quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O Primeiro Vingador domina a telona

Eu sou do tempo em que a idolatria por super-heróis ainda não era vista como americanismo exacerbado ou falta de patriotismo brasileiro, mas mesmo assim eu nunca fui muito fã de Capitão América (ou dos outros Vingadores, por assim se dizer). Talvez fosse já uma precoce crítica ao sistema imperialista do Tio Sam. Mas a bem da verdade, super heróis para mim eram aqueles da Sala de Justiça, os Super-amigos, bem representados por Super-homem, Mulher Maravilha, Batman, Lanterna Verde e Aquamen. Os heróis da Marvel para mim se limitavam aos desenhos “desanimados” e a série do Homem-Aranha, que passava nas tardes da Globo. Mas como HOMEM-DE-FERRO há 3 anos abriu meus olhos para o universo Marvel (antes dele O INCRÍVEL HULK, com Edward Norton, já havia me tentado), resolvi por meu lado nerd para funcionar e fui conferir um a um todos os filmes daqueles que formam a equipe da S.H.I.E.L.D.  E eu me diverti muito com o filme do primeiro Vingador!

Com o roteiro assinado por Christopher Markus e Stephan McFeely (que adaptaram para o cinema “As Crônicas de Nárnia”), o filme conta como Steve Rogers (Chris Evans), um franzino mas incrivelmente valente moleque do Brooklin nova-iorquino, aceita participar de um experimento das indústrias Stark para o exército estadunidense e se tornar um super-soldado, resolvendo em questão de minutos o que uma boa academia demoraria anos para fazer: moldar sua forma decadente em músculos definidos e torneados, que mexeram com a libido da ousada agente Peggy Carter (Heyley Atwell, aqui a cara de Anna Paquin, a Vampira de X-men). Infelizmente um espião infiltrado mata o cientista alemão/vira-casaca  Abraham Erskine (Stanley Tucci), responsável pela pesquisa e detentor da fórmula do super-soldado, fazendo com que o exército desista da experiência, restando então a Rogers vestir a ridícula fantasia do Capitão América (a mesma que conhecemos dos gibis) e participar de shows com crooners América afora para arrecadar fundos para o exército, o que garante uma seqüência muito bem humorada que reflete bem o que deve ter sido a propaganda americana para seus compatriotas durante a Segunda Guerra.  Apenas quando, após uma apresentação para as tropas americanas na Europa, reencontra Peggy e Howard Stark, é que Rogers tem a chance de enfim chutar-bundas ao descobrir que seu amigo de infância está entre os soltados capturados pelos alemães. Indo contra as ordens do Coronel Chester Phillips (Tommy Lee Jones, no automático), antigo responsável pelo projeto que mudou sua vida,  ele invade o quartel-general do inimigo e liberta todos, tornando-se então o xodó da América.

Com mais acertos do que erros, o diretor Joe Johsnton (de Jurassic Park 3, O Lobisomem e Jumanji) deu ao filme o ritmo acertado que faltou a Kenneth Brannag em seu nada poderoso THOR. Tanto as cenas de ação quanto as de alívio cômico são muito bem dirigidas e tudo se encaixa na narrativa. A exceção fica por conta da falta de sotaque ou mesmo do idioma alemão aos bandidos – no caso aqui representados não pelos nazistas, mas pelo grupo dissidente Hydra, chefiada pelo Johann Schmidt (Hugo Weaving, o agente Smith de Matrix), um obcecado pela mitologia nórdica que descobre nos confins da Noruega o cubo de Odin (não me lembro se houve alguma referência a ele em Thor), uma espécie de fonte de energia suprema que garante a Hydra armamentos como nunca se vira, principalmente durante a Segunda Guerra. Aliás, é muito interessante como a direção de arte no filme acertou em colocar toda a tecnologia da época, com mostradores analógicos e monitores de tubos catódicos monocromáticos, em contraste com as super-poderosas armas da Hydra. Os efeitos especiais estão muito bons e bem encaixados na narrativa, ou seja, estão ali para ajudar a contar a história e não para ludibriar o espectador pela falta dela. Atenção especial para o rosto de Evans, encaixado com perfeição no corpo franzino do dublê, a exemplo do que já vimos em “O curioso caso de Benjamin Button” e “A rede social”, ambos de David Fincher.

Com sequências que lembram muito o magnífico BASTARDOS INGLÓRIOS, de Tarantino, Capitão América não chega a ser um filme de guerra e seu vilão não chega nem aos pés do poliglota Coronel Hans Landa (Christopher Walts) em nível de sarcasmo e maldade. Muito menos Rogers chega a ser tão eficiente e safo como o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) em suas missões, mas certamente é um filme que agrada os fãs de gibis (desculpe, não consigo me acostumar com o termo HQ) e juntamente com Homem-de-Ferro preparou um bom terreno para o já aguardadíssimo filme dos Vingadores, no ano que vem.

3 comentários:

  1. Bela resenha, mas filmes assim não me agradam. Estou ansioso para assistir A Árvore da Vida que estreia amanhã. Este parece ser muito bom. Irá assistir também?
    Abraços!

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  2. Árvore da Vida está na minha lista de prioridades!!! Mas tenho medo de me decepcionar... Sabe como é: filme muito aguarddo, já foi até vaiado num festival, acho que em Cannes mesmo... Vamos ver. Sou fã do diretor!

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  3. Assisti A Árvore da Vida e achei GENIAL! Muito foda mesmo! Em breve resenha no meu blog! =)

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