segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Nada contagiante

Em 1995 o mundo viu na tela de cinema um thriller pipoca como só Hollywood poderia fazer: Epidemia. O tema, mais atual impossível: uma epidemia de uma variante do vírus ebola, que estava em voga nas manchetes daquele ano. O elenco estelar tinha com protagonistas Dustin Hoffman, Henne Russo e Morgan Freeman, além de nomes como Kevin Spacey, Cuba Gooding Jr. e Donald Sutherland, o grande vilão, o general genocida, patriota e militar até o último fio da cabelera branca. Se não podemos falar maravilhas do roteiro, totalmente previsível, pelo menos podemos realçar a excelente direção do alemão Wolfgang Petersen,  que tem no currículo filmaços como Na Linha de Fogo (1993), Força Aérea 1 (1997),  Inimigo Meu (1985) e Das Boot (1981). Petersen garantiu ao filme um ritmo impagável que culminou num clímax bem hollywoodiano, mas totalmente aceitável. Era o que a época pedia, talvez. Já seu colega Steven Soderbergh optou por um tom bem mais dramático e burocrático, quase documental, em Contágio.

Igualmente recheado de estrelas no elenco e igualmente aproveitando a premissa de um vírus se espalhando pelo mundo (no caso aqui, o H1N1, responsável pela gripe aviária), o filme já inicia com a morte de uma beldade (Gwyneth Paltrow) e seu filho de 6 anos, deixando o marido corno (Matt Damon) mais que desnorteado. Acompanhamos então a luta das autoridades globais na área de saúde para descobrir a origem do vírus e sua cura, enquanto vemos o circo pegar fogo, com a população fomentada pelos boatos e por verdades espalhadas on line (universo aqui representado pelo blogueiro “conspirador” interpretado por Jude Law, em sequências que lembram muito o JFK  de Oliver Stone). Esqueça sequências de perseguição, mortes horrorosas, tensão e suspense; Soderbergh joga tudo mastigadinho na tela, seguindo o que parece ser uma receita de bolo do roteiro de Scott Z. Burns. Daí a burocracia citada por mim ali em cima. 

Não que o filme seja chato, mas o excesso de estrelas e histórias paralelas que, ao contrário do excelente TRAFFIC (2000), permanecem paralelas, deixa muito a desejar. O próprio personagem de Damon não deslancha, não diz ao que veio, tornando todas as suas cenas totalmente dispensáveis – o que poderia ter sido uma boa economia para o orçamento da fita. Talvez se diretor e roteirista tivessem se concentrado mais na tensão e no suspense e menos no lado científico e documental, o filme pudesse empolgar mais. Não deu.


Confira o trailler:

2 comentários:

  1. Filme fraco, muito fraco.

    Mas bom texto Poggi. Parabéns!

    Abraços e feliz ano novo pra ti! Que seja recheado de sucesso e novas realizações!

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  2. Numa palavra só: burocrático. Não esperava pirotecnia, mas o filme é bem morno e olha que gosto deste tipo de filme.

    Vi Epidemia no cinema há trocentos anos. Aliás como curiosidade, o hoje galã Patrick Dempsey fez uma ponta nesse filme como o primeiro infectado, que morre logo no início. Época de vacas magras para ele...

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