sexta-feira, 18 de março de 2011

Fábula: O Esquilo e a Jararaca em forma de Javali


Era uma vez um esquilo que queria formar uma família. O Sr. Esquilo se apaixonou por uma linda Esquilete e com ele teve um filhote esquilinho. A família Esquilo estava formada e eles viviam felizes e unidos, mas precisavam de uma casa, pois a árvore em que eles moravam estava muito cheia de outros bichos e eles queriam criar o filhote num ambiente mais tranqüilo.


O grande problema da família do Sr. Esquilo, no entanto, era que o estoque de nozes não garantia a compra de uma toca nova, mas eles poderia alugar uma e passaram a procurar em todos os cantos da floresta, em especial aqueles cantos mais sossegados e com fácil acesso ao resto da mata, como a escola da Dona Coruja para que o esquilinho fosse bem educado, e ao trabalho do Sr. Esquilo, numa grande nogueira com produção capaz de sustentar todos os roedores e pássaros da floresta.

Com a ajuda do Sr. Porquinho-da-Índia, o Sr. Esquilo conseguiu exatamente a toca que eles queriam, numa árvore pequena, porém aconchegante e segura, longe de predadores e numa gleba tranqüila. A toca pertencia a tia do Sr. Castor, a dona Javali, que a havia comprado para a sua filha quando esta se casara com um coelho (ora, bolas; um coelho mesmo! Não vamos esquecer que isso é uma fábula e tudo é possível, pode até casamento de javali com coelho!). Acontece que a filha da dona Javali e seu marido mudaram para outra floresta onde o Sr. Coelho teria mais chances de carreira como Coelho da Páscoa, por isso a toca ficaria vazia, mas totalmente habitável, com sua pintura original ainda que meio descascada em alguns pontos, mas nada que incomodasse. A dona Javali até disse que o Sr. Esquilo poderia pintar da maneira que ele quisesse a toca, mas o Sr. Esquilo achou melhor deixar tudo como estava.

Passou-se mais de um ano e a vida da família Esquilo estava muito bem até que para surpresa deles, a dona Javali avisou que precisaria da toca de volta porque sua filha havia se separado do Sr. Coelho, que teria fugido para outras bandas junto com uma lebre. O problema todo é que havia um contrato assinado de 30 meses, o que por lei a dona Javali não poderia pedir o imóvel de volta, nem mesmo para sua filha. Mas para evitar constrangimentos com  o Sr. Porqinho-da-Índia, que o tinha ajudado a achar aquela toca, o Sr. Esquilo concordou em se mudar em até 3 meses, mas não antes, claro, de achar uma nova toca, tão boa quanto aquele e, claro, com valor de aluguel semelhante.

Felizmente um vizinho do Sr. Esquilo estava de mudança e ofereceu a toca dele, muito melhor localizada, embora precisasse de algumas pequenas reformas. Acertos feitos, a família do Sr. Esquilo se mudou até mesmo antes do fim do prazo dado a dona Javali, mas tomando todo o cuidado de deixar a toca da dona Javali EXATAMENTE da mesma maneira como a encontraram. Como a dona Javali não queria se envolver muito mais nessa história, já que ela já estava estressada tendo que aturar a filha em casa, ela chamou uma “adevogada” (sic) amiga da família para ajudar nessa quebra de contrato. Acontece que essa advogada, a Dra. Raposa, não fazia a menor idéia de como estava a toca quando a família Esquilo para lá se mudou e quis cobrar por várias manutenções que prontamente foram contestadas pelo Sr. Esquilo, que havia tirado fotos e documentado o estado do lugar assim que para lá se mudou, de modo que ele deixou claro que não pagaria uma noz sequer a mais para a Sra. Javali. O que a Sra. Javali e a sua filha Javalizinha não haviam percebido é que a família Esquilo estava muito bem assessorada juridicamente por intermédio de alguns competentíssimos advogados, o Dr. Sabiá e o Dr. Falcão, e virou uma verdadeira jararaca, ainda mais quando soube que a família Esquilo continuaria sua vizinha e com ela teria que cruzar todos dias

Já o Sr. e a Sra. Esquilo tentaram contornar a situação tentando jogar com a política de boa vizinhança, mas nada adiantou, pois pelo visto a dona Jararaca, desculpe, dona Javali não conheciam algo muito importante chamado EDUCAÇÃO, chegando ao ponto de ignorar um singelo “bom dia” muito comum entre vizinhos e pessoas de bem. Certa vez a Srta. Javali fez uma reclamação formal com o senhor Urso, que administrava aquela gleba da floresta, sobre um barulho fora de hora vindo da toca da família Esquilo. O Sr. Urso, muito constrangido, avisou da reclamação sem qualquer fundamento para a Sra. Esquilo, que riu do feito e lembrou que nem ela, nem o marido, nem qualquer vizinho da gleba havia feito qualquer reclamação contra os escândalos que a Srta. Javali, ex-Sra. Coelho, dera várias vezes ao raiar do dia por conta da visita inesperada do ex-marido, que queria ter com ela. O Sr. Urso não conseguiu conter suas risadas também.

A Srta. Javali está pensando em vender a sua toca para se ver livre da família Esquilo de uma vez por todas, já que não consegue aprender a viver em harmonia entre vizinhos e deixar o passado para trás,  e chamou o Camaleão, corretor de cavernas, ninhos e tocas, para avaliar sua toca. Aparentemente tal toca não vale tanto quanto ela pensava e argüida pelo Camaleão sobre a possibilidade dela locar seu imóvel, ela, na frente de quem quisesse ouvir, inclusive do Sr. Urso e dos Guaxinins que trabalhavam na manutenção da gleba e que sabiam do histórico dela com a família Esquilo, disse que a última família para quem locara sua toca a deixou totalmente destruída e que nunca mais cometeria esse erro. O constrangimento foi geral, pode imaginar, mas ela manteve firme em sua tentativa de difamação do Sr. e da Sra. Esquilo.

Essa história não terminou ainda. Mas algo me diz que a família Esquilo ainda vai rir muito disso tudo.

3 comentários:

  1. Meu amor, seu talento e criatividade alimentam o humor e o bem estar de qualquer pessoa de bem.
    Sempre te amando,
    Ana

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  2. Hauhauhauhauhau... só tu mesmo, Poggi! Figuraça!! =p

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  3. Acho que você poderia ter escolhido a "fábula" do mundo do Shrek, faria mais sentido e seria muito mais engraçado. Acho que até os personagens ficariam mais parecidos...hehehe.

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