quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

CAIU NA REDE, É PEIXE


“Você não consegue 500 milhões de amigos sem fazer alguns inimigos”, diz a frase do cartaz promocional de THE SOCIAL NETWORK, que acabei de assistir com a patroa. E é verdade. Aliás, você não consegue fazer 5 amigos sem fazer um inimigo nos dias de hoje, infelizmente.  Alia-se a essa verdade alguns bilhões de dólares e talvez nem um amigo de verdade sobre para contar a história. No caso do filme, sobre a criação do FACEBOOK, essa máxima é muito verdadeira.  


Mark Zuckerberg (magistralmente interpretado por Jesse Eisenberg, que junto com Anne Hathaway já prometia bons momentos desde a precocemente falecida série Get Real) é um gênio, e como todo gênio, é excêntrico e socialmente falido. Chega  a ser irônico ele ter ficado bilionário criando uma rede social. E pelo filme, baseado no livro escrito por Ben Mezrich, podemos perceber que a maior lição aprendida por ele na vida não foi nas aulas de computação, matemática ou afins em Harvard; a maior lição por ele aprendida foi a máxima de Antoine Lavoisier:  "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma." O mesmo podemos aplicar a todas as ciências humanas, ou seja, nada se cria, tudo se COPIA. E Zuckerberg não só copiou – e, vá lá, melhorou – a idéia original de dois colegas de Harvard, como passou a perna neles. E fez o mesmo com o igualmente gênio, mas endinheirado,  amigo brasileiro, Eduardo Severin, interpretado pelo novo homem-aranha (algo me diz que em breve estaremos chamando o “amigão da vizinhança” de Spiderman...) Andrew Garfiled, que foi o primeiro a investir uma graninha no site. Ludibriado por Sean “Naspter” Parker, que, vá lá,  ajudou a deslanchar de vez o Facebook com sua consultoria, Zuckerberg só pensou em si e esqueceu que no mundo sozinho nada conseguimos. E perdeu não só seu melhor amigo, como alguns bilhões ai do que hoje vale  a sua rede.

Alguém ai pensou em WALLSTREET – PODER E COBIÇA, de 1987? No final do filme, o personagem de Michael Douglas vai pra cadeia por ter passado a perna não só em amigos e colegas de trabalho, como em todo o conturbado mercado financeiro estadunidense. Não tem como não achar que Zuckerberg merecesse o mesmo. Claro, ele não cometeu um crime-do-colarinho-branco. Mas tenho certeza de que essa história não termina aqui. O cara é o mais novo – em todos os sentidos – bilionário da atualidade e ainda está no início de sua jornada. Espero que a lição tenha sido aprendida e ele  consiga seguir em frente sem outro processo nas costas, pois a vontade que deu ao fim do filme foi de cometer um FACEBOOKCÍDIO

David Fincher, que tem no currículo dois dos meus filmes prediletos, SE7EN e O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON, e o controverso CLUBE DA LUTA (de que particularmente não sou fã), fez o dever de casa com maestria e não me surpreenderia uma indicação ao Oscar por sua direção, que deve também privilegiar Andrew Garfield com ao menos uma indicação para ator coadjuvante. 

Segue o teaser trailer do filme. Ele não me cativou muito, e por ele eu nem assistiria o filme... Mas vale a conferida.

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