quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vai começar a bagaça!

Pois é, fui vencido.  Tentei, juro que tentei me ver livre desse mundo, dessa blogosfera que tomou conta nos últimos anos da Internet.  Tanto que nem página pessoal mais eu tinha, apenas um site profissional, que mantenho a trancos e barrancos (o layout é de 2006, o que em termos de internet é o equivalente a Idade Média!) onde eu coloco meus trabalhos como designer (principalmente web), um ou outro artigo  que eu escrevi sobre o tema design (nem sei quando foi o último, mas certamente tem mais  de um ano) e meus textos que, um dia, talvez sejam publicados e lidos por muita gente (pra quem não sabe, além de designer, por formação, sou escritor, por hobby, tendo já registrado na Biblioteca Nacional dois romances, um conto e alguns roteiros). O fato é que dei o braço a torcer e entendi que para ser ouvido (e lido, claro) eu precisava me expor, não somente comentando blogs alheios (não que eu seja assíduo freqüentador de blogs, apenas acompanho um ou outro sobre cinema, cultura, mundo nerd, ou babaquices desse universo escatológico que é a internet); eu precisava ter mais espaço para escrever aquilo que me desse na telha sem limite de caracteres (não, não falo do Twitter) e sem risco de parecer mais um troller.

Tudo isso posto aí em cima, eu precisava então de um assunto pertinente; algo que fosse interessante e atual. Eu poderia começar falando do assunto da semana passada, que foi a tomada do Complexo do Alemão pelas forças de segurança no estado do Rio, ou poderia falar da estréia da parte 1 do último filme do Harry Potter (algo sobre o que eu pretendo ainda falar), mas isso já tem duas semanas. Cheguei a perguntar a essas minhas colegas de trabalho que tanto me incitaram a começar esse blog sobre o que afinal eu poderia falar que fosse interessante para um primeiro post que não somente uma mera apresentação (falando nisso, se você não sabe ainda, me chamo Rafael Poggi, tenho quase 35 anos, sou formado em desenho industrial pela UFRJ e trabalho atualmente como arquiteto de informação e analista de requisitos ). Eis então que um colega aqui chega feliz da vida ao trabalho e espalhando aos quatro ventos, e mostrando para quem quisesse ver, seu mais novo brinquedinho, um auto-presente de Natal antecipado: um iPad, o gadget do momento!

Mas afinal... o que é um iPad?!



O iPad é um ‘tablet PC’, um pequeno computador, de tela tátil (touch screen) de alta resolução, indicado para a consulta de correio eletrônico, navegar na Internet e para a leitura de jornais e livros.  Só.  Sim, isso mesmo. Só isso. Nada que um iPod ou iPhone ou qualquer outro smartphone já não fizesse também.  A única vantagem ai é sua tela maior (cerca de 12 polegadas), o que, convenhamos, passaria a ser uma desvantagem, pois teríamos que ter sempre uma mochila ou bolsa a tira-colo para  leva-lo (no bolso não cabe mesmo, nem naquela sua velha calça cargo).

No Brasil, esse brinquedinho, em sua versão mais básica, está saindo por módicos R$ 1.700,00 (divididos em 10 vezes sem juros no seu cartão!!!). Vou repetir: R$ 1.700,00, o preço de uma SUPER-MÁQUINA, um PC desktop de última geração, ou mesmo um ótimo  notebook. E até mesmo um outro tablet de outra marca, mas com muito mais utilidades. “Ah, mas é um Apple, né?”, diriam alguns. “Ah, mas da pra levar pra tudo quanto é lugar!”, diriam outros, e a esses eu digo: leva pra praia, leva! Não que alguém em sã consciência levaria um computador para a praia, mas, oras! Estamos falando de um tablet, de um media player, se muito! Não é para isso que ele serve? Ou você vai usa-lo em casa? Me desculpe se você disser que sim, mas em casa, sinceramente, meu notebook me serve muito bem quando não estou a fim de ficar sentado no escritório a frente de meu desktop e quero relaxar no sofá ou na cama enquanto confiro um e-mail ou leio algo no jornal on line, ou um blog!

Sei lá, pode parecer pura implicância minha. Talvez até seja recalque por não poder priorizar a compra de um brinquedinho desses e com ele presentear minha mulher no Natal. Entenda: se eu tivesse alguns milhares de reais sobrando na conta, ou mesmo milhões (alô, alô Mega Sena de Ano Novo!), talvez eu comprasse um desses, mas apenas por um ímpeto consumista. Como não tenho, não me faz falta, ou talvez somente eu me sinta melhor ao dizer que não me faz falta. Até há poucos anos atrás (poucos mesmo!) eu não fazia questão sequer de ter um telefone com câmera fotográfica, quando alguns amigos meus já tinham os seus com câmeras de 5 Megapixel e sonhavam com um iPhone. Eu simplesmente não via necessidade disso! Hoje, claro, eu tenho um telefone com uma câmera razoável, mas ele não é um smartphone, muito menos um iPhone, mas me serve perfeitamente para aquilo a que ele se propõe: fazer ligações. E, oportunamente, tirar uma foto de um flagrante no meio da rua (nada que eu precise que tenha ótima resolução para imprimir, digo, “revelar”). Não que eu não deseje eventualmente ter um desses telefones tochscreen que têm até acesso a TV digital. Simplesmente não me faz falta.  Assim como não me faz falta ter um iPad (ou mesmo outro tablet).

Quando o iPad foi lançado, a Apple vendeu três milhões e meio de unidades em um mês e meio.  Não duvido que um número expressivo como esse seja repetido aqui em terra brasilis. Afinal, tudo o que é produzido na Capital chega na colônia, como bons vassalos consumistas que somos. A esses milhares, talvez milhões, de tupiniquins que vão gastar uma pequena fortuna nesse aparelhinho que já chega ancião ao nosso mercado, eu digo: vão fazendo ai seu pezinho-de-meia que a Apple já já estará lançando no mercado o iPad 2. Com algumas funcionalidades a mais, talvez, tudo para justificar uma nova compra. As próximas 20 gerações de Steve Jobs agradecem.

E você, o que acha? Comenta ai!

5 comentários:

  1. Rafael, diferentemente do que postastes, o valor de um ipad interessante gira em torno de R$ 2.800,00 - 64Mb e 3G. Muito útil, não serve somente para ler livros não. Em profissões em que há necessidade de manuseio de processos digitais é extremamente útil o aparelho. Confesso que realizei meu sonho de consumo aqui mesmo no Brasil. Comprei-o às 9h tão logo abriu a loja. Vale a pena. Apresentações em aula são muito interessantes, processos digitais idem. Pagamentos bancários. Porém, em realidade, para comprar-se um brinquedinho de adulto qualquer desculpa vale. As minhas ai estão. No ano passado presenteei o cônjuge com um mac, como vistes aqui em casa, esse ano o presente foi egocêntrico. Abraços e parabéns pelo Blog.

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  2. Lendo o texto do Poggi me veio uma cena em mente, com alta resolução, cheia de detalhes, colorida, com sensação térmica, cheiros, sons, movimento... essas coisas que a imaginação humana é capaz de realizar. É a imagem de Sócrates, andando pela feira de Atenas só pelo prazer de saber que existem muitas coisas da qual ele não precisa. Essa passagem está em um dos diálogos de Platão, e eu li em um texto impresso, em papel, preto no branco e sem imagens.

    Apesar de Atenas não possuir uma economia Capitalista, a questão do desejo pelos objetos cuja utilidade era duvidosa, já existia. Nesta passagem Sócrates dialoga sobre a valorização dos prazeres dos sentidos em detrimento do desenvolvimento das virtudes.

    A questão ainda é a mesma só que com outra roupagem. Eu particularmente adorei o iPad, ele foi criado para isso, para as pessoas adorarem ele, é um objeto de status, promove aquela sensação de felicidade temporal típica do consumo contemporâneo. Mas e amanha? E semana que vem? Provavelmente ele não terá a mesmo encanto, então chegarei à mesma conclusão do Poggi, de que eu não precisava dele. Talvez alguém realmente precise.

    Até, Ana Paula

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  3. Poggi, bem vindo ao (espero) hall dos blogueiros que leio com frequência.

    beijos!

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  4. Como meu ascendente é aquário, devo culpá-lo pelo gosto por novidades tecnológicas...se viajar vou comprar o ipad ou samsung galax sim e acho que ele será útil e super prático na minha vida. E que venha a era sem cadernos e papéis!

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  5. A era sem papel está longe, muito longe de chegar. Ouso dizer que NUNCA haverá somente livros eletrônicos.

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