quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO EM NOITE SEM LUA


 Quando soube da primeira vez que um filme chamado CISNE  NEGRO estaria sendo produzido logo pensei: mais um filme sobre uma HQ da qual nunca ouvi falar.  Mas ai eu soube que a direção era de Darren Aronofsky e logo tive certeza: esse filme vai ser fodástico (com o perdão da palavra). Os prêmios mundo afora que a fita esta ganhando, sem contar as críticas mais que positivas só corroboraram com minha certeza e me levaram  ao cinema para conferir essa nova obra de arte de um dos diretores mais fantásticos do cinema mundial atualmente.

Se você não ligou o nome a pessoa, Darren Aronoksy dirigiu Pi (1998), Réquiem para um sonho (2000), Fonte da Vida (2006), O lutador (2008) e está a frente de The Wolverine, que deve estreiar ano que vem. Ou seja, em pouco mais de 10 anos ele simplesmente dirigiu 5 maravilhosos filmes (além de ter sido produtor de O VENDECEDOR, que concorre a vários Oscar esse ano). Não é pouca coisa, não é mesmo? Diga ai o nome de mais um diretor que em pouco tempo tenha sido igualmente criativo e eficaz em sua breve filmografia. Difícil.
Mas esse não é um post sobre Aronofsky e sim sobre CISNE NEGRO, por isso não entrarei em mais detalhes sobre o diretor, a não ser para falar que percebemos claramente sua assinatura no decorrer da obra, mesmo que ele tenha lançado mãos de novos, mesmo que sutis,  elementos na direção, como se quisesse se reinventar, ou melhor, se aprimorar, sempre. Palmas eternas para ele.  Se você quiser saber um pouco mais sobre Darren, recomendo ouvir o RAPADURACAST 221, do site Cinema com Rapadura. 

Bem, CISNE NEGRO é um filme denso, tenso e angustiante, onde acompanhamos as auguras da bailarina Nina Sayers (Natalie Portman, perfeita!) para conseguir interpretar os papéis principais no balé O LAGO DOS CISNES, de Tchaikovsky. Atormentada pela mãe (a igualmente perfeita Barbara Hershey), uma bailarina frustrada que cria a já adulta filha como uma criança de 5 anos, e pela serelepe  colega de elenco Mila Kunis (que deixou para sempre de lado a chata  Jackie de That ‘70s show),  Nina é sufocada por ela mesma, numa paranóia crescente de perfeição e auto-piedade que dá vontade de esbofetea-la! As cenas em que é humilhada pelo severo diretor (Vincent Casel, sempre ótimo) são extremamente angustiantes. O que poderia ser um dramazinho sobre o mundo do balé profissional nas mãos de Aranofky tornou-se um filme soberbo,  um thriller de terror psicológico, apoiado no ótimo roteiro de Mark Heyman (O Lutador), Andres Heinz e John J. McLaughlin, na fotografia angustiante e claustrofóbica de Matthew Libatique e na envolvente e igualmente angustiante música de Clint Mansell, que já trabalhara com o direitor em Fonte da Vida, Réquiem Para Um Sonho e O Lutador

Se antes eu não sabia para quem torcer para melhor atriz, Natalie Portman já tem meu voto. Acho muito estranho que o roteiro não esteja concorrendo a melhor roteiro adaptado, visto que se baseou claramente no balé O LAGO DOS CISNES. A fotografia merecia ser laureada com o Oscar também, assim como a trilha sonora. Mas o Oscar de edição TEM QUE VIR para Andrew Weisblum. Se o CISNE NEGRO sair da premiação sem um único trofeuzinho será uma das maiores injustiças já cometidas pela Academia.

E se você fez um download ilegal do filme e não o viu no cinema, por melhor que seja  a qualidade dele e por melhor que seja o seu home theater (se é que você tem um), só posso dizer uma coisa:  lamento muito; você perdeu uma incrível experiência áudio-visual.

Confira o trailler em HD:



Um comentário:

  1. Muito bom filme!! Mais uma vez a Natalie mostrando que é uma puta(sem trocadilhos) atriz. Esse filme particularmente me lembrou muito o Réquiem para um sonho, claro que não por qualquer semelhança com o roteiro, mas sim pela angústia que você passa ao longo do filme. O melhor que eu vi no ano(Ainda não vi O Vencedor, 127 horas e O discurso do rei, que são os únicos, ao meu ver, com alguma chance de ultrapassar o Cisne Negro).

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