quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Dias de fúria


Não é de hoje – e acho que eu já devo ter dito isso em outras resenhas – que o cinema argentino vem se destacando no cenário não só latino americano como também mundial.  A qualidade das produções recentes, começando, claro, pelo roteiro, peça primordial em um bom filme, é tamanha que enclipsa todas as outras produções latino americanas, inclusive – e isso até que dói um pouco confirmar – do Brasil. Prova mais recente disso é o excelente RELATOS SELVAGENS, escrito e dirigido por Damián Szifron.

O filme (que tem no grandioso elenco o quase onipresente Ricardo Darín) é dividido em 6 histórias, seis curtas onde a única coisa em comum entre eles é o tema: o dia de fúria a que temos, como humanos, direito ao menos  uma vez na vida, para externalizar nossas frustrações com o mundo, com a raça humana, com a sociedade.  Uma estranha coincidência junta algumas pessoas num desastroso vôo; uma garçonete tem que decidir se envena um político mafioso ao servi-lo, sem que ele se lembre de que foi o responsável pela ruína de sua família; um almofadinha na estrada com seu carrão se vê ameaçado por um ressentido motorista local; um pai de família tem que tomar a decisão certa para proteger seu filho após o garotão atropelar e matar uma mulher grávida; um engenheiro especialista em demolições vê sua vida arruinada pela burocracia pública quando seu carro é rebocado; uma noiva se descobre traída no dia de seu casamento e resolve se vingar ali mesmo, no que se torna a festa de casamento mais arrebatadora do cinema!

Szifron, que deveria estar sendo indicado ao Oscar de roteiro original também (assim como de diretor, claro!), entrega ao público um filme dramático, onde os limites da tolerância são postos em cheque, mas com suspense e humor intrínsecos e muito bem colocados.

Ainda não assisti os outros filmes que concorrem à estatueta de Filme em Língua Estrangeira do Oscar, mas o argentino tem seu mérito e não será surpresa se sair da festa com o prêmio, a exemplo do que aconteceu com “O SEGREDO DE SEUS OLHOS”, de Juan José Campanella.

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