sexta-feira, 6 de julho de 2012

Senhora Princesinha


Hoje o bairro mais famoso do mundo - ouso dizer - completa 120 anos! Antes da abertura do túnel velho, em 1892, Copacabana era um areal encravado entre a enseada e as montanhas e seu acesso era muito difícil, mais ou menos como hoje é a praia do Abricó, na zona oeste do Rio de Janeiro. Aliás, a história se repete agora para a região de Guaratiba, que acaba de receber o ponta-pé inicial para início de sua urbanização ferrenha com a abertura do túnel da Grota Funda.

Voltando a Princesinha do Mar, eterninazada na música do saudoso maestro Tom Jobin (e em versos de tantos outros), fica aqui a reflexão de como os anos não lhe fizeram bem. Outrora refúgio do "caos urbano" que era o centro do Rio de Janeiro do final do século XIX e início do XX, hoje ela representa, na minha humilde opinião, tudo de ruim que o crescimento desenfreado e desorganizado de uma cidade pode ter: ocupação desordenada, favelização, prédios e mais prédios (a maioria, perdoem-me seus habitantes, horrorosos e clássicos exemplos da terrível arquitetura dos anos 1950), trânsito caótico, prostituição e delinquência. Há, claro, ainda algumas ilhas de tranquilidade em meio a esse caos, como o Bairro Peixoto, encravado no coração de Copacabana, que me é muito especial. Mas no geral, Copacabana é a síntese da música "Rio 40 graus", de Fernanda Abreu: "purgatório da beleza e do caos".

Um paraíso ainda em expansão.

Claro, não posso ficar apenas exaltando tudo de ruim que Copacabana tem. Seria de muito mal gosto. De bom, posso apontar a lindíssima orla, com seu calçadão tombado, os fortes do Leme e de Copacabana, o mundialmente famoso hotel Copacabana Palace, o já citado Bairro Peixoto, o cinema Roxy (que mesmo dividido em 3 continua com seu charme), e... e só. Infelizmente. A impressão que dá, pelo menos para mim, é que se uma vez o bairro foi a menina dos olhos do Rio, hoje esses olhos estão sofrendo com uma catarata difícil de ser curada. Ok, a analogia pode ter sido péssima e talvez desnecessária, mas seria muito bom que o caos da Copacabana do início do século XXI desse lugar a tranquilidade de 100 anos atrás, com seus casarões e sobrados e tendo apenas  imponente e majestoso Copa (o hotel) destacando-se na paisagem. 

O Copa. Sem mais...


Como isso é impossível, que pelo menos nos próximos 120 anos a Princesinha tenha tratamento Rainha e receba um banho de loja, com pelo menos mais uma linha de metrô (a larga avenida Nossa Senhora de Copacabana está ai para ceder seu leito), indo até o Leme, a Urca e seguindo para o Centro, de modo a desafogar o trânsito nas ruas e o caos da Linha 1. Que as casas centenárias que sobraram não mofem e venham a cair, que sejam preservadas como peças de um museu a céu aberto. Que as favelas que enfeiam seus morros possam ser contidas ou mesmo - Deus seria louvado! - removidas, de modo que o verde voltasse a predominar suas encostas. E por ai vai...

De qualquer modo, meus parabéns ao bairro e seus ilustres e orgulhosos (ou não) moradores. Que venham mais 120 anos!

E te cuida Guaratiba (e Pedra e Barra...). Seu futuro pode ser tão tenebroso quanto é o de Copa...



Um ótimo link sobre a história de Copacabana:
http://vanesalopez.wordpress.com/pesquisas/copacabana/

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