segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A vez dos anjos brazucas

Há muito esquecidas, principalmente em terras tupiniquins, onde, convenhamos, o hábito de leitura nunca foi – infelizmente – o forte do povo, ou mesmo relegada a um nicho, histórias fantasiosas, com dragões, magos, monstros, vampiros e, claro, anjos, voltaram para ficar. A bem da verdade, elas nunca se foram, mas graças a uma certa autora inglesa de sobrenome Rowling, crianças, jovens e, por quê não?, adultos redescobriam tais personagens e estão consumindo cada vez mais histórias com os mesmos, relegando a segundo plano a qualidade dos textos com eles apresentados (não vou nem entrar no mérito dos vampirinhos emos purpurinados que brigam com lobisomens saradinhos pelo amor de uma “donzela” sem sal).

Felizmente, no Brasil, temos um autor que nos salvou da mesmice vinda a tira-colo do sucesso de Rowling e que nos apresentou a um outro universo, um já explorado, é verdade, por outros autores, mas nunca antes na história desse país (parafraseando nosso ex-Presidente). Unindo misticismo, história e, claro, religião, mas nunca fazendo apologia a qualquer uma sequer, Eduardo Spohr, a quem com orgulho chamo de amigo há 30 anos, dá uma pitada de tempero brasileiro e cria uma aventura rica em detalhes, texturas e lirismo. Com “A BATALHA DO APOCALIPSE” ele mostrou ao que veio e provou que nesse país é possível sim vencer com seu talento mesmo sem apadrinhamento. Não à toa, traspassou a barreira da internet, onde fez seu nome, e vendeu mais de 150 mil exemplares de seu primeiro romance, com direito a edição especial ilustrada e capa dura, feito que nem J. K. Rowling com sua cria Harry Potter conseguiu por essas terras.

Agora, ele revisita esse universo com o que promete ser o primeiro de uma trilogia (ou até quadrilogia) e que nessa semana de lançamento já ocupa o sexto lugar em livros mais vendidos no país (segundo O GLOBO): “FILHOS DO ÉDEN – Herdeiros de Atlântida”. Avesso a continuações caça-níqueis, Eduardo lança mão de uma nova história, com novos personagens (apenas cita alguns presentes no seu rico romance de estréia, mas apenas para ilustrar uma situação) e condensa a trama (são pouco mais de 400 páginas frente aos quase 700 de “A Batalha...) com mais ritmo, aventura, muita ação e até uma pitada de romance (mas bem sutilmente). Estão lá ainda os flashbacks que remetem a passagens históricas importantes, como as Primeira e Segunda Guerras Mundiais, e que auxiliam a entender quem é o anjo renegado Denyel, o anti-herói que auxilia Kaira (uma anjo com amnésia) em sua missão para encontrar o reino perdido de Altântida e lá achar respostas que poderão por fim a Guerra Celestial que já dura eras. 

Muito bem escrito, lançando mão até de clichês  bem empregados ao contexto, "FILHOS DO ÉDEN – Herdeiros de Atlântida" é leitura obrigatória para todos que gostam de fantasia, aventura e história, mas também vai agradar a quem simplesmente quer fugir da realidade com uma leitura dinâmica, mas nem por isso pobre em conteúdo – muito pelo contrário! Que venham logo os volumes 2, 3 e quiçá o 4!

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Se você estiver no Rio de Janeiro no próximo dia 11 de setembro, não perca  a tarde de  autógrafos com Eduardo Spohr no estande da Ed. Record, na Bienal do Livro.


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4 comentários:

  1. Então... Quando você diz "mas graças a uma certa autora inglesa de sobrenome Rowling" está se referindo à literatura infanto-juvenil voltada para o tema fantasia? Porque creditar à ela esse feito e se esquecer de Senhor do Anéis é uma heresia imperdoável! Foi graças à adaptação ao cinema dessa trilogia que aumentaram as vendas e o numero de histórias com o tema fantasia. Não que o livro não fazia sucesso antes do filme (tanto do primeiro Hary Poter quanto o primeiro Senhor dos Anéis), mas quero dizer o que alavancou e deu status à série!

    Eu particularmente não acho que a historia do Bruxo tem algo especial, é recheada de clichês e chegou uma hora que virou puro caça-níquel (o filme então nem se fala, acho que só gostei de um ou dois de toda a série!) E essa série "Filhos do Eden", segue a linha infanto-juvenil, como é a trama, os personagens, o contexto? Achei que sua resenha ficou superficial.

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  2. Ficou ambígua meu primeiro paragrafo. Acredito que Senhor dos Anéis não seja propriamente infanto juvenil, mas quando me refiro à essa série quero me referir ao tema fantasia, qualquer que seja a faixa etária literária.

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  3. Puts! Correção: ficou ambiguA a segunda frase do primeiro parágrafo!

    Estou babando com o post! rsrsrsrs

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  4. Danilo, eu quis dizer que graças a J. K. rowling o gosto pela literatura fantástica cresceu entre os pre-adolescentes, jovens e adultos. Não citei "o senhor dos anéis" porque ele já tinha seu público formado há décadas e graças aos filmes foi redescoberto, e nem por isso perde sua importância.

    Quanto ao livro de Spohr, não, ele não é intanto-juvenil; está bem longe disso aliás.

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