terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Tristezinhas via Amazon: fui trollado


Sim, queridos leitores, pela primeira vez em todo esse ano que passou, vou fazer um post sobre as lamúrias das compras on line. E ao invés de cair no lugar comum e execrar as lojas on line brazucas, com as quais todos acabam tendo problemas e dores-de-cabeça eventualmente, vou contar sobre os problemas que eu nunca pensei ter com essa que é a maior loja de varejo on line do mundo, presente em vários países. Estou falando da Amazon, e mais especificamente da Amazon do Reino Unido, que cometeu a trollada da década.

Mas como assim?! Eu sempre compro nas Amazons ao redor do mundo e posto eventualmente as belezinhas colecionistas que de lá chegam! Como posso ter tido um problema com eles, que fazem a alegria dos colecionadores tupiniquins (eu incluso)?! Logo a Amazon, que preza sempre pelo bom atendimento e que não titubeia em, por exemplo, reenviar uma mercadoria extraviada para o comprador, esteja ele onde estiver no mundo (eu mesmo já tive que lançar mão dessa generosidade duas vezes!). Pois bem, prestes a se instalar aqui em Terra Brasilis, a Amazon parece que já está contraindo o vírus do varejo on line brasileiro e já dá dor-de-cabeça (no meu caso uma bela de uma enxaqueca) para seus consumidores.

O que aconteceu foi o seguinte: na semana da Black Friday (conhecida e já internacionalizada semana de descontos imperdíveis nas lojas físicas e virtuais, que começou nos EUA), a Amazon resolveu inovar e não deixar seus consumidores ao redor do mundo de mãos abanando no Natal. Para tanto, lançou mão de couriers, ou seja, empresas de entregas expressas (Fedex, UPS, DHL Express...) de modo que todos recebessem suas sonhadas e suadas encomendas dentro do prazo e, no caso dos compradores internacionais, sem o risco de perda do mesmo, que ocasionaria o já citado reenvio da mercadoria ao comprador, sem ônus para esse. Pois esse acabou sendo um tremendo de um presente de grego para nós consumidores tupiniquins. 

Como você deve saber, e se não sabe, fica a dica, qualquer compra feita pela internet em lojas fora do Brasil está passível de ser taxada, seja qual for o valor. Aquela história de US$ 50 de limite é balela, só servindo para as encomendas envidas de pessoa física para pessoa física. Conheço gente que foi taxada em uma encomenda de menos de 5 dólares... O que acontece na maioria das vezes é que, como a Receita Federal não tem como controlar todo o montante de encomendas que entra pelos correios no país, ela faz uma taxação por amostragem, ou seja, ela libera ou retém para taxação um produto aleatoriamente. Não há, pelo que eu saiba, uma regra exata. Mas certamente o tamanho e o peso de um pacote são fundamentais para a cair na peneira da Receita. Como o volume é muito grande, muita coisa passa por “vista grossa” e chega as nossas casas bonitinho – ou, quando muito, reembalado após os fiscais terem aberto o pacote e verificado que o produto podia ser liberado. 

O "culpado".
Já com as encomendas via courier isso não acontece. Toda compra que vem por uma dessas empresas não é passada aos correios para dar continuidade à sua entrega e obrigatoriamente, por estar vindo de uma empresa privada, que deve prestar suas contas ao fisco, passa pela malha fina da Receita e aí é taxação certa, novamente independente do valor. Somadas as taxas de importação (60% do valor pago pelo produto e pelo frete, o que é um absurdo aliás!), há ainda incidência de ICMS, cujo valor varia de estado para estado. E para piorar, algumas empresas de courier COBRAM por esse serviço administrativo. Esse valor, que deveria ao ponto de vista ser cobrado do remetente, nunca do destinatário, muitas vezes é superior, e muito, ao valor pago pelo produto originalmente.

Pois comigo aconteceu isso mesmo. Aproveitando uma promoção imperdível, comprei o Blu-Ray do fantástico filme GLADIADOR na Amazon do Reino Unido por míseras 5 Libras, ou, em bom português, cerca R$ 15. Escolhi como de praxe o frete mais barato, que é o Standard International Shipping, que custou 3,5 Libras a mais, tendo o pedido no fechamento saindo a R$ 26 aproximadamente, bem menos do que se tivesse comprado a edição nacional (que não é dupla, diga-se de passagem) do filme. Por esse preço, não importa ter que esperar mais de 30 dias para receber a encomenda. Mas qual não foi minha surpresa ao tê-la em mãos menos de uma semana depois?! Achei uma maravilha, a Amazon tinha se superado! Abri a caixa, gravei um vídeo (que eu iria postar aqui, mas de tanta raiva acabei apagando-o) e só depois de ter aberto o lacre da caixa e conferido os disquinhos que fui perceber o papel anexado à embalagem de envio: um boleto de pagamento da UPS, com meu nome e meu CPF, no valor de R$ 69,96, sendo R$14,71 de impostos de importação, R$ 7,00 de ICMS, R$ 0,63 da Infraero e R$ 0,47 da DAPJ (o que quer que isso signifique). O pior foram os R$ 47,15 de Taxa Administrativa da UPS!!! Ou seja, minha compra de R$ 26 se transformara em menos de uma semana em uma facada de mais de R$ 95!!!


Só a Taxa administrativa da UPS custou o dobro do que paguei pelo BD...

Claro que fui averiguar o que tinha acontecido! Eu nunca poderia ter solicitado um envio via UPS ou qualquer empresa de courier porque já sabia desses prováveis problemas, além do que o frete ficaria muito mais caro (no meu caso, o triplo do preço do produto!). Confirmado que eu escolhera o frete mais barato, fui tirar satisfações com a Amazon, ainda mais depois de ver em alguns fóruns na Internet que não fui o único a ser “presenteado” com esse regalo dos infernos (pra pegar bem pesado mesmo!) e que muitos estavam sendo estornados do valor pago a mais. E qual não foi minha surpresa quando a Amazon, muito bem representada por seus atendentes indianos, me disse que lamentava muito mesmo o ocorrido mas que nada poderia fazer porque não tinha poder de interferir nas taxas de importação de nenhum país. 

Barulho de freada brusca ai! Como é que é?! Que resposta mais... mais... Americanas.com!!! Não me dei por vencido e novamente mandei outra mensagem, e mais outra, e mais outra (acho que já foram umas seis, além de um chat com um indiano chamado Divakar, muito educado por sinal), sempre explicando que eu não estava reclamando dos impostos, que de antemão já sabia estar passível, mesmo nunca ter tido que paga-los antes; minha reclamação era com a absurda taxa administrativa da UPS, que, alias, recebeu também um e-mail e um telefonema meus, mas logo se esquivou da culpa e disse que precisava cobrar pelo seu trabalho junto a Receita Federal (os mal fadados R$ 47,15) e que eu devesse me entender com a Amazon, que contratou seus serviços sem o meu consentimento. E é exatamente isso o que eu estou fazendo.

Veja: eu não estou fugindo de meus deveres de cidadão. Como todos, sou obrigado a pagar a carga tributária mais cara do mundo, mesmo não vendo o seu retorno aplicado devidamente na sociedade. O que não posso concordar é com uma injustiça, ainda mais contra a minha pessoa. Eu não contratei os serviços da UPS; eu não solicitei a Amazon UK que me enviasse por courier expresso. Portanto não posso ser onerado por isso. Nem que precise enviar todos os dias uma mensagem a Amazon UK sobre isso. Nem que por isso eles desistam de enviar encomendas para cá. 

A Amazon, como eu disse, fez isso comigo e com talvez milhares de outros consumidores ao redor do mundo com a melhor das intenções. Mas de boas intenções, como diz o ditado popular, o inferno está cheio. 

Essa novela não acabou ainda. Aguardem a resolução final...

13 comentários:

  1. Cara, post em explicativo, mas discordo da parte q diz "Amazon resolveu inovar e não deixar seus consumidores ao redor do mundo de mãos abanando no Natal".

    Se fosse só isso, eu estaria tranquilo, mas em lugar nenhum tivemos essa confirmação, de q o q vem ocorrendo foi por causa do Natal.
    É uma teoria até razoável, mas teve gente fazendo pedido ontem, já DEPOIS do Natal, e continua acontecendo a mesma coisa.

    Ou seja: a preocupação é q esse tenha virado o padrão da Amazon, o q, se for o caso, com ctz vai diminuir e MTO a quantidade de vendas pro Brasil.

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  2. Concordo com o seu post. Mas realmente a tese do "Anônimo" parece proceder, pois o medo é que esse serviço de courier passe a ser um padrão da empresa, o que, sem dúvidas, afastará ou diminuirá sobremaneira as compras dos consumidores brasileiros.

    Dicas de correções (não me incomodo se vc não quiser publicar este comentário):

    - "que cometou" => "que cometeu"
    - "Logo a Amazon, que presa sempre" => "Logo a Amazon, que preza sempre"
    - "nos EUA), a Amazon resolveu" => "nos EUA) a Amazon resolveu". A meu ver não tem vírgula aqui.
    - "Receita e ai é taxação certa" => "Receita e aí é taxação certa"
    - "Mas qual não foi minha surpresa ao te-la" => "Mas qual não foi minha surpresa ao tê-la".

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  3. Anônimo, obrigado pelas correções; já foram feitas. Agora, da próxima vez assine para eu poder agradecer a uma pessoa, rsssss.

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  4. Foi mal, Rafael. Meu nome é Alexandre. Abs

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  5. Poggi, eu acho que o erro foi da Amazon, mas se eles se recusarem a te ressarcir, entra no Procon e pede ressarcimento em dobro dessa empresa brasileira. Eles que cobrem as taxas da Amazon. Você tem a prova de que não pediu envio por courrier, como consumidor vc não tem "força" pra brigar com uma Amazon, mas eles tem...

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  6. Procon contra a Amazon acho meio difícil porque ela é uma loja internacional e não tem representação no Brasil. Mas contra a UPS, sim, ai pode ser viável...

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  7. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  8. Lamentável a atitude da Amazon.co.uk. Também enviaram uma modalidade diferente de envio da qual eu tinha solicitado, mas fui reembolsado com um crédito equivalente na Amazon.com. Ações assim nos desanimam a continuar comprando na amazon.co.uk. Espero que não vire rotina...

    Abraços

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  9. Também caí na pegadinha da UPS.

    Comprei uma mochila em formato do Yoda pelo site thinkgeek. Quando foram entregar em casa, além das taxas de importação, tive a desagradável surpresa da taxa de "despesas administrativas" da UPS. Putz, já tinha pago uma nota pelo frete e depois recebi essa cobrança extra.

    Reclamei com a UPS Brasil, que jogou o abacaxi para a thinkgeek, que educadamente estornou no meu cartão de crédito o correspondente à facada da UPS.

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  10. Estão achando ruim ? Comprem então na americanas.com , as nossas versões 3° mundo , custando 4 vezes mais , capados , sem extra , impresão vagabunda , embalagem porca ...

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  11. Varner, certamente! Mas o que não pode é entregar os pontos e aceitar pagar algo que não é justo.

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  12. Rafael, estou na mesma situacao. Acabi de receber um email de empresa vinculada da UPS reclamando o pagamento (2x o valor do produto). Ainda nao pensei na estrategia, mas vou reclamar para tudo qeu puder, pois nao pedi courier, mas sim standard. Poste seus emails para as empresas para gerar uma base. Abraco, Jao

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  13. nossa, eu estou horrorizado com essa história. Mas olha, é uma tremenda sacanagem da courrier do boleto vir dentro, e só depois de abrir o pacote descobri, pois se viesse fora do pacote daria para não receber. eles fazem isso mesmo de pura sacanagem, para vc nao ter como devolver.

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