segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

POLITICAMENTE CORRETO, MAS NA MEDIDA CERTA


Você já parou para pensar o que teria acontecido com Kal-El, ou melhor, Super-homem, se ao invés de cair no quintal dos Kent ainda bebê fosse parar na caverna de Bin-Laden? Isso só para soar mais atual. Imagina no alto da guerra Fria nosso super-amigo ter ido parar no Kremlin? Histórias com esse universo paralelo já foram tratados nos comic-books do azulão, creio eu, mas como não sou letrato em gibis (me limito aos da turma da Mônica), não posso me enveredar por essa trilha. O ponto a que quero chegar é que, assim como dito no filme MEGAMIND, a frase batida “Os heróis não nascem; eles são feitos!” faz todo o sentido do mundo, ainda mais hoje, com o politicamente correto invadindo a praia de todas as mídias (estavam querendo até censurar Monteiro Lobato, imaginem!).



Pois MEGAMENTE fala exatamente isso. Ele toma emprestado a mitologia do último filho de Kripton para contar a história de dois bebês, um rosadinho, lindinho, fofinho, capa da revista Crescer, e outro azulzinho, igualmente fofinho, mas com traços mais alienígenas, como o cabeção, que são lançados de seus moribundos planetas natais ainda bebês em direção a Terra. Um deles cai numa mansão, outro numa prisão. Por influência do meio, um vira o herói, o Metroman, e o outro o vilão, o Megamente do título. E mesmo com um super-cérebro, o vilão sempre sucumbe a super-força e astúcia do herói, para o deleite da população de Metro City.  Até que finalmente, num plano não tão mirabolante, nosso herói é morto por um incrédulo Megamente, que se vê dono da cidade apavorada por seus atos delinqüentes, mas cai na melancolia por que seu propósito de vida foi alcançado. O que fazer? Como ser um super-vilão sem um antagonista, um super-herói para pô-lo na linha?  A resposta é simples: tem-se de criar outro super-herói.



Não se preocupe, não contei nenhum spoiler ate agora e nem pretendo. Tudo isso aí está na sinopse do filme. O que interessa aqui é a mensagem – sempre ela – que o filme tem que passar para seu público, especialmente o infantil, que é a de que o crime não compensa. Mas Tom McGrath, que tem no currículo Madagascar 1 e 2 e a hilária e ácida série animada Ren & Stimpy, consegue fugir do comum e mostra uma lição politicamente correta separada por uma tênue linha do escrachado. O vilão tem sua redenção sim, é fato, mas os caminhos pelos quais ele passa para chegar até lá não são exatamente o que podemos chamar de certinhos.

Recheado de diálogos que mais uma vez agradam mais o público adulto que o infantil, e uma trilha sonora fantástica (Ac/DC e Guns n’ Roses fazem parte da seleção, por exemplo) que enredam cenas de ação extremamente bem escritas e dirigidas, MEGAMENTE é diversão garantida para os pais que são “obrigados” a levar os filhos de férias ao cinema.

Sim, eu vi em 2D, pois não enxergo em 3D, mas tenho certeza de que isso não fez a menor diferença, assim como não faz a menor diferença assistir dublado (creio que apenas cópias dubladas estão disponíveis), mesmo tendo Thiago Lacerda substituindo a voz de Brad Pitt em Metroman. Alias, essa mania de colocar celebridades e globais para dublarem desenhos não está com nada...

Confiram o trailer:

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