sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

O Jogo da Vida

No decorrer da história da humanidade, alguns homens (e também mulheres, claro!) são responsáveis por descobertas e inventos (mesmo que em teoria apenas) que de uma forma ou outra impulsionam o desenvolvimento da espécie e da civilização como nós a conhecemos. O mesmo pode ser dito de homens e mulheres cujo talento artístico nas mais diversas áreas nos brindaram com obras-de-arte, conceitos e tendências.  São seres, digamos assim, "iluminados" que parecem ter sido "inseridos" em determinadas épocas para que a humanidade pudesse prosperar.

Filosofia a parte, a literatura e o cinema (e o teatro também, claro) não perdem a oportunidade para apresentar às gerações atuais nomes que até então poderiam pouco ou até nada significar para elas, e assim prestam uma enorme ajuda à memória humana.

O JOGO DA IMITAÇÃO, dirigido pelo norueguês Morten Tyldum, um até então desconhecido do grande público, conta a história de ninguém menos do que o "pai do computador". Não, não estamos falando de Bill Gates ou Steve Jobs, e sim de Alan Turing, matemático britânico contratado pelo MI-6, juntamente com outros talentos da área, para decifrar os códigos da ENIGMA, máquina criptografada alemã, o grande trunfo do Reich durante a Segunda Guerra Mundial.

Já Benedict Cumberbatch é o grande trunfo do filme. Ele se entrega de corpo e alma ao personagem, dando-lhe credibilidade. Experiência com personagens excêntricos ele tem de sobra, pois há três temporadas interpreta o melhor Sherlock Holmes de todos os tempos na TV britânica. Semelhanças entre os dois personagens são notórias, como a genialidade e a síndrome de Asperger, o que torna ambos um tanto quanto anti-sociais - e até certo ponto odiados por isso. Turing tem ainda o "agravante" de ser homossexual (atenção às aspas, por favor!) enrustido, o que o torna ainda mais recluso,  uma vez que, àquela época, a homossexualidade era considerada um crime na Inglaterra (quem diria!), punida com morte ou castração química (algo de que, infelizmente, Turing não acabou escapando alguns anos mais tarde). Seu grande sonho, que era o de construir uma "máquina pensante" que pudesse realizar o trabalho de descriptografar muito mais rápido, estava em jogo, tanto que até pediu em casamento a colega de trabalho Joan Clarke (Keira Knightley, adorável!).

A direção de Tyldum (indicado ao Oscar na categoria) é um tanto quanto burocrática, e o roteiro escrito pelo novato Graham Moore (a partir do livro de Andrew Hodges), contando a história de Turing em três fases de forma não linear acaba se perdendo um ritmo, principalmente no terceiro ato (o que não impediu a Academia de indicar o trabalho ao Oscar de roteiro adaptado). Mesmo assim, os diálogos concisos e tiradas espertinhas de Turing garantem os bons momentos da fita, que ainda conta com a emocionante trilha sonora assinada por Alexandre Desplat (também indicado ao Oscar).

O filme ainda conta com as indicações ao Oscar para Keira Knightley (atriz coadjuvante), e para as categorias de design de produção, montagem e filme.



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