sexta-feira, 20 de maio de 2011

Vizinhos - e irmãos - não se escolhe

O cinema argentino, venho batendo nessa tecla há tempos, está dando um banho no cinema brazuca, seja em termos técnicos, seja em termos artísticos,  onde podemos citar direção, atuação e roteiro, vide o oscarizado O SEGREDO DE SEUS OLHOS, de 2009. O filme dirigido pelos hermanos Mariano Cohn e Gastón Duprat e escrito por Andrés Duprat, e que assisti no Festival do Rio ano passado,  é mais um exemplo da excelência que está faltando em muitas de nossas produções, infelizmente.

Na fita, Leonardo (Rafael Spregelburd) é um famoso designer que vive na única casa projetada por Le Corbusier na América Latina, e por isso sofre intermitentemente com visitas de turistas e curiosos que sempre querem tirar uma foto de sua residência ou mesmo vê-la por dentro. Esse é o menor dos problemas de Leonardo, que mora com sua esposa e sua filha adolescente e trabalha em casa. Uma bela manhã ele é acordado por marretadas na parede do vizinho, que quer a todo custo abrir uma nova janela em casa para poder aproveitar mais a luz do sol. Até aí nenhum problema, a não ser que a nova janela tornaria o interior da casa de Leonardo totalmente exposta para esse vizinho, que pode ser qualquer um (ladrão, maníaco, traficante?). A partir daí uma simples pendenga entre vizinhos é transformada num emaranhado de situações tragicômicas muito bem exploradas pelo roteiro.

O Homem ao lado não faz necessariamente referência a Victor  (Daniel Araóz, em soberba atuação), o vizinho “entrão”, que de tão chato se torna gente-boa; não há como não simpatizar com ele, com sua simplicidade, seu carisma. Tampouco faz referência a Leonardo, que começa a sentir a invasão do seu espaço crescer e atrapalhar tanto sua vida profissional quanto pessoal. Quem é o protagonista? Quem é o antagonista? Para quem virá a rendição? O final não deixa isso em aberto, tampouco deixa claro. E é aí que a maestria do roteiro e da direção merece levar nota máxima. É daí que nosso cinema poderia aprender e passar a fazer comédias inteligentes, ao invés de baboseiras populescas sem conteúdo.

Se você quer passar longe de blockbusters caça-níqueis como Piratas do Caribe 4, vá prestigiar o cinema argentino sem medo. E atente-se a receita de javali em conserva dada nos créditos por Victor!


Fique com o trailer:


2 comentários:

  1. Poggi, em defesa do cinema brasileiro, só posso recomendar a leitura deste post: http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post.aspx?id=c3f3fa5b-21e4-4369-aa71-a7fe7ec519e4

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  2. Carol, eu sou um dos maiores entusiastas do cinema nacional. Já havia lido esse posto do Pablo. Mas não há como negar que o cinema portenho esteja dando banho no nosso...

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