terça-feira, 23 de agosto de 2011

A piada do Metrô-Rio (2)


Eu pensei  muito antes de começar a escrever esse post, que a princípio seria para esculachar a crescente falta de segurança nos trens e nas estações, principalmente no horário do rush, aliado a sempre falta de educação dos usuários, infelizmente aqui representados mais por aqueles que pegam o metrô sentido zona norte para saltar na central (linhas 1 e 2, digo, 1-A) ou seguir em frente para o subúrbio. Bairrismos a parte (eu moro na zona norte!), essa falta de educação quase deixou minha filha órfã de mãe na quinta-feira passada quando minha mulher foi empurrada pela massa de dentro para fora da composição na estação Uruguaina e caiu – sim, CAIU! – no vão entre o trem e a plataforma, sendo unicamente ajudada por populares solidários e educados, jamais por agentes de segurança do metrô.  Tirando escoriações nas pernas, nada de mais grave aconteceu, não obstante isso não signifique que deixaremos de entrar com uma ação contra esta malfadada empresa prestadora de serviços no estado.

O que na verdade eu quero falar nesse post vai muito além de um caso pessoal; vai de encontro a manobra política que está afundando de vez aquele que deveria ser o melhor meio de transporte da cidade – e que hoje passa longe disso.

Todos os cariocas que precisam utilizar o metro, seja diariamente para sua infelicidade ou esporadicamente, o que graças a Deus é o meu caso, sabem que o serviço só tem piorado, principalmente após a enfadonha e maléfica entrada da Linha 2 (digo, 1-A) nos trilhos da Linha 1 até Botafogo, para “evitar a humilhação da baldeação”, segundo propaganda de um deputado ai cujo nome infelizmente não me lembro mas que mostra como é possível ludibriar o cidadão mais incauto e humilde para angariar votos. Em qualquer cidade do mundo há baldeação entre as linhas do metroviário, ou quando uma delas precisa entrar nos trilhos da outra, como ocorre até em Nova York, dona de uma das malhas metroviárias mais antigas – e mesmo assim mais modernas – do mundo, a composição não para em todas as estações, seguindo viagem direto até aquela que lhe pertence. Mas os cariocas, sortudos, não mais precisam disso. Ou precisam?! Levando em consideração que a Linha 2 segue apenas até Botafogo – graças a Deus, na minha humilde opinião – esta se transformou na verdadeira estação final e de baldeação, sendo que estruturalmente não está preparada para isso.

Mas quanto a isso, acho que não há volta, não num futuro próximo, não enquanto a turma do Cabral, aqui mais representada pelo secretário de transporte Julio Lopes estiver no comando de toda essa maracutaia.

Lata de sardinha? Não. Metrô-Rio.

O caso mais grave a se falar então nessa pseudo-expansão do metro se deu nesse mês quando enfim a secretaria de transportes e sua empresa protegida, Metro-Rio, revelaram os projetos para a conclusão da Linha 4 até a estação Gal. Osório, em Ipanema. Todos que conhecem um mínimo do que é o projeto original do metrô sabem que a Linha 1 seguiria de  Ipanema até a Gávea, passando pelo Leblon, e indo, num mundo perfeito, seguir maciço da Tijuca adentro até a estação Uruguai, que já está sendo construída, com 31 anos de atraso, diga-se de passagem., fechando assim o arco metroviário dessa linha. A Linha 4 então viria da Barra, passaria pela Gávea, onde uma estação de 2 níveis deveria ser construída, nos moldes do que a estação Estácio (hoje sub-aproveitada) e seguiria para Botafogo, até o morro de São João (próximo a Urca), passando por Jardim Botânico e Humaitá. Um projeto alternativo até foi apresentado – e por mim apreciado – que faria o percurso daquela linha não até Botafogo, mas direto ao Centro (talvez na estação Carioca), passando por Jardim Botânico, Humaitá e Laranjeiras. Claro que tal projeto aparentemente sequer foi cogitado pelo consórcio e pelo (des)governo estadual.,

Estações gêmeas em Ipanema. Sumidouro de dinheiro público?

Pois bem, o plano atual – e não se fala mais nisso, pelo visto – é realmente ignorar uma estação de 2 níveis na Gávea e levar os trilhos da Linha 4 diretamente até Ipanema, transformando de vez o metro Rio no único do mundo que tem apenas, na prática, UMA linha, o LINHÃO DO METROZÃO DO CABRALZÃO. Só isso já seria motivo de piada no mundo dos transportes de massa, mas o (des)governo acaba de se superar e, talvez com medo da alcunha acima citada (o tal Linhão), resolveu que o ideal não seria os trens vindos da Barra entrarem nos trilho da Linha 1 que chegam já até Ipanema, e sim a construção de uma ESTAÇÃO PARALELA a já construída – e bem construída – estação Gal. Osório, como se essa agora fosse uma estação de 2 níveis. Na prática, o que vai acontecer é que o metro-Rio será o único do mundo onde passageiros de uma linha, que viajam num sentido, terão que fazer a tão “humilhante” baldeação para seguir sua viagem no mesmo sentido, a exemplo daqueles que já fazem isso na Linha 2/1-A.

Diga-me: faz sentido isso para você?!

O sorvedouro de dinheiro público gasto nessa obra é tão grande que chega a ser repugnante. Não é possível que tal fato não tenha sido levado em conta, se que é foi apresentado ao TCE (Tribunal de contas do estado) do Rio de Janeiro! Não é possível que investidores estrangeiros, de olho nos grandes eventos esportivos previstos para os próximos quatro anos, não tenham se dado conta desse absurdo e continuem enchendo o cofrinho da turma do Cabral de euros e dólares.

E nós nisso tudo? E o povo? Bem, se depender do mesmo povo mal educado e ignorante que eu citei no primeiro parágrafo desse imenso post, isso tudo fica assim. Afinal, o importante é ter a Copa e as Olimpíadas e poder ir de metro até a Barra, nem que para isso tenha-se que pegar o caminho mais longo. E mais oneroso para nossos bolsos.

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