sexta-feira, 2 de março de 2012

De volta ao passado



Filmes sobre ou com viagem no tempo existem aos montes na história do cinema, sendo facilmente confundidos com ela ao longo desses mais de 100 anos. Sendo ficção científica (“A Maquina do Tempo”, “Efeito borboleta”), fantasia (“Em algum lugar do passado” e “Harry Potter e o prisioneiro de Askaban”) ou aventura (“De volta para o futuro”), platéias do mundo inteiro se maravilham com a remota (mas maravilhosa) possibilidade de se visitar outras épocas que não a sua. O cinema brasileiro, porém, estava muito carente nesse quesito, talvez até por questões orçamentárias (ou mesmo imaginativas). Até que ano passado o diretor e roteirista Claudio Torres, um dos cineastas mais ativos do cinema nacional contemporâneo, levou as telas "O HOMEM DO FUTURO", esse filme divertidíssimo que traz na história todos os clichês possíveis e imagináveis sobre o tema (com direito a várias falhas no roteiro, mas que são perfeitamente irrelevantes).

Zero (Wagner Moura, um monstro de interpretação!) é um professor de faculdade “looser”, como os americanos o chamariam, que trabalha num projeto de criação de uma nova fonte de energia.  Desgostoso da vida, e ameaçado de demissão, ele resolve apostar todas as fichas e testa a geringonça uma última vez. A primeira falha no roteiro vê-se ai (mas lembro que essa e outras falhas são perfeitamente irrelevantes), quando o cientista entra na máquina (a princípio sem o menor propósito, pois não há dentro dela qualquer comando) e se fecha lá. A segunda falha no roteiro é: se ele estava criando uma máquina para economizar energia, por que diabos gasta tanto dela para fazê-la funcionar, ocasionando um blecaute de proporções continentais!?  Bem, não levando isso em consideração, encontramos então o personagem de volta a 1991, exatamente no dia da festa na faculdade que o transformaria para todo o sempre no que ele é hoje.  Mais rápido do que Marty McFly em “De volta para o futuro” ele se acostuma com a idéia de estar preso no passado e parte para a festa, de modo a evitar que a humilhação pela qual passara pudesse acontecer e ele pudesse ficar com a garota de seus sonhos , Helena (a estonteantemente linda, porém desprovida de qualquer talento dramático, Aline Moraes). Tendo êxito em sua demanda, ele volta para o seu tempo, mas em outra realidade e percebe que as coisas não estão do jeito que ele pretendia e nada mais resta a ele do que retornar a 1991 novamente e consertar o estrago (vemos ai mais uma falha no roteiro, pois a personalidade de Zero muda novamente, quase como num passe de mágica).

Claudio Torres, que já flertara com a fantasia em “Redentor”, de 2004,  e “A mulher invisível”, de 2009,  apesar das pequenas (e novamente digo irrelevantes) falhas, sabe contar uma boa história. Sua direção é dinâmica e não há espaços para enrolação. Wagner Moura está solto e leva o filme nas costas. No embate entre os três Zeros podemos perceber a dinâmica desse grande ator que se houvesse justiça no mundo, teria sido indicado ao Oscar esse ano por conta do Cel. Nascimento de “Tropa de Elite 2”. A trilha sonora do filme é perfeita e nostálgica. Efeitos especiais comedidos e bem aplicados ajudam a linda fotografia. 

"O HOMEM DO FUTURO" é um filme pipoca nacional, sem cara de especial de final de ano! Que mais desses venham para alegrar nossos verões!

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