sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Questão de prioridade numa cidade sem


Essa semana começou um uma notícia no mínimo preocupante para a cidade do Rio de Janeiro: o elevado do Joá, que liga os bairro de São Conrado à Barra da Tijuca, margeando o costão da Pedra da Gávea, e por isso mesmo uma via (já saturada) de suma importância para o fluxo do trânsito da cidade, segundo estudos da COPPE da UFRJ está seriamente danificado e pode ruir num futuro próximo. A orientação dos especialistas, para tanto, seria não uma reforma, mas a reconstrução quase total da via. Para a prefeitura, no entanto, embora tenha acatado o laudo da COPPE, não há a menor razão para que essa atitude drástica seja feita, principalmente por não haver dinheiro para tal.


O senhor prefeito Eduardo Paes, assessorado por seus secretários, acredita que uma reforma nos moldes da feita em 1988 será o suficiente para manter de pé o elevado (que foi inaugurado em 1973) e, de quebra, dará suporte para a duplicação da via para atender aos jogos Olímpicos de 2016. Ora, temos algumas incongruências ai: especialistas contratados pela prefeitura dizem que o colapso da via é iminente, embora não pudessem precisar uma data. A prefeitura, por sua vez, acata o relatório mas diz que não aceita sua conclusão, que é melhor gastar milhões de reais com manutenções anuais do que construir um novo elevado. Tal decisão seria por motivos financeiros; a prefeitura alega que não tem dinheiro para uma obra que garantiria a segurança da população que trafega diariamente por ali, mas tem dinheiro para implodir um outro elevado, o da Perimetral, e construir ali novas vias subterrâneas, uma obra meramente estética, sem qualquer necessidade real. Uma mera questão de prioridade, não é mesmo? 


Além disso temos o projeto da duplicação da via, o que melhoraria o fluxo ali. Mas eu gostaria de entender como o fluxo da via poderia ser melhorado já que em ambos sentidos (São Conrado - Barra e vice-versa) não somente há um túnel (com apenas duas faixas cada um) como também esses desembocam em vias da auto-estrada Lagoa-Barra que NÃO SOFRERÃO ALTERAÇÕES, ou seja, um afunilamento será inevitável, o que fará com o que o trânsito, se não piore, ainda continue caótico, principalmente nas horas de pico. Isso, claro, acontece apenas numa cidade que NUNCA teve um planejamento, muito menos execução, de um transporte público de massa de qualidade. O metrô (também saturado) demorou mais de 30 anos para chegar a Barra (obra ainda inacabada com um trajeto hoje no mínimo burro, que foge do original) e não há quaisquer outras rotas de escape para desafogar o trânsito que se complicaria no caso de uma eventual demolição e reconstrução do elevado.

Resta a nós cariocas, principalmente os que usam diariamente o elevado, rezar para que os engenheiros responsáveis pelo estudo tenham exagerado em suas conclusões. Aliás, resta ao senhor Eduardo Paes rezar por isso; caso contrário, uma tragédia de proporções hollywoodianas (sem exageros) vai cair em seu colo e vai ser muito difícil explicar ao mundo, às vésperas dos grandes eventos esportivos, o que aconteceu.

Oremos.

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