quinta-feira, 7 de março de 2013

Carnívoro não, onívoro, por favor!


De algumas semanas para cá, sempre que há uma oportunidade, me vejo dentro de uma (inútil) discussão (com tons de agressão algumas vezes!) sobre nossos hábitos alimentares. De um lado os árduos defensores da dieta carnívora; do outro, os (muitas vezes chatos) vegetarianos, pregando as vantagens de sua dieta cuja fonte de proteína é um grão.

De que lado me incluo nessa discussão? Bem, eu poderia optar pelo lado mais apelativo, aquele com que me identifico mais, que é o team meat, ou seja, os carnívoros. Afinal, sou fã de um bom churrasco, adoro uma costelinha de porco ao barbecue, como presunto e salaminho como se não houvesse amanhã (mentira, como moderadamente, até mesmo porque são iguarias meio carinhas hoje em dia) e não dispenso um bom cheeseburguer. Por outro lado, gosto de manter uma alimentação balanceada, como muitas frutas, legumes e verduras, já experimentei arroz integral (e não gostei), como carne branca de vez em quando (adoro peixe) e sou capaz de almoçar uma bela salada, numa boa, com direito a queijo cotage e ovo de codorna, mas nunca, jamais, tocaria num bife de soja (afinal, soja não pasta nem muge, portanto não pode ter carne). Ah, sem falar nas massas: como bom descendente de italiano, não dispenso uma buona pizza! No final das contas, acho que sou um bom ser-humano; sou onívoro.

Nossa espécie se alimentava de folhas, frutas e pequenos insetos enquanto ainda habitava o alto das árvores, há milhares de anos. Quando o hominídeo daquela época resolveu descer dos galhos e correr pela savana da mãe África, começou a procurar outros tipos de alimentos, como roedores e aves. Alimentando-se de proteína animal e sugando o tutano dos ossos de suas caças, desenvolveu o cérebro e a musculatura, possibilitando evoluir, crescer, caçar animais maiores, dominar o fogo, descobrir a agricultura, assentar em um lugar e a domesticar animais, que não mais precisava caçar. Essa, bem resumidamente, é a história de como passamos de meros descendentes de primatas a espécie dominante do planeta, estando no topo da cadeia alimentar. Com a agricultura e a pecuária estabelecemos o nosso hábito alimentar onívoro, ou seja, comemos de tudo e está tudo bem.

Vai um churrasquinho ai?

Mas quando afinal comer carne se tornou um crime hediondo?

Vegetarianos existem há milhares de anos, claro. Tradicionalmente, o vegetarianismo chegou ao ocidente vindo da Índia (de onde mais?), onde as vacas são consideradas sagradas (vejam só!). O filósofo e pensador grego Pitágoras teria sido o pai do vegetarianismo no ocidente. Segundo sua teoria de transmutação da alma, o consumo de carne deveria ser abominado porque equivaleria ao canibalismo, já que até os animais têm alma e a mesma é passada a quem come. Ora bolas... Durante a Idade Média o vegetarianismo foi extremamente comum entre inúmeras ordens religiosas. No entanto, não era incentivado por respeito aos animais mas principalmente como uma forma de controlar os desejos corporais (vixi!). Nessa época, a bem da verdade, carne era um artigo de luxo mais do que hoje e a grande maioria da população tinha como dieta básica os graõs. Então, os mais afoitos defensores do vegan way of life poderiam dizer que naquela época a maioria das pessoas era mais inteligente porque era vegetariana (sim, eu já ouvi isso...). Faça-me o favor!  Durante o Renascimento e o Iluminismo, nos séculos XVI e XVIII, pensadores começaram a divagar sobre os direitos dos animais (justo) e tentaram difundir os ideais vegetarianos, porém não alcançando muito longe.  Nos séculos XIX e XX, no entanto, o movimento tomou mais força e surgiram as primeiras associações vegetarianas na Europa e na América. E mais do que nunca os "comedores de carne" passaram a ser visto como "assassinos", "deploráveis" e "doentes". Como se a gente se importasse com isso...

O fato é que o ser-humano, como eu já disse mais acima, é um ser onívoro, que pode comer de tudo, e teve na dieta proteica advinda da carne animal a sua fonte primordial para evolução. Isso é científico e vegetariano nenhum no mundo vai conseguir nos tirar isso. Além disso, é bom lembrar que de um animal, podemos extrair muito mais que sua carne: consumimos seu couro, seus ossos e até seu sangue. 

Os mais árduos e defensores de nossos inocentes amigos fofinhos, peludinhos ou penosos, bradam aos quatro ventos a crueldade com que esses animais são criados, desde o nascimento até o abatedouro.  E não medem palavras para acusar aqueles ignorantes que, ao contrário deles, ainda não abriram os olhos para a cruel verdade. Chegam a divulgar vídeos na internet (um deles imensamente tendencioso, apresentado pelo vegan mor, o ex-Beatle Paul Macartney) mostrando uma crueldade sem tamanho no trato dos animais dentro do abatedouro. Ora bolas, como se todos os abatedouros do mundo fossem um galpão escuro no fundo do quintal, onde discípulos de Fred Krueger treinam suas maldades. Claro que isso não é verdade. E claro que sim, infelizmente, ainda existem lugares que abatem os animais sem a menor humanidade, mas isso não pode nem deve ser generalizado.  Mas sabe o que é mais estranho disso tudo? É que em nenhum desses vídeos, em nenhum post no Facebook, Orkut e afins falam sobre os nossos amigos escamosos dos rios e mares. Ora, pescar não é cruel? Comer peixe é menos cruel do que comer um galeto?

Peixe pode matar, né?

Confesso que pensar nisso incomoda. Mas enquanto não criarem uma árvore que dê picanha e grumete, infelizmente os abatedouros serão a nossa fonte de comida. Cabe aos governos de todo o mundo fiscalizarem tais abatedores para que crueldades não se propaguem.  


Outra vertente dos vegetarianos, ou dessa vez também chamados de ecochatos, bradam que a criação bovina e caprina é um dos grandes responsáveis pelo efeito estufa. Ou seja, o arroto e o peido dos bois e das cabras causam tanto mal quanto as chaminés das fábricas e o cano de descarga dos carros. Ora, no mundo existem muito mais pessoas do que bois e cabras, e todas elas peidam diariamente. Eu entre elas, e você também, não se acanhe! Nossa flatulência é menos maléfica ao meio-ambiente do que a dos bois e cabras, que só pastam? Fala sério. Além disso, o fato de se cortar definitivamente a carne de nossa dieta não vai automaticamente diminuir o rebanho no mundo. Bois e vacas, bodes e cabras, vão continuar por ai, comendo e trepando se reproduzindo.

Outros menos afoitos apenas dizem que o consumo de carne é maléfico a saúde e devemos troca-la pela proteína vegetal. Até aí tudo bem, mas sem exageros. Afinal, tudo em excesso faz mal. Até água. Comer com moderação é apenas uma das chaves para a porta que leva a uma vida longa e saudável. Que me diga minha saudosa avó, que morreu aos 100 anos comendo de tudo, mas com moderação.
Alimentação saudável, o ideal.

Essa discussão parece não ter fim, é como discutir religião. Todas elas, sem exceção, têm seu valor, e cada um decide qual seguir. Nenhuma é melhor do que a outra. A mínima tentativa de impor a sua religião a outrem é uma afronta ao direito individual que cada um de nós tem de crer - ou não - em algo.

A verdade é que ninguém tem nada a ver com os hábitos alimentares de ninguém. Quer ser vegetariano? Seja! Quer comer churrasco todos os dias? Coma! Quer viver de luz, tentando fazer fotossíntese? Faça! Mas não tente impor os seus hábitos a outrem, principalmente como se fosse o mais ideal. Isso vale para todos.




8 comentários:

  1. Poggi, você está oferecendo argumentos que além de pouco originais, também são circulares e contraditórios.
    Isso aqui é o máximo de evolução em criação de animais para o abate: http://player.vimeo.com/video/57126054
    Se parece bom pra vc, pq não é um fundo de quintal sujo do Fred Krueger, ok. Pra mim é tortura pura e simples, que ocorre durante TODA A DURAÇÃO DA VIDA destes animais, não só na hora do abate.
    Seria mais honesto nós carnívoros admitirmos que o que fazemos aos animais é horrível, mas não vamos abrir mão da carne, pq somos egoístas a este ponto. Essa é a verdade que ninguém quer admitir.
    Outra coisa: nunca vejo vegetariano pegando no pé de ninguém no dia a dia, até pq eles são minoria. O que eu vejo é o oposto: carnívoros pegando bastante no pé deles. Não vem com esse mimimi sobre opressão das minorias, que é conversa de privilegiado querendo manter seus privilégios sem ser incomodado. Os movimentos organizados sim, combatem o consumo de carne, e estão no seu papel.

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    1. Carol, para quem acusa outro de estar sendo apenas repetitivo (argumentos pouco originais) você rebate com mais falta de originalidade ainda ("conversa de privilegiado querendo manter seus privilégios sem ser incomodado").

      OK, somos carnívoros egoístas. É a vida.

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  2. 1) Comer carne todo dia é luxùria.
    2) Ecochatos são muuuiiiito chatos!
    3) Matar por matar, também tiramos a vida das plantas que consumimos!

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    1. 1) Sério? Luxúria? BDSM é pouco pra você, pelo jeito. Ou você tem uma tara muito sinistra por canibalismo ou zoofilia ou é só carência de um dicionário mesmo.
      2) Ecochatos é um termo cunhado por pessoas alienadas com uma vaga inclinação por manter o status quo. Ainda bem que o mundo muda e leva essas pobres almas a reboque, que se dependesse delas estávamos todos na merda da idade média ainda.
      3) Uau! Sempre me espanto com essa. Alguém falou que nunca se deve tirar uma vida? Eu responderia que quanto mais complexo o sistema nervoso da vítima, mais cruel é matá-la, pois maior a intensidade do sofrimento, mas nem vou me dar ao trabalho, né?

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    2. Carol, ausência de sistema nervoso não quer dizer ausência de vida. Foi isso que ele quis dizer.

      Mas, de novo: e os peixes? Eles têm um sistema nervoso bem desenvolvido mas não vejo eco-chatos ou vegetarianos defendendo-os!

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  3. Todos os cientistas parecem aceitar que foi depois de comer carne que desenvolvemos intensamente nosso cérebro. Porém o crocodilo come carne há 200 milhões de anos e não se tornou sequer um dos animais mais inteligentes. Parece-me que há muitos outros fatores em jogo. É triste que tanto onívoros, como vegetarianos não cedam um milímetro sequer em seu ponto de vista. Parece que ambos não querem aceitar o que é fato comprovado. Ainda há de nascer quem consiga comprovar qual desses dois meios de alimentação é mais saudável.

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    1. É óbvio que a evolução humana se deu por diversos fatores, não somente o consumo de proteína animal. Não sejamos hipócritas. Agora, comparar o cérebro do homem ao do crocodilo, que é do tamanho de um amendoim, não rola, né?

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  4. Depois os ecochatos e vegetarianos são minoria? Me poupe! Basta um ecochato vegetariano com acesso a internet e pronto, a vida de todo mundo vira um inferno! Eu concordo com todos os pontos levantados pelo Rafael Poggi, pq eu sou onívora, como de tudo e vou continuar assim pq é bom para meu organismo. Se eu estiver sendo egoísta, lhufas! Ao menos não sou modinha. Por educação, quando convido uma pessoa para comer pela primeira vez na minha casa, eu pergunto se a pessoa é vegetariana e em caso positivo, preparo uma salada e algum refogado de legumes para a pessoa. Se ela vai ter engulhos por que eu estou comendo carne, azar o dela.

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