terça-feira, 9 de outubro de 2012

Com amor e muita fúria

Ontem tive o privilégio de ser um dos convidados para a Premiér desse que pode vir a ser o divisor de águas na animação nacional de longas metragens: "UMA HISTÓRIA DE AMOR E FÚRIA", de Luiz Bolognesi. Com o traço estilo mangá e lançando mão de recursos digitais em momentos específicos e muito oportunos, o filme conta a história de um amor eterno, que deve lutar contra as truculências do mundo até a sua redenção seiscentos anos depois. O amor, no caso, é de um guerreiro índio/entidade imortal pela índia Janaína (vozes de Selton Melo e Camila Pitanga, respectivamente), que, nesse verdadeiro épico, se reencontrará em mais três ocasiões: no século XIX, durante a revolta da Balaiada (período pouquíssimo estudado nas salas de aula e de suma importância, pois nos apresenta ao menos um importante vulto de nossa história, o Duque de Caxias), no século XX, durante a ditadura militar e num futuro distópico e não muito distante, onde a água é um bem mais precioso que ouro e milicias particulares comandam a "segurança pública" no Rio de Janeiro que se gaba de ser "uma das cidades mais seguras do mundo".

Com direção de arte impecável de Ana Caiado e trilha sonora marcante de Rica Amabis, Tejo Damasceno e Pupillo (que ficarão maravilhosos no Blu-ray, tenho certeza), a história começa com a resistência - e eventual dizimação - dos índios tupinambás contra os portugueses que começavam a colonizar o Rio de Janeiro. Com a morte de Janaína, nosso herói se transforma em pássaro, fadado a voar até reencontrar Janaína, reencarnada numa negra livre no século XIX. Nosso herói se personifica num negro e leva sua vida ao lado da amada até que forças opressoras do Império o forçam a se envolver na revolta da Balaiada, no sertão do Maranhão. Com sua vida novamente destruída pelos agentes opressores, nosso herói voa novamente para apenas reencontrar Janaína como uma jovem atuante na luta armada contra a ditadura militar em 1968, e novamente em 2096, como uma prostituta  que ainda encontra tempo para lutar pelos idéias de um mundo mais justo. E em todas as épocas ele esbarra na figura de seu antagonista, hora um guerreiro revolto, hora um capitão-do-mato, hora um guerrilheiro e, no futuro, um magnata inescrupuloso (dublados por Rodrigo Santoro).

Sem os cabrestos de uma aula de história ou moral e cívica maçantes, o roteiro muito bem amarrado de Bolognesi deixa o gostinho de quero mais. Tenho certeza de que outras passagens de nossa rica história poderiam ser contadas sob o ponto de vista do herói, nos hiatos de sua eterna busca por Janaína, numa eventual - e muito bem vinda - sequência.

Que o filme faça o merecido sucesso em circuito comercial - e quiça internacional!

(ah, não é um filme para crianças!)

Confiram o trailer:

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