quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Outono brasileiro (o gigante acordou!)



Sim, o titulo desse post é uma clara referência ao movimento que ficou conhecido como "A Primavera Árabe", movimento este que nos países do oriente médio chegou a derrubar governos. Aqui, infelizmente, não acredito que cheguemos  tanto, mas que certamente já serve para abalar um tiquinho que seja a confiança dos que estão no comando. 

O povo brasileiro sempre foi conhecido por sua inércia mediante os abusos políticos cometidos no decorrer de cinco séculos de história. Somos um povo pacífico, dizem. Até demais. Salvo alguns momentos como a Revolta da Vacina no início do século XX, a luta contra a ditadura militar nos anos 1960 e 1970, as manifestações pelas diretas, em 1984 e o impeachment do presidente Collor, em 1992, culturalmente nós tentemos a aceitar as coisas passivamente. Afinal, tem carnaval todo ano e o campeonato brasileiro de futebol está aí desde a década de 1970! Fora a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos! Pão e Circo (ok, mais circo do que pão) garantidos para apaziguar os ânimos, principalmente da grande maioria (propositada mete?) mal educada e mal informada.

Mas parece que não é mais o bastante! E já não era sem tempo!

As manifestações que se formaram nas redes sociais e saíram para as ruas em muitas capitais e outras cidades começaram com o aumento das passagens de ônibus (e metrôs, trens e barcas também), algo que a mídia logo tentou diminuir (afinal, são "apenas 20 centavos"!). Mas logo palavras de ordem contra os gastos excessivos com a Copa, principalmente com estádios, alguns dos quais já ano que vem serão verdadeiros elefantes brancos na sala, contra a corrupção crescente a olhos vistos, contra os altos impostos que não retornam em benefício a população foram se espalhando e a insatisfação geral e generalizada tornaram-se hinos nas passeatas que estão reunindo milhares, até mesmo fora do país!



Curiosamente, a imprensa em geral só começou a dar ouvidos e a divulgar com esmero as manifestações quando a truculência policial, que responde a ordem dos governantes, tomou conta das ruas, feriando gravemente até jornalistas e outros inocentes. Foi a gota d'água realmente para inflar mais ainda as manifestações e, infelizmente, inflamar o ódio de pequenos grupos dentre os milhares, grupos esses que, com infiltrados ou não (teoria da conspiração a toda!), aproveitaram para transformar as passeatas pacíficas em praças de guerra, com atos de vandalismos despropositados. Depredações contra o patrimônio público e privado passaram a ser vistos mundo a fora através da imprensa internacional e por pouco não desmoralizam todo o movimento. Esses babacas (com o perdão da palavra) não entendem que a ocupação do teto da Câmera dos Deputados e do Senado na segunda-feira foi um ato muito mais significativo e intenso do que tacar fogo em carros, em vans da imprensa, linchar policiais (que mal ou bem apenas obedecem ordens), pichar paredes históricas e destruir monumentos tombados.

O mais importante disso tudo, porém, é que o movimento não perca a força. Que a decisão de algumas prefeituras em já rever o aumento das passagens, embora seja uma resposta clara às manifestações, não enfraqueça a luta. É preciso levar a mensagem CLARA ao povão, que não entende porque os jovens (e nem tão jovens) estão indo as ruas, "atrapalhar sua volta para casa", já que ainda não é carnaval nem o país foi campeão na Copa. É preciso reivindicar sempre e não descansar até que o governo realmente trema nas bases e entenda de vez que ele está ali para nos atender, e não o contrário. Caso contrário, o circo da Copa  do Mundo no ano que vem tomará de vez de assalto o povo - em ano eleitoral, como sempre - e fará cumprir a máxima de que o brasileiro não tem memória, se esquecendo do quão importante está sendo esse final de outono brasileiro.

#vemprarua 

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