que coisa boa não viria por ai, mas fã como sou da franquia (mesmo do mais fraco TERMINATOR 3: RYSE OF THE MACHINES) e até curioso para ver onde essa outra "linha do tempo" que eles criaram poderia chegar, e também ainda extasiado com o novo Jurassic Park, digo, World, resolvi arriscar. Antes eu tivesse dado ouvidos a meus instintos. Não que o filme seja ruim 100%. Ele tem ótimas sequências, mas sobretudo aquelas que fazem referência direta ao filme de 1984, inclusive utilizando o mesmo posicionamento de câmera e edição utilizados por Cameron. Ponto para o diretor Alan Taylor. Mas só. Até mesmo as (poucas) referências ao filme de 1991 e também ao finado seriado "The Sarah Connor cronicles" são totalmente dispensáveis.

Nesta nova, digamos, aventura, começamos com a aparente derrocada da toda poderosa Skynet no ano de 2029 por John Connor e seu exército, que toma as instalações do inimigo onde foi construída a máquina do tempo, e que minutos antes fora utilizada para enviar o temido T-800 no encalço de Sarah em 1984. Eis que Kyle Reese se oferece para voltar no tempo e salvar a mãe do "salvador". John, que já sabe que aquele soldado é seu pai, o envia então, mas é atacado por alguém que descobriremos um pouco mais adiante que se trata da própria Skynet personificada como humano.

Reese (Jai Courtney, da série SPARTACUS) chega em 1984 mas ao invés de ir salvar Sarah, é ela quem salva do ataque de um T-1000 (!!!), que foi enviado para intercepta-lo. Sarah, aqui interpretada, aliás, mal interpretada pra caramba por Emilia Clarke (a Kaleese de GAME OF THRONES) é ajuda por ninguém menos do que um outro T-800, o próprio Arnold, velhão, mas ainda chutando muitas bundas. Sim, velho, porque a matéria orgânica que envolve o androide envelhece (apesar de se regenerar com muita facilidade)!!! Esse T-800 foi enviado sabe-se lá por quem do futuro para proteger Sarah ainda criança contra um ataque de um T-1000 (o que nos deixa confusos e nos perguntando por que afinal não enviaram um T-1000 para matar a avó de Sarah logo de uma vez...). Confuso, assim como os espectadores, Reese aceita o plano de Sarah e do T-800 carinhosamente apelidado de "Papis" (me lembrei muito do Kiko nessa hora) para entrar numa máquina do tempo construída por eles e ir ao dia do Julgamento Final em 1997 e matar a Skynet antes que ela "acordasse", mas Reese, que obteve novas memórias enquanto viaja ao passado, afirma que a data do Juizo Final foi adiada para 2017 e convence Sarah disso.

Ok, ok, ok. Por que 2017? Por que não 2015, ano do lançamento do filme? Não sei. Algo que os roteirisas Laeta Kalogridis e Patrick Lussier precisam explicar. Mas, no filme, é o ano em que o sistema operacional GENISYS entrará em ação. E GENISYS nada mais é do que a Skynet. Só isso.

Tudo seria até muito fácil não fosse a presença de John Connor (Jason Clarke) em 2017. Sim, o próprio salvador! Mas não o John Connor de 2017, porque, afinal, ele não existe, já que Sarah e Reese viajaram no tempo antes mesmo do menino ser concebido. E sim o John do futuro, o John que vimos ser atacado enquanto Reese estava na máquina do tempo.  O John que agora não é mais John e sim um super androide modificado pela Skynet e que está ali para garantir que nada atrapalhe seus planos. Mas se John nunca nasceu, quem é ele, não é verdade?

Ah, essas linhas do tempo paralelas. As mesmas que Doc Brown nos explicou em DE VOLTA PARA O FUTURO, lá em 1985, e que só servem para dar um nó na cabeça de quem curte ficção científica. Melhor parar por aqui...

TERMINATOR: GENISYS é um bom filme de ação, e só. Incursões de comédia num filme que deveria ser sombrio (como foram os de 1984 e 1991) deveriam ter sido banidas do corte final, ou sequer terem sido escritas. Um casting que fizesse juz a Linda Hamilton e Michael Biehn seria também o mínimo que se esperar. Isso sem falar no desperdício que foi ter J. K. Simmons (ganhador do Oscar esse ano por "Whiplash") no elenco; um personagem que não serviu absolutamente de nada à estória.

Para não dizer que não falei das flores, a luta do velho T-800 com o novo T-800, recém chegado em 1984, foi antológica e deveras bem feita. Palmas para o diretor e para toda a tecnologia empregada ali.

Que não venham mais sequências de TERMINATOR. Este aqui não agregou valor algum à franquia. Agora, com licença, vou ali assistir o blu-ray de O EXTERMINADOR DO FUTURO 2.


segunda-feira, 6 de julho de 2015

Um ano do barulho, recheado de aventuras radicais!

Na última sexta-feira o mundo (sim, o mundo!) comemorou os 30 anos de lançamento de "DE VOLTA PARA O FUTURO", um clássico redondinho que virou mania e recebeu duas ótimas sequências (em 1989 e 1990) e que na década seguinte viria a ser um clássico da Sessão da Tarde. O que muita gente não se lembra, no entanto, é que o ano de 1985 também trouxe a nós, amantes do entretenimento, muitos outros filmes que se tornariam também verdadeiros clássicos da Sessão da Tarde na década seguinte (sim, porque nos anos 1980 os clássicos eram filmes maravilhosos como SETE NOIVAS PARA SETE IRMÃOS, AS SETE FACES DO DR. LAO, SEXTA-FEIRA MUITO LOUCA (aquela com a Jodie Foster menina ainda), BENJI, O PÁSSARO AZUL, TUBARÃO (sim, mandíbulas e sangue eram permitidos no horário aquela época!) e todos os filmes de Jerry Lewis e de Elvis Presley).

O ano de 1985 foi tudo aquilo que a industria do cinema gostaria de ser todos os anos. A década estava chegando à sua metade, o mundo ainda estava em conflito (mais regionalizados, é verdade, mas ainda assim preocupantes), e a hegemonia dos EUA sobre o ocidente era cada vez mais forte. E justamente por isso Hollywood teve grande crescimento nesta década, principalmente nas mãos de produtores e diretores como Steven Spielberg, que elevavam o mantra "Cinema é a maior diversão" às alturas.

Dezenas de filmes, alguns deles elevados quase imediatamente à categoria de clássicos, foram lançados em 1985. Abaixo faço uma listinha com alguns deles (não estão em ordem de importância, nem de lançamento):


D.A.R.Y.L.

Bem antes de Spielberg estragar a obra visionária de Kubrik (sim, gênios também erram), Barret Oliver (de "A história sem fim" e "Cocoon") deu vida a um simpático robô humanoide que, apesar de ter sido desenvolvido como uma arma de guerra e espionagem (ei, estávamos na Guerra Fria!), só queria ser amado.





DE VOLTA PAR AO FUTURO

O que falar mais sobre as aventuras de Marty Mc Fly e Doc Brown?!





A COR PÚRPURA

Spielberg atinge a maturidade como diretor nesse drama belissimo estrelado por Whoopie Goldberg e que conta com Denny Glover e a toda poderosa Oprah Winfrey no elenco.





COMANDO PRA MATAR

O cinema brucutu estava com tudo e Arnoldão chutava bundas e explodia tudo o que podia para resgatar sua filha (a promissora Alissa Milano) das mãos de um ditador de uma republiqueta de bananas.




COCOON

Quem poderia imaginar que a vida poderia recomeçar aos 80 anos? Com a ajudinha de extra-terrestres, esse simpático grupo de velhinhos de um asilo na Flórida curtiu a vida adoidado! A saudosa Jessica Tandy encabeçava o elenco.





CLUBE DOS 5

Clássico dos clássicos dos filmes "teen". John Hughes era O CARA.





A LENDA DE BILLIE JEAN

Antes de ser a Super-girl nos cinemas, Helen Slater foi a rebelde com causa Billie Jean, e tudo o que ela queria eram U$ 500 para consertar a moto quebrada de seu irmão, Christian Slater.



Não consegui achar o trailer do filme, então vai ele inteiro ai em cima.



A HORA DO ESPANTO

E se sua vizinha, a garota do outro lado da rua, fosse uma vampira? É isso ai.




OS GOONIES

 Spielberg e Richard Donner criaram o Clássico dos clássicos da aventura. Quem não queria ser um goonie e sair em busca de um testouro pirata?




O FEITIÇO DE ÁQUILA

"Dia sem noite. Noite sem dia." Essa profecia era a salvação para o ex-capitão Etiene Navarre e sua amada Isabeau D'Anjou, fadados a viver sempre juntos, mas eternamente separados, enquanto de dia ela era um falcão e a noite ele era um lobo negro.





O ENIGMA DA PIRÂMIDE

Com uma extrema licença poética, esse filme contava como Sherlock Holmes e Whatson se conheceram, ainda na escola, e partiram para sua primeira aventura para solucionar um mistério.




PROCURA-SE SUSAN DESESPERADAMENTE

Debut de Madonna no cinema, todos a procuravam desesperadamente. O filme em si é uma bela porcaria, mas vale de curiosidade para rever a rainha do pop em início de carreira.





O PRIMEIRO ANO DO RESTO DE NOSSAS VIDAS

O diretor Joel Schumacher mostrou com delicadeza o reencontro de sete amigos de escola e sua luta para amadurecer.





A PRIMEIRA TRANSA DE JONATHAN

Ambientada nos anos 1950, essa deliciosa comédia mostra as desventuras de um adolescente em busca de seu lugar ao sol.





PORKY'S CONTRA-ATACA

O terceiro capítulo da saga dos alunos excitados de Angel Beach High foi lançada aquele ano, mas muito, muitíssimo inferior tanto ao segundo (1983), como principalmente ao segundo filme, de 1981.




MULHER NOTA 1000

Dois garotos "loosers" resolvem criar a mulher perfeita em seu poderosíssimo computador e eis que surge Kelly LeBrock (no auge de sua forma) para apimentar a vida dos punheteiros.

Uma curiosidade: Denny Elfman ainda não era o grande compositor e parceiraço de Tim Burton no início dos anos 1980, mas sua banda OINGO BOIGO fazia muito sucesso e a música tema do filme, WEIRD SCIENCE, era um dos hits que tocaram em todas as rádios pop do mundo a partir daquele ano.




FÉRIAS DO BARULHO

Johnny Depp ainda não era ninguém em Hollywood quando estrelou essa divertida comédia recheada de sensualidade e personagens lendários em um resort de verão. "Baba Hamanana, venha a mim...!"



MAD MAX 3 - ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO

Tina Tunner era a grande surpresa de filme que encerrou a trilogia de Max pelo mundo distópico pós-apocalíptico do diretor George Miller.



A TESTEMUNHA

Harrison Ford é um policial que precisa proteger um garoto Amish, única testemunha de um crime, até o dia do julgamento.  O choque de culturas vai mexer com ele.



FÉRIAS FRUSTADAS NA EUROPA

Chevy Chase está de volta no comando da família Grinswold, agora em viagem pelo antigo mundo. Uma comédia menor do que o grande clássico de 1982, mas ainda sim garante boas risadas.



SILVERADO

Os filmes de faroeste estavam há muito esquecidos quando Lawrence Kasdan nos trouxe essa bacana  aventura de quatro amigos que defendem uma pequena cidade contra bandidos. No elenco estão Kevin Kline, Rosanna Arquette, Scott Glenn, John Cleese. Kevin Costner e Denny Glover.



SEXTA-FEIRA 13 PARTE 5

Jason está de volta na quinta parte dessa sangrenta antologia de terror, agora ambientada num sanatório.



ROCKY 4

Rocky aceita o desafio de vingar a morte de seu amigo e treinador Apolo Creed e enfrentar o russo He-Man, digo, Drago (Dolph Lundgren). O filme é uma propaganda descarada da supremacia yankee sobre os russos comunistas, mas ainda é bem legal.



RAMBO 2

Foi o ano do Stalone no cinema. Além de dar vida novamente a Rocky, ele voltou, mais sarado e carrancudo do que nunca, a pele de Rambo, agora muito mais armado e muito mais perigoso.



A PROMETIDA

Sting dá vida ao sedutor (sic) dr. Frankenstein, que cria uma noiva para seu monstro, mas ao apaixonar-se por sua criatura, dá início a um improvável triangulo amoroso.



TUFF TURF - O REBELDE

James Spader debutou no cinema na pele do playboyzinho rebelde e sem causa. É só isso.



A HORA DO PESADELO 2

Freddy Krueger está de volta e com cede de vingança. 



A JÓIA DO NILO

Michael Douglas e Kathleen Turner estão de volta nessa continuação menor do sucesso de 1984, Aqui eles se vêem involuntariamente a resgatar um guru das mãos de um ditador no oriente médio.





O SOL DA MEIA NOITE

O bailarino Mikhail Baryshnikov estrela um filme quase auto-biográfico sobre um expatriado soviético que se vê novamente na Rússia e é obrigado a voltar a dançar pelo Bolshoi.

A música SAY YOU, SAY ME, de Lionel Richie virou chiclete nos ouvidos naquele ano.




007 NA MIRA DOS ASSASSINOS

Roger Moore é pela última vez o agente britânico com permissão para matar. Aqui, James Bond temq que impedir um maluco de destruir o Silicon Valey na California.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

De volta ao mundo dos dinossauros!

Em 1993 eu ainda não tinha completado 18 anos e, no auge de minha adolescência, e sempre amante do cinema como fui, tinha como ídolo um certo diretor chamado Steven Spielberg, o rei de Hollywood, aquele que inventou os blockbusters de verão lá no longínquo ano de 1975 (ano em que, coincidentemente, eu chegava a esse planeta). Pois naquele ano em que eu me formaria no ensino médio, então chamado de científico ou segundo grau, Spielberg me deu de presente um dos filmes mais espetaculares jamais vistos! Eu não era mais criança, claro, mas o fascínio que os dinossauros exerciam sobre mim - e acredito sobre muita gente - ainda era digno de me fazer enfrentar uma fila de algumas horas (naquela época a gente enfrentava fila de algumas horas para assistir um filme como esse). Poxa vida, eram dinossauros! E não desses que a até então a gente via nos filmes feitos com stop motion. Nem eram lagartixas e calangos filmados em perspectiva. Eram "fucking dinosaurs" que pareciam de verdade! Não é difícil imaginar como as plateias de mais de 20 anos atrás se sentiram ao ver na tela gigante um tiranossauro encarando duas crianças dentro de um carro enquanto saboreava um cabrito mal-passado. Entre efeitos digitais (mais do que revolucionários para a época) e animatrônicos em tamanho real, Spileberg realizou o sonho de várias gerações ao mostrar dinossauros "de verdade" que interagiam com personagens humanos. É só ver a cara do então menino Joseph Mazzello ao ver o tricerátopes "respirando" numa das cenas do início do filme para entender o impacto que aquele filme gerou na época.

Dito isto, e ainda levando em consideração as duas sequências bem inferiores que foram lançadas em 1997 e 2001, o que poderíamos esperar de mais um filme da franquia? Eu particularmente tive medo. Não medo dos dinossauros, claro. Mas medo da bomba que poderia vir ai. Mas, ei! são "fucking dinosaurs"!!! Não poderia deixar de conferir, mesmo tendo achado o trailer bem, mas bem fraquinho, ainda mais levando em consideração o realismo alcançado com a tecnologia disponível em 1993 e o compararmos com hoje, 22 anos depois. Eu tinha sim receio de que fosse jogar alguns preciosos reais no lixo comprando um ingresso para JURASSIC WORLD.

Felizmente, eu estava enganado.

JURASSIC WORLD é um puta filme! Eu me diverti como criança, como há muito não me divertia no cinema! A magia estava de volta! Os dinossauros estavam de volta! O então desconhecido diretor Colin Trevorrow ganhou o aval do agora produtor executivo Steven Spielberg conseguiu conduzir um roteiro repleto de exageros, lugares comuns e falhas (incrivelmente assinado a oito mãos pelo próprio Treverrow, e por Rick Java, Amanda Silver e Derek Conoolly), mas também recheado de referências ao filme de 1993. Talvez essas referências que me tenham feito viajar no tempo e gostado tanto do filme assim, e deixado de lado algumas besteiras como o salto alto de Bryce Dallas Howard em fuga pela mata, ou a amizade entre um velociraptor e Chris Pratt (o improvável galã da vez).

De qualquer maneira, JURASSIC WORLD cumpriu seu papel de divertir as platéias sem muita galhofa, e principalmente sem deixar em aberto uma possível sequência (que espero de coração que nunca venha, pura e simplesmente por conta das duas fracas e desnecessárias sequencias do original de 1993).



sexta-feira, 19 de junho de 2015

Belezinhas via Amazon: mais bluraybooks!

Eis que dou continuidade ao mostrar mais belezinhas que trouxe dos Isteitis em março deste ano! Vamos agora aos 3 bluray-books que trouxe para a coleção: "AN AFFAIR TO REMEMBER" ("Tarde demais para esquecer"), "ONE FLEW OVER CUCO'S NEST" ("Um estranho no ninho") e "CITZEN KANE" ("Cidadão Kane").


Gostou? Tão aí os links para a Amazon!

terça-feira, 16 de junho de 2015

UM MUNDO DE RISADAS E LÁGRIMAS

Você já deve ter lido ali ou acolá que Walt Disney sonhava com um mundo melhor e por isso mesmo tinha um projeto de uma cidade autossustentável, onde tudo funcionasse e todas as pessoas fossem felizes; um mundo incrível já num futuro próximo. Bem, esse mundo não se concretizou antes que ele morresse  - e ainda não -, mas seu sonho acabou virando um parque de diversões inaugurando em 1982 adjacente ao seu Magic Kingdom, em Orlando, formandos os alicerces do que hoje conhecemos como DISNEY WORLD. Esse parque é o EPCOT CENTER (Experimental Prototype Community of Tomorrow, ou, em bom português, Protótipo Experimental da Comunidade do Amanhã). Antes dele, porém, Disney concebeu para seus parques na Califórnia e na Flórida a área TOMORROWLAND, ou Terra do Amanhã, na lingua de Camões, que já fazia referência a esse mundo futurista imaginado por ele.

Bem, esse mundo agora ganha vida nas mãos do diretor Brad Bird (OS INCRÍVEIS), com roteiro assinado pelo próprio Bird em parceira com Damon Lindelof (criador de... afff... LOST). Mas, como ficamos sabendo no filme - e isso pode sim ser um spoiler, e se você não quiser saber, PARE DE LER AGORA, Tomorrowland não é a Terra no futuro, e sim uma dimensão paralela, uma sociedade nem tão avançada num mundo muito avançado tecnologicamente. Neste mundo, até outrora, autômatos com perfeita forma humana são enviados à Terra para recrutar mentes brilhantes em todos os campos das artes e das ciências, mentes essas responsáveis pela evolução do local. Mas alguma coisa dá errado com o plano e esses robôs são banidos de modo que o recrutamento não seja mais feito.

Um deles, no entanto, o que aparenta ser uma linda garotinha, Athena (Raffey Cassidy), continua com sua demanda e localiza a lindinha Casey (), esperta adolescente  filha de engenheiro da NASA prestes a ficar desempregado. Quando Casey descobre o pin com o logotipo de Tomorrowland deixado por Athena e o toca, é imediatamente transportada para lá, numa espécia de holograma hiper real, o que descobrimos ser, apenas, uma propaganda da Terra do Amanhã, convidando a moça fazer parte daquilo. Mas, uma vez o pin danificado, ela, com a insistência de Athena, vai em busca do único e conhecido humano que já estivera em Tomorrowland e de lá fora banido há alguns anos de modo que ele a ajuda a ir para a "terra prometida". Esse alguém é o desiludido inventor Frank Walker (George Clooney, mais canastrão do que nunca nesse papel), que se vê forçado a ajudar a garota, agora perseguida (e ele mesmo, por assim se dizer) por robôs maléficos que tentam impedir a todo custo (e não dispensando o massacre de vários humanos no caminho) que o trio improvável chegue a Tomorrowland e de lá consiga evitar o fim iminente de nosso mundo.

Ufa! Conseguiu seguir a trama? Pois é. É isso aí. Em seus exagerados 130 minutos de duração, Bird não perde a mão da direção e nos conduz numa aventura maravilhosa, e mesmo com a "barriga" no segundo ato, o que faz com que a estória se perca um pouco (ei, o roteiro é do criador de LOST!) e com um improvável vilão cujo fim não poderia ser diferente em se tratando de um filme da Disney, consegue passar a mensagem de que um mundo melhor é sempre possível e que está nas mãos da geração Y (e também da Z) o otimismo e o talento necessários para que isso aconteça.

Tomorrowland,  assim posto, é mais um filme bonitinho com a marca Disney. Mas ainda assim uma aventura eletrizante que vale o ingresso.


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Lá e de volta outra vez - mas bem furiosa

Faz uma semana que assisti no cinema a nova aventura do herói oitentista Max, o louco Max, e durante esse tempo fiquei matutando o que eu poderia escrever afinal sobre o filme, novamente dirigido por George Miller. Debati muito no Facebook sobre os prós e os contras do filme com gente sensata - e também com fanboys, que só enxergam o que querem enxergar. Descobri que nunca tinha assistido o primeiro (e quase indy) filme da saga e pus-me a faze-lo. Reassisti o segundo filme e não precisei rever o terceiro para entender o que afinal estava se passando com Max em "A ESTRADA DA FÚRIA" que, afinal, não é nem continuação, nem remake, mas sim uma obra revisitada pelo seu criador.

Miller, com MILHÕES DE DÓLARES à disposição e depois de três décadas dedicadas a filmes bem mais densos ("O óleo de Lorenzo, de 1992") e até "para família" ("Babe - o porquinho atrapalho", "Happy Feet"), resolveu brincar de Deus (afinal, não é isso o que fazem os diretores de cinema???) e dar um reset no mundo criado por ele lá em 1979. O resultado, no entanto, ficou frenético demais. E cru. Se por um lado ele entrega ao espectador um espetáculo visual (e que espetáculo!), por outro ele falha feio em não conseguir contar uma história. Nada, simplesmente, nada faz sentido no roteiro. Não... estou sendo exagerado. Há elementos no roteiro, assinado com Brendam McCarthy e Nico Lathouris, que são poesia pura, e outros que podem até provocar êxtase, principalmente naquels fanboys, com frases de efeito, como "What a lovely day!" (algo como "Que dia magnífico!", em tradução livre), ou "Whitness this!" ("Testemunhem!").

A direção de Miller, associada à fotografia de Jon Seale, à direção de arte de Shira Hockman e Jacinta Leong, e à edição de Margareth Sixel, são um colírio para olhos secos e arranhados de poeira do deserto. O visual dos veículos naquela eterna perseguição pelo deserto são um espetáculo a parte e merece todos os louros! As cenas de ação (ou seja, 95% do filme) são sensacionais e chegam a tirar o fôlego quase literalmente. Eu estava cansado ao final da sessão!  Mas não havia história. Miller se atreveu a escrever um filme para os fãs e se esqueceu de que o cinema tem um público vasto e que precisa ser iterado do que está acontecendo, dar um background aos personagens. É claro que nem tudo precisa ser explicado ipsi literis, o que só tornaria enfadonho o filme. Mas pinceladas sobre quem é, de onde veio e para onde quer ir um personagem é importante. E não falo somente de Max não. Aliás, Max, pelo visto, é o que menos importa na fita! Ele é coadjuvante em seu próprio filme, que é todo de Furiosa (interpretada por ninguém menos do que a deusa Charlize Theron). Talvez o carisma que sobre a Charlize falte (e muito) a Tom Hardy (Max), que precisa urgentemente aulas de dicção, a não ser que queria ser dublado em seus próximos filmes (aliás, se não me engano ele já foi dublado em outras produções, como "INCEPTION").

Eu não me identifiquei nem me apeguei a nenhum personagem, nem à gloriosa Furiosa de Charlize, muito menos ao Max ou às semi-deusas modelos Vitoria Secret que os acompanharam durante a aventura. Eu pouco me importei com seus destinos. E isso é um tiro pela culatra em qualquer roteiro. Quanto a gente não torce por personagem nenhum, o que sobra é muito, muito pouco. E no filme de Miller, o que sobrou foi poeira, explosões e carros em velocidade. Só. Isso, para mim, está longe de ser cinema.



segunda-feira, 11 de maio de 2015

Parem o mundo! quero descer!



Que mundo chato estamos vivendo hoje - e perpetuando para nossos filhos!

Não podemos fazer nada! Nem dizer nada! Nem rir de nada!

Não podemos falar mal do (des)governo do PT sem ser taxado de "coxinha" ou de imperialista.

Não podemos falar mal do neo-liberalismo, assim como não podemos defender os interesses da classe trabalhadora, que já somos chamados de comunista!

Não podemos rir de uma piada de pobre que somos rotulados de escravagista!

Não podemos ser a favor da diminuição da maioridade penal porque senão nos acusam de querer botar bebês inocentes na cadeia; mas também não podemos ser contra porque nos acusam de ser coniventes com a criminalidade;

Não podemos xingar ninguém de filho-da-puta sem sermos quase linchados como machistas, porcos-chauvinistas, mesmo quando está implícito de que estamos xingando a pessoa, não sua progenitora.

Não podemos dizer "Neguinho isso", ou "neguinho aquilo" (o que no Rio de Janeiro é vírgula, como se estivéssemos dizendo "malandro isso" ou "malandro aquilo", por exemplo) sem que temamos um processo por crime de racismo.

Não podemos virar para um amigo ou colega e dizer "Deixa de ser viadinho!", quando ele está com alguma frescura, sem que a patrulha LGBT venha com paus e pedras nas mãos nos taxando de homofóbicos e intolerantes.

Não podemos nem dizer "Amém!" que alguém vem nos lembrar que o país é laico, mas esquece-se de que devemos respeitar o direito do cidadão à qualquer religião.

O mundo está muito intolerante!

Parem, que eu quero descer!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Avante (ou não) Vingadores!

Uma das maiores expectativas do ano no mundo do cinema, o filme que abriu a temporada de blockbusters do verão norte-americano, parece que bateu na trave, na opinião humilde deste que vos escreve, utilizando um jargão futebolístico; afinal, o filme estreou aqui primeiro! Ao que tudo indica, a toda poderosa Marvel pode errar a mão sim. O que é normal!

Joss Whedon volta ao comando do mais aclamado (pelo menos no momento) time de super-heróis, mas parece não ter feito o dever de casa. Aluno aplicado, depois de uma excelente nota na primeira prova, com ego inflado, ele não estudou e se deu mal no segundo exame. O filme começa até muito bem, com um plano sequência de tirar o fôlego com os Vingadores invadindo uma instalação da HYDRA para reaver um cetro com a pedra do infinito, numa alusão direta à cena pós-créditos de "Capitão América 2", mas para os menos atentos ou para aqueles que não acompanham todo o universo Marvel, seja no cinema, seja na TV, aquele início ficou meio estranho: de onde vieram os heróis? De repente estavam ali, unidos? De onde veio a missão? Ok, ok, ok, isso pouco importou depois de concluída a demanda, que teve o Incrível Hulk como destaque (aliás, como sempre).

Joss pecou principalmente no roteiro, assinado por ele, que jogou personagens a esmo, como se precisasse cumprir alguma cota para os próximos filme da Marvel, e deu injustificável importância a outros, como os gêmeos Pietro e Wanda, ou Mercúrio e Feiticeira Escarlate, cuja ausência na história não faria a menor diferença, e o próprio herói Arqueiro, que ganhou família, casa e um draminha melacueca "a la novela das seis" que só serviu para esfriar (demais) a ação. Totalmente dispensável.

O filme ainda carece da ausência de um grande vilão. Ultron, criação de Tony Stark e Bruce Banner, "engrandecido" pela pedra recuperada na missão do início do filme, segundo conhecedores do universo Marvel, não chega aos pés daquele das HQs. Muito bem desenvolvido pela computação gráfica do filme, e engrandecido pela interpretação de James Spader, que lhe deu voz, o Ultron do filme não chega a assustar e solta piadinhas e indiretas a todo o momento, como se fosse um Tony Stark em I,A. Soou forçado. Assim como soou extremamente forçada a participação de Nick Fury (Samuel L. Jackson) e sua grande aparição com o "porta-aviões" da S.H.I.E.L.D. no final para salvar o dia.  E também como soou forçado o flerte entre Dr. Banner e Natasha Romanoff, a Viúva Negra (Scarlet "oh my god! how delecius you are!" Johanson).

Mas é claro que a produção tem seus acertos, lógico, não é uma bomba completa. A computação gráfica, já citada aqui, é uma delas. As cenas de ação são seu ponto forte também! Mas a expectativa criada ao longo dos últimos dois anos com fotos de bastidores e trailers e mais trailers não foi recompensava pelo produto final. Certamente teve mão de produtor aí, o que é uma pena.

Que venha a fase 3 da Marvel e que esse universo seja melhor conduzido no futuro!

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Participei do Podcast NERDSTATION, do site Território Nerd, sobre o filme, juntamente com dois feras no assunto. Para escutar, clique aqui!


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Belezinhas via Amazon: the Criterion Collection

Demorou, mas está aí mais um vídeo de minha coleção, agora com dois blu-rays da Criterion Collection! Dois clássicos OBRIGATÓRIOS para qualquer cinéfilo: HAROLD AND MAUDE ("Ensina-me a viver") e 12 ANGRY MEN ("!2 homens e uma sentença").


 

Gostou? Se quiser encarar o dólar a R$ 3,10, os links para as edições estão aqui embaixo:


quinta-feira, 26 de março de 2015

Belezinhas via BEST BUY: Birdman

Isso mesmo, amigo! Belezinhas via Best Buy! Estive em terras do tio Sam no final de fevereiro e, além de umas comprinhas na Amazon, fiz também uma visitinha à uma loja física da Best Buy, de onde saí com essa belezinha que mostro no vídeo abaixo: BIRDMAN, o grande vencedor do Oscar este ano!

Confira aí!


segunda-feira, 16 de março de 2015

O país abre o olho ao invés das pernas!


Muito triste, após um lindo dia como o de hoje, de mobilização AMPLA da sociedade contra aqueles que estão destruindo nosso país, ter que ler aqui e ouvir de colegas e amigos que todos o que foram as ruas ontem, 15/03/2015, estão sendo manipulados pela "mídia golpista de direita", que todos são a favor do impeachment, que todos são a favor da intervenção militar, de um novo golpe, de uma nova ditadura (como se o modelo de governo atual do PT e seu plano de perpetuação no poder não fosse praticamente uma ditadura disfarçada de democracia).
A pauta principal hoje era a seguinte:
1 - FIM DA CORRUPÇÃO E AMPLA PUNIÇÃO DOS CULPADOS, INDEPENDENTE DO PARTIDO;
2 - LIBERDADE PLENA DE IMPRENSA;
3 - ISENÇÃO E INDEPENDÊNCIA DO JUDICIÁRIO;
4 - GARANTIA DE ESTABILIDADE ECONÔMICA E CONSEQUENTEMENTE DO PLENO EMPREGO;
5 - REFORMA POLÍTICA VIA CONGRESSO OUVINDO OS ANSEIOS DA POPULAÇÃO, E NÃO NOS MOLDES DO PT.
Não estou dizendo que gentalha brandou cartazes insinuando o desejo uma intervenção militar e coisa pior. Esses, graças a Deus, foram prontamente vaiados (pelo menos aqui no Rio de Janeiro). E muitos, claro, bradaram FORA DILMA, IMPEACHMENT JÁ, e coisas desse tipo, como se isso fosse a salvação de nossa lavoura. Eu sou contra o impeachment, até mesmo porque não temos provas criminais contra a presidente, mas sou a favor de que a mesma faça um mea culpa - coisa que ela não fez ainda, e continua a mentir - dizendo ter sim levado o país a atual situação. Humildade seria ótimo nessa hora.
Ao contrário do que o povo anseia - sim, o povo! - o PT e o governo insistem em dizer que está tudo bem, que a tsunami ainda é uma marolinha, e que os que estão insatisfeitos são os "órfãos do Aécio", que querem a todo custo levar as eleições do ano passado a um terceiro turno. O PT insisti em dividir o país entre eles e nós, entre brancos e pretos, entre ricos e pobres, quando na verdade deveria estar pregando a união e governando para todos. O PT insiste em dizer que a coitadinha da classe média reclama da alta dólar porque prejudica sua viagem de compras ao exterior,que os impostos dos automóveis são absurdos mas se esquecem de nunca se comprou tanto carro no país como nos últimos 12 anos.
Balela.
Não podemos negar, no entanto, os avanços sociais do governo. Milhões de brasileiros saíram da miséria graças aos programas sociais - necessários - do governo, programas esses embrionados antes mesmo que o PT chegasse ao poder. Mesmo com dados adulterados do IBGE, que diz que uma pessoa que ganha R$ 700 por mês é classe média, é inegável que o país avançou nessa área. Mas o avanço foi graças a mediadas paliativas que não corrigem o mal na raiz e só promete o perpetuamento da esmola (sim, esmola, porque, vamos lá, bolsa família no Brasil é ridícula perto de programas sociais de países como EUA, Canadá e França, só para citar alguns).
E mesmo que esse avanço social fosse pleno e duradouro, é muito, mas muito pouco frente a todo o resto que nos assombra há anos e que apenas piorou - e muito - no governo PTista e sobretudo no governo Dilma. Os constantes escândalos de corrupção no governo, começando pelo mensalão, passando pelo petrolão e ameaçando até o BNDES (seria bndeselão?) envergonham a nação e só demonstram a podridão que tomou de assalto (literalmente) Brasília e todo o resto do país.
Os números não mentem e é preciso que tudo seja averiguado, combatido e exterminado. O partido que outrora era tido como "pai da ética" hoje é o maior celeiro de escândalos de corrupção. Claro que ele não está sozinho. PPS, PMDB, PSDB... todos têm sua maçã podre que merecem ser extirpadas.
E é por isso que tantos milhões foram as ruas hoje. De graça. Aliás, de graça não. Pelo menos eu tive que pagar para ir. Paguei a condução, paguei a água que bebi. Não recebi qualquer centavo ou incentivo de qualquer instituição ou partido para ir exercer meu direito... aliás, meu DEVER de cidadão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O vôo da Fênix

O ocaso de um ator de cinema, marcado para sempre por um personagem menor, e sua tentativa de voltar ao estrelato de 20 anos atrás através das luzes da ribalta é algo que já passou pelo cinema anteriormente, como em "O CREPÚSCULOS DOS DEUSES" (1950), de  Billy Wilder ou mesmo em "8 1/2" (1963) de Fellini. É, aliás, neste filme do mestre italiano que Alejandro González Iñárritu parece ter se inspirado mais para criar essa deliciosa e vertiginosa obra que é "BIRDMAN ou (a inesperada virtude da ignorância)".

No filme, Michael Keaton parece interpretar a si mesmo ao dar vida a um ator atormentado por ser reconhecido apenas pelo personagem protagonista de uma série de filmes baseado num super-herói, o "Homem-Pássaro" (acredito que nada tenha a ver com o herói dos estúdios Hanna-Barbera) e que aposta tudo (TUDO!) num retorno triunfal, mas na Broadway, numa peça em que escreve, atua e dirige. Mais do que provar ao mundo seu talento,ele claramente quer provar a si mesmo que pode.

A direção de Iñaritu, que aposta aqui num tom mais cômico do que está acostumado (seus filmes anteriores, como "Amores Brutos", "Babel", "Biultiful" e "21 gramas", são odes à depressão e à miséria humana), é vertiginosa, apostando num plano sequência de 2 horas, onde não percebemos os cortes e nos remete diretamente ao papel de cúmplices de Riggan (Keaton, em uma interpretação de aplaudir de pé!), seus medos, suas neuras e sua esquizofrenia. Em certos momentos tendemos a acreditar que Riggan tem mesmo super-poderes e que é um herói preso no corpo de um ser-humano qualquer. A sequência da epifania de Riggan, que culmina com seu vôo sobre a cidade e sua chegada ao teatro (sendo seguido pelo motorista de táxi a cobrar pela corrida) é sensacional e resume bem o filme. Iñaritu merece o Oscar a que concorre nessa categoria e eu não ficaria triste também se Keaton levasse a estatueta pelo melhor papel de sua vida, aliás, pelo PAPEL DE SUA VIDA, como uma fênix ressurgindo de suas próprias cinzas.

Emma Stone, que interpreta Sam, filha de Riggan, concorre ao Oscar de atriz coadjuvante e deve levar o prêmio (M.H.O.), muito embora eu preferisse que Naomi Watts, sua colega de elenco, concorre ao prêmio. Edward Norton, solto em cena como colega de palco de Riggan, também concorre como ator coadjuvante. A magistral fotografia de Emmanuel Lubezki, que levou o Oscar ano passado por GRAVIDADE, também concorre ao prêmio, assim como o filme ainda concorre a edição de som, mixagem de som e roteiro original. A música de Antonio Sanchez infelizmente não está concorrendo, mas seus solos de bateria, que me lembraram muito os de "WHIPLASH", são de arrepiar e casam perfeitamente com o ritmo do filme.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Dias de fúria


Não é de hoje – e acho que eu já devo ter dito isso em outras resenhas – que o cinema argentino vem se destacando no cenário não só latino americano como também mundial.  A qualidade das produções recentes, começando, claro, pelo roteiro, peça primordial em um bom filme, é tamanha que enclipsa todas as outras produções latino americanas, inclusive – e isso até que dói um pouco confirmar – do Brasil. Prova mais recente disso é o excelente RELATOS SELVAGENS, escrito e dirigido por Damián Szifron.

O filme (que tem no grandioso elenco o quase onipresente Ricardo Darín) é dividido em 6 histórias, seis curtas onde a única coisa em comum entre eles é o tema: o dia de fúria a que temos, como humanos, direito ao menos  uma vez na vida, para externalizar nossas frustrações com o mundo, com a raça humana, com a sociedade.  Uma estranha coincidência junta algumas pessoas num desastroso vôo; uma garçonete tem que decidir se envena um político mafioso ao servi-lo, sem que ele se lembre de que foi o responsável pela ruína de sua família; um almofadinha na estrada com seu carrão se vê ameaçado por um ressentido motorista local; um pai de família tem que tomar a decisão certa para proteger seu filho após o garotão atropelar e matar uma mulher grávida; um engenheiro especialista em demolições vê sua vida arruinada pela burocracia pública quando seu carro é rebocado; uma noiva se descobre traída no dia de seu casamento e resolve se vingar ali mesmo, no que se torna a festa de casamento mais arrebatadora do cinema!

Szifron, que deveria estar sendo indicado ao Oscar de roteiro original também (assim como de diretor, claro!), entrega ao público um filme dramático, onde os limites da tolerância são postos em cheque, mas com suspense e humor intrínsecos e muito bem colocados.

Ainda não assisti os outros filmes que concorrem à estatueta de Filme em Língua Estrangeira do Oscar, mas o argentino tem seu mérito e não será surpresa se sair da festa com o prêmio, a exemplo do que aconteceu com “O SEGREDO DE SEUS OLHOS”, de Juan José Campanella.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Eletrizante Sessão da Tarde!

Antes de mais nada que fique claro que de maneira alguma o termo "Sessão da Tarde" é pejorativo. Pelo menos o que se refere aquela Sessão da Tarde que acompanhou meu crescimento nos anos 1980 (e não algumas baboseiras que vemos hoje em dia ai nas matinês da TV aberta). Estou falando de filmes empolgantes, que de alguma forma ensinam algo e que nos deixam extasiados para o resto do dia! Isto posto, vamos à resenha propriamente dita:

"WHIPLASH" é eletrizante! Empolgante! Energizante! Tudo o que um musical deveria ser, mas sem ser um musical propriamente dito em si. Não há pessoas cantando, dançando, interpretando com música e dança qualquer cena. A trilha incidental, aliás, é inteiramente composta de jazz, ritmo do qual não sou fã propriamente dito, e a trilha sonora assinada por Justin Hurwitz complementa o conjunto.

O filme fala sobre superação, basicamente isso. Miles Teller intrepta com raríssima garra o jovem músico Andrew, de Nova York , estudante de uma renomada instituição, que tem a chance de fazer sucesso quando literalmente dá seu sangue para ser aceito na orquestra do professor Fletcher (inspiradíssimo e indicado ao Oscar J. K. Simmons), um renomado maestro cujos métodos ortodoxos levam seus alunos ao limite (físico e psicológico).  Damien Chazelle escreve e dirige esse drama claustrofóbico e angustiante (baseado em seu curta de 2013), que tem na sua montagem e mixagem de som seus grandes trunfos (e merecidamente indicados ao prêmio da Academia).  A maior prova disso é a cena final onde se dá o embate entre pupilo e mestre. É de tirar o fôlego! A fotografia de Sharone Meir também merece destaque, pois dá ao filme o charme que só uma "jam session" novaiorquina pode conter.

A participação de Paul "Mad About You" Reiser como pai de Andrew é bem legal!

A obra concorre ainda às estatuetas de Filme e  Roteiro adaptado.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

A vida é bela!

Meu último post foi sobre um filme a respeito a vida de um gênio da matemática, Alan Turing, "pai do computador", que revolucionou a maneira como vivemos hoje. Bem, hoje lhes trago um post com minha resenha para outro filme sobre um outro gênio, esse muito conhecido das grandes massas hoje em dia graças à linguagem simples que trouxe para perto dos reles mortais o entendimento da física quântica e do universo como um tudo, e também a sua condição física, que o mantém prisioneiro dentro de si mesmo (como muitos pensam), já que está prostrado em sua cadeira de rodas e só se comunica com o mundo via uma voz computadorizada. Esse gênio é ninguém menos que Stephen Hawking.

"Poxa, Rafael, mas você deu ao post o título 'A vida é bela!' e vem falar sobre um gênio aleijado?!". Pois é isso aí! Em "A TEORIA DE TUDO" o diretor James March (injustamente não indicado ao Oscar este ano) nos apresenta não um cientista debilitado, mas sim um grande ser humano que vive a vida no limite, da melhor maneira possível, que não se deixou abater pela doença e que, ainda assim, é o grande nome da ciência do século XX (e até agora do XXI!). Sua inteligência é somente comparada a de Albert Einstein,"pai' da teoria da relatividade e, claro, grande inspirador para Hawking. O roteiro assinado por Anthony McCarten (a partir do livro de Jane Hawking, ex-esposa do cientista) é de uma precisão ímpar, sendo dramático quando deve ser, romântico como deve ser e até engraçado quando convém, demonstrando o bom humor com que Hawking vive sua vida e, claro, evitando, talvez,  um banho de lágrimas nas salas de cinema. Dessa vez a Academia de Hollywood fez juz e indicou McCarten ao Oscar de roteiro adaptado.

Eddie Redmayne dá vida a Hawking na tela. Ou melhor, ele incorpora Hawking na tela. Não há como não reconhecer o cientista em nossa frente, inclusive nos momentos em que ele perde a habilidade de falar e passa a se comunicar com a tão conhecida voz robótica com que Hawking fala ao mundo. Aliás, é a própria voz robótica do físico que ouvimos no filme, gentilmente cedida por ele. Se a Academia não premiar o trabalho de Redmayne por esse filmaço, será uma grandessíssima  injustiça - mesmo com todos os outros talentosíssimos atores no jogo. Felicity Jones (também indicada ao Oscar) interpreta Jane, a melhor esposa do mundo, e não há como não se emocionar com ela diante das dificuldades que ela mesma trouxe para sua vida ao encarar essa "guerra" ao lado do seu grande amor, com quem teve três filhos e, apesar de divorciada hoje, ainda é sua grande amiga.

A música envolvente e nada melodramática (muito pelo contrário!) de Jóhann Jóhannsson dá o clima do filme, cuja montagem e fotografia também mereciam ser indicados ao grande prêmio do cinema.

O filme concorre aos Oscar de melhor filme, ator, atriz, roteiro adaptado e trilha sonora.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Jogo da Vida

No decorrer da história da humanidade, alguns homens (e também mulheres, claro!) são responsáveis por descobertas e inventos (mesmo que em teoria apenas) que de uma forma ou outra impulsionam o desenvolvimento da espécie e da civilização como nós a conhecemos. O mesmo pode ser dito de homens e mulheres cujo talento artístico nas mais diversas áreas nos brindaram com obras-de-arte, conceitos e tendências.  São seres, digamos assim, "iluminados" que parecem ter sido "inseridos" em determinadas épocas para que a humanidade pudesse prosperar.

Filosofia a parte, a literatura e o cinema (e o teatro também, claro) não perdem a oportunidade para apresentar às gerações atuais nomes que até então poderiam pouco ou até nada significar para elas, e assim prestam uma enorme ajuda à memória humana.

O JOGO DA IMITAÇÃO, dirigido pelo norueguês Morten Tyldum, um até então desconhecido do grande público, conta a história de ninguém menos do que o "pai do computador". Não, não estamos falando de Bill Gates ou Steve Jobs, e sim de Alan Turing, matemático britânico contratado pelo MI-6, juntamente com outros talentos da área, para decifrar os códigos da ENIGMA, máquina criptografada alemã, o grande trunfo do Reich durante a Segunda Guerra Mundial.

Já Benedict Cumberbatch é o grande trunfo do filme. Ele se entrega de corpo e alma ao personagem, dando-lhe credibilidade. Experiência com personagens excêntricos ele tem de sobra, pois há três temporadas interpreta o melhor Sherlock Holmes de todos os tempos na TV britânica. Semelhanças entre os dois personagens são notórias, como a genialidade e a síndrome de Asperger, o que torna ambos um tanto quanto anti-sociais - e até certo ponto odiados por isso. Turing tem ainda o "agravante" de ser homossexual (atenção às aspas, por favor!) enrustido, o que o torna ainda mais recluso,  uma vez que, àquela época, a homossexualidade era considerada um crime na Inglaterra (quem diria!), punida com morte ou castração química (algo de que, infelizmente, Turing não acabou escapando alguns anos mais tarde). Seu grande sonho, que era o de construir uma "máquina pensante" que pudesse realizar o trabalho de descriptografar muito mais rápido, estava em jogo, tanto que até pediu em casamento a colega de trabalho Joan Clarke (Keira Knightley, adorável!).

A direção de Tyldum (indicado ao Oscar na categoria) é um tanto quanto burocrática, e o roteiro escrito pelo novato Graham Moore (a partir do livro de Andrew Hodges), contando a história de Turing em três fases de forma não linear acaba se perdendo um ritmo, principalmente no terceiro ato (o que não impediu a Academia de indicar o trabalho ao Oscar de roteiro adaptado). Mesmo assim, os diálogos concisos e tiradas espertinhas de Turing garantem os bons momentos da fita, que ainda conta com a emocionante trilha sonora assinada por Alexandre Desplat (também indicado ao Oscar).

O filme ainda conta com as indicações ao Oscar para Keira Knightley (atriz coadjuvante), e para as categorias de design de produção, montagem e filme.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Belezinhas via Amazon: Spartacus Vengence & War of the damned

O primeiro BELEZINHAS VIA AMAZON de 2015 - com vinheta de abertura nova! - está no ar mostrando minha única compra na black Friday do ano passado!

Completando a coleção, eis aqui as duas temporadas finais da série mais testosterona da TV!



Gostou?

Leia aqui a resenha que fiz da série.

Veja aqui o primeiro vídeo com SPARTACUS: Blood and sand & SPARTACUS: Gods of the arena.

Aproveita e leva pra sua casa!


Seguem os links para as edições de SPARTACUS na Amazon:




 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Grande!

Wes Andersen ataca novamente! E com precisão! O GRANDE HOTEL BUDAPESTE é até então sua obra-prima! Podemos ver no filme elementos que ele trouxera em todas as suas produções anteriores, todo o realismo fantástico e personagens excêntricos e extremamente cativantes como nos acostumamos a conhecer desde "Os excêntricos Tenenbaums", de 2001.

A história de O GRANDE HOTEL... gira em torno do gerente Sr. Gustave (Ralph Fiennes, excelente!), bajulador e, mesmo com trejeitos efeminados, grande admirador do sexo oposto, principalmente se forem as senhoras hóspedes de seu hotel. Após a morte de uma de suas amantes, ele é acusado do roubo de um valioso quadro (que, aliás, fora deixando a ele como herança) e acaba preso. Daí, o filme que deveria ser sobre os bastidores de um grande hotel, passa a ser sobre fuga de prisão, o que rende sequências antológicas e de extremo prazer para o deleite do espectador.

O roteiro afinado, assinado pelo próprio Andersen e por Hugo Guiness, inspirado nos escritos de Stephan Zwig em, aliado à soberba fotografia de Robert Yeoman (parceiro de Anderson em outras produções, como "Moonrise Kingdom" e "Os Excêntricos Tenembaums") nos leva a um mundo mágico, mas não pela presença de seres mitológicos ou pó de pirlimpimpim, mas sim pela beleza das imagens e grandiosidade dos cenários e da própria história.

Fazem parte ainda do elenco Jude Law, Adrien Brody, William Dafoe, Jeff Goldblum, Harvey Keitel, Edward "fucking awesome" Norton, Bill Murray, Tom Wilkinson e Saoirse Ronan, todos excelentes, todos extremamente bem dirigidos.
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