terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O vôo da Fênix

O ocaso de um ator de cinema, marcado para sempre por um personagem menor, e sua tentativa de voltar ao estrelato de 20 anos atrás através das luzes da ribalta é algo que já passou pelo cinema anteriormente, como em "O CREPÚSCULOS DOS DEUSES" (1950), de  Billy Wilder ou mesmo em "8 1/2" (1963) de Fellini. É, aliás, neste filme do mestre italiano que Alejandro González Iñárritu parece ter se inspirado mais para criar essa deliciosa e vertiginosa obra que é "BIRDMAN ou (a inesperada virtude da ignorância)".

No filme, Michael Keaton parece interpretar a si mesmo ao dar vida a um ator atormentado por ser reconhecido apenas pelo personagem protagonista de uma série de filmes baseado num super-herói, o "Homem-Pássaro" (acredito que nada tenha a ver com o herói dos estúdios Hanna-Barbera) e que aposta tudo (TUDO!) num retorno triunfal, mas na Broadway, numa peça em que escreve, atua e dirige. Mais do que provar ao mundo seu talento,ele claramente quer provar a si mesmo que pode.

A direção de Iñaritu, que aposta aqui num tom mais cômico do que está acostumado (seus filmes anteriores, como "Amores Brutos", "Babel", "Biultiful" e "21 gramas", são odes à depressão e à miséria humana), é vertiginosa, apostando num plano sequência de 2 horas, onde não percebemos os cortes e nos remete diretamente ao papel de cúmplices de Riggan (Keaton, em uma interpretação de aplaudir de pé!), seus medos, suas neuras e sua esquizofrenia. Em certos momentos tendemos a acreditar que Riggan tem mesmo super-poderes e que é um herói preso no corpo de um ser-humano qualquer. A sequência da epifania de Riggan, que culmina com seu vôo sobre a cidade e sua chegada ao teatro (sendo seguido pelo motorista de táxi a cobrar pela corrida) é sensacional e resume bem o filme. Iñaritu merece o Oscar a que concorre nessa categoria e eu não ficaria triste também se Keaton levasse a estatueta pelo melhor papel de sua vida, aliás, pelo PAPEL DE SUA VIDA, como uma fênix ressurgindo de suas próprias cinzas.

Emma Stone, que interpreta Sam, filha de Riggan, concorre ao Oscar de atriz coadjuvante e deve levar o prêmio (M.H.O.), muito embora eu preferisse que Naomi Watts, sua colega de elenco, concorre ao prêmio. Edward Norton, solto em cena como colega de palco de Riggan, também concorre como ator coadjuvante. A magistral fotografia de Emmanuel Lubezki, que levou o Oscar ano passado por GRAVIDADE, também concorre ao prêmio, assim como o filme ainda concorre a edição de som, mixagem de som e roteiro original. A música de Antonio Sanchez infelizmente não está concorrendo, mas seus solos de bateria, que me lembraram muito os de "WHIPLASH", são de arrepiar e casam perfeitamente com o ritmo do filme.



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