terça-feira, 18 de novembro de 2014

Ao infinito - e além!


Já tem mais de uma semana que fui ao cinema, ressabiado pelas críticas, assistir a INTERESTELAR, o épico espacial de Christopher "Dark Knight' Nolan, escrito por ele e por seu irmão, Jonathan (responsável por outros roteiros filmados por Chris). Minha expectativa, então, estava lá embaixo, mas eu precisava tecer minha opinião, precisava conferir. Será que o filme é essa bomba mesmo? Não é possível, dado o histórico de filmaços assinados por Nolan, como a própria trilogia do Cavaleiro das Trevas, "Inception" e "Amnésia" (filmes que têm seus detratores também, claro!). Pois dada a minha baixa expectativa, com um saco de pipocas e um matte com limão (tenho evitado refrigerantes, mesmo no cinema), passei  as quase 3 horas de projeção simplesmente hipnotizado, não pelos efeitos especiais, mas sim pela história mesmo. 


OK, ok, o roteiro tem suas falhas; não é perfeito. Há algumas passagens desnecessárias que os Nolan poderiam ter deixado para lá, de modo a tornar o filme mais enxuto (uma meia hora a menos não faria mal, mas, ei!, é um épico, e épicos costumam ter lá suas 3 horas ou mais!). A cena logo no início onde Cooper (Matthew McConaughey) e seus filhos perseguem na pick-up um drone indiano à deriva, esmagando boa parte da plantação de milho (aliás, uma das poucas culturas ainda resistentes à praga que assola as plantações mundo a fora) apenas para pegar seus paineis solares é dispensável. Mas de maneira nenhuma essa, digamos, falha - e um ou outro exagero dramatúrgico - comprometem a maestria do filme, que, sim, é soberbo!

Numa Terra em um futuro próximo que poderia ser pós apocalíptico - aliás, nunca é citado o que realmente houve - onde engenheiros são menos importantes para a sobrevivência da população do que os agricultores, a humanidade tenta se reerguer e sobretudo sobreviver apenas da colheita, que hora é destruída por tempestades de areia, hora é destruída por uma praga qualquer que escolhe ano a ano um tipo de alimento. Cooper, ex-astronauta da NASA, percebe, junto a filha, uma anomalia gravitacional em sua própria casa (a menina acredita serem fantasmas, Cooper prefere uma explicação mais racional) e descobrem, através dessa anomalia, a base secreta da NASA, que para todos os fins havia sido fechada pelo governo  (são engenheiros apenas, lembra?), onde descobrem que nos últimos 50 anos 12 missões foram enviadas ao outro lado da galáxia, através de um "buraco de minhoca" plantado por alguma civilização superior nos arredores de Saturno, para acharem um novo planeta para levar a humanidade (ou o que restou dela). Cooper é convocado pelo cientista chefe, prof. Brand (Michael Cane) para juntar-se a equipe de resgate de três missões que conseguiram enviar dados sobre planetas apromissores, encabeçada por sua filha (Anne Hathaway); uma missão de alguns anos espaço-tempo afora. 

Essa primeira parte do filme, apesar de longa, é demasiada importante para entendermos o conflito dos personagens, principalmente de Cooper, que vê a oportunidade não só de voltar a fazer o que gosta (pilotar naves espaciais), como o de tentar achar uma salvação para sua própria família e toda a humanidade, muito embora ele tenha que sacrificar anos preciosos ao lado dos filhos (que são deixados na fazenda com o avô Donald, interpretado por John Lithgow), ou mesmo nunca mais voltar a vê-los. O desespero dele, e da sua tripulação, ao se depararem com o dilema de ir a superfície de um planeta onde cada hora equivale a 7 anos na Terra é latente, pois ele sabe que são anos irrecuperáveis ao lado dos filhos.

Aliás, toda a teoria da relatividade de Eistein é posta em cheque no filme, hora acertada, hora exagerada. Mas, ei!, é Hollywood! É cinema! A física precisa ser posta de lado em algum momento para que uma história de ficção possa ser contada. Nós, como expectadores, devemos aceitar isso ou vamos nos perder em justificativas inexistentes para tentar explicar cada ação "impossível".  E Nolan sabe disso, e entrega um filmaço recheado de referências a outro grande épico, o "2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO", de outro soberbo cineasta, Stanley Kubrik, mesmo com um final um tanto quanto, digamos, mulherzinha (mas até certo ponto, necessário).

Portanto, vá ao cinema sem medo. Você poderá sair com mais perguntas do que respostas, e isso é bom, porque o filme, além de entretê-lo, o fez pensar. E isso é algo raro hoje em dia...

Um comentário:

  1. Cara, mt bom seu blog, parabens deveria divulgalo mais. E se não me engano acho que te conheço, é parente do Edney, Monica e da Juliana não?
    Ramon.

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