quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

1964 revisitado, requentado e recheado de clichês

A ferida de 20 anos de ditadura militar parece nunca querer cicatrizar. É praticamente o nosso Vietnã. Entra ano, sai ano, filmes, livros e até novelas e seriados na TV abordam o tema, revelando para o público os bastidores dos anos de chumbo, onde mocinhos e bandidos se confundiam no campo de batalha da política nacional (algo que se reflete até hoje, diga-se de passagem). Com Reis e Ratos, de Mauro Lima, pela primeira vez – pelo menos que eu me lembre – a ditadura, ou melhor, as vésperas da ditadura são contadas com humor e sarcasmo na telona, numa espécie de tentativa de reescrever a história, como Tarantino tão brilhantemente fez em "Bastardos Inglórios".



Numa tentativa de se criar um clima de cinema noir, Mauro Lima, usa e abusa da fotografia em preto e branco e lança mão de clichês pra lá de batidos nesse tipo de cinema. E isso não seria demérito, pois os clichês são sempre bem vindos quando sabiamente utilizados. Infelizmente aqui esses clichês prejudicaram o roteiro, que é um tanto quanto confuso com um flashback eterno e uma gama enorme de personagens secundários quase jogados a esmo.  Mas apesar do diretor, que também é roteirista,  pecar com o excesso de personagens e com o excesso de clichês, o elenco, que foi escolhido a dedo, carrega o filme nas costas: Senton Melo, fazendo o papel de Senton Melo mais uma vez, mas na pele de um agente da CIA residente no Rio de Janeiro, está impagável.  Otávio Müller, Cauã Reymond, Seu Jorge e Kiko Mascarenhas estão soltos e garantem boas risadas. Rafaela Madelli e Paula Bulamarqui garantem o colírio em nossos olhos. E Élcio Romar (dublador de Michael Douglas em “Tudo por uma Esmeralda” e outros) faz uma ponta como o presidente Jango. Mas o destaque mesmo vai para Rodrigo Santoro, quase irreconhecível pela maquiagem. Seu personagem é um dos mais iverossímeis, mas mais humano, e garante momentos inspirados na fita.

Reis e Ratos é  um filme razoável com excelente elenco e diálogos inspirados. Mas, como o personagem de Selton Melo diz sobre os americanos, é vítima dos próprios clichês. Uma pena: precisamos de mais filmes assim...

3 comentários:

  1. Poggi, dá um exemplo de clichê do filme aê, vai!

    ResponderExcluir
  2. Sem medo de lançar spoilers:
    o espião trapalhão, a mulher que trai mas ama o marido, o presidente bonachão, a atriz/prostituta que muda de lado...

    ResponderExcluir
  3. E o pior , com o cada vez mais unsuportável Selton Mello .
    Esse cara está em todos filmes nacionais ...

    ResponderExcluir

Ocorreu um erro neste gadget