domingo, 9 de junho de 2013

O início de tudo

Em maio de 1983, mais precisamente dia 25, chegou aos cinemas dos EUA o terceiro e último filme da trilogia original de GUERRA NAS ESTRELAS ("Star Wars" é para os fracos!): O RETORNO DE JEDI, que só seria lançado em terras brasilis em outubro do mesmo ano (um intervalo inimaginável para os dias de hoje, onde a internet compete deliberadamente com o cinema). Mas você deve estar pensando que estou maluco e no mínimo sendo incongruente: se esse é o terceiro filme da franquia, ou melhor, trilogia, porque o título do post é "o início de tudo". Pois eu explico:

Em 1983 eu tinha sete anos de idade (faria oito em dezembro daquele ano) e não fazia a menor idéia do que era GUERRA NAS ESTRELAS. Minha experiência cinematográfica havia começado praticamente no ano anterior, quando fui assistir a E.T. - o Extra Terrestre (1982) no dia de seu lançamento, 25/12, no falecido e magnânimo cinema Riam, na praia de Copacabana. Antes disso, alguns desenhos animados (relançamentos de clássicos da Disney como Pinocchio e Bambi) foram motivo para meus pais me levarem ao cinema, mas nada que pudesse formar uma cultura cinematográfica por assim se dizer. Mas quando meu pai pegou a mim e meus irmãos e nos levou para o Roxy, em Copacabana também, assistir a esse flme que, segundo ele, seria a conclusão de uma história bem bacana, recheada de fantasia e ficção científica (esta uma paixão de meu pai), tudo mudou.

Naquela época as pessoas podiam comprar o ingresso para uma sessão e, se quisessem, esperar dentro da sala para que a sessão anterior terminasse (spoiler free na veia) de modo a garantir logo um bom lugar na sua vez. Lembro-me como se fosse ontem ter entrado na sala de projeção e ter dado de cara com o duelo de sabres-de-luz de Darth Vader e Luke Skywalker na Estrela da Morte e fiquei imediatamente paralisado até a explosão daquela "magnitude" (nas palavras do Almirante Akbar). Acompanhei todo o final do filme em pé, com meus irmãos e meu pai, lá no fundo da sala e assim que as luzes se acenderam, corremos para o meio da sala para sentarmos nos melhores lugares. Ansiava por ver todo aquele filme desde o começo enquanto meu pai tentava nos explicar quem eram os personagens e o que era aquela inacabada fortaleza em forma de bola que fora explodida no final.

Não vou ficar narrando aqui toda a experiência de ter assistido a O RETORNO DE JEDI no cinema aquela noite, mas posso afirmar que fui com meu pais outras cinco vezes assistir o filme (naquele época fazia-se muito isso, já que a impossibilidade de se ter o filme em casa - uma facilidade hoje - era uma verdade, assim como era longa a janela de exibição do filme na TV, algo que foi ocorrer somente em 1988!).  Mas assim como eu, uma geração inteira de pessoas que hoje têm em torno de 35 anos foi contaminada por esse "virus" chamado GUERRA NAS ESTRELAS, que só foi possível por conta de um filme dito infantil pelos fãs mais antigos (aqueles que já haviam assistido seis anos anos o primeiro da trilogia e se explodido suas cabeças ao assistir o sombrio e revelador O IMPÉRIO CONTRA-ATACA, em 1980). Sim, o filme é até infatnil, principalmente se comparado ao anterior, mas George Lucas não dá ponto-sem-nó e sabia que o futuro de seu império estava em jogo caso não fizesse esse universo criado por ele expandir-se além das salas de cinema. Então produtos foram lançados, principalmente brinquedos, fazendo a alegria da garotada mundo-a-fora (menos no Brasil, onde tínhamos que nos contentar com imitações baratas feitas de chumbo e vendidas a peso de ouro quase que clandestinamente). Álbuns de figurinhas foram lançados, roupas de banho e cama, canecas, vestuário, enfim, toda uma uma gama de produtos que só fizeram crescer a paixão da molecada por esse universo - e de quebra o bolso do tio Lucas em alguns milhões de dólares.

Portanto, foi O RETORNO DE JEDI, posso dizer com certeza, o grande responsável por toda a cultura nerd em torno desse universo. Foi ele quem despertou a paixão da molecada por GUERRA NAS ESTRELAS. E só temos a agradecer a George Lucas pela grande sacada de marketing que teve ao fazer um filme mais infantil, mas nem por isso menor (ok, só um pouquinho) do que os outros e mesmo assim com um final épico e merecedor de elogios.


Paixão colecionável. Bonecos de O RETORNO DE JEDI.

2 comentários:

  1. Interessante esse comentário a favor de "um filme mais infantil, mas nem por isso menor..."!! Mas não percebi essa mesma lógica ao tratar do primeiro filme da trilogia O Hobbbit!

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    1. O caso de O HOBBIT foi o contrário de O RETORNO DE JEDI. Veja, O HOBBIT, como escrevi na minha "crítica", é um filme infantil - como o livro que o originou - que não se assumi infantil, que não se vendeu como tal, e por isso causou frustração, tanto em mim quanto em muitas outras pessoas, fãs da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS.

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