quinta-feira, 26 de junho de 2014

Benévola


Foi com muito medo que eu batizei esse post. Medo de parecer boboca? Não. Medo de soltar um spoiler daqueles logo de cara sobre o novo filme da Disney, baseado em uma de suas obras animadas mais belas de todos os tempos! Pois bem, com spoiler mesmo, lá vamos nós:

Malévola, uma das vilãs mais sombrias, num dos desenhos animados mais sombrios já feitos (sombrio para os padrões Disney, claro), com influências góticas para todos os lados, ganhou aqui ares de anti-heroína. Angelina Jolie (lindimais!) encorpora a personagem título como se tivesse nascido para tal, mas nunca, jamais - e talvez tenha sido essa mesma a premissa da fita - chega a assustar o público. Afinal, ela não é uma bruxa, e sim uma fada que fora traída pela sua paixão humana, o - sem sentido - amargurado rei Estevão (ou Estephan, como queira a Disney), vivido por Sharlto  Copley. Sim, uma fada. Com chifres e asas de ave de rapina. E um nome que destoa tanto de sua beleza quanto de seu coração. Malévola - que poderia se chamar Benévola, sei lá - era uma linda fada, habitante do reino encantado, reino este que despertara tanto a curiosidade dos reinos vizinhos, quanto sua ira, sabe-se lá porquê (talvez aqui uma alusão à intolerância humana em relação ao outro, ao diferente).

Belo dia, já crescida, Malévola defende seu reino da incursão dos cavaleiros do rei Henry (Kenneth Cranham), que acaba ferido mortalmente e promete a mão de sua filha em casamento - e por conseguinte sua coroa - a quem matar Malévola.  Eis que o cavaleiro Estevão, ávido por poder, trai sua amada fada e corta fora suas asas negras, fazendo todos acreditarem que ele a matou. Malévola, amargurada e traída, jura vingança aos reinos humanos.

Passam-se alguns anos, o rei Estevão e sua rainha Hanna têm uma filha, Aurora, e para seu batismo, Estevão, num gesto apaziguador, chama as três fadas Fauna, Flora e Primavera (que ganharam novos nomes nesses tempos em que a Disney insiste em impor a Sininho o nome de Tinker Bell...) para abençoar sua filha. Mas será que ele achou mesmo que Malévola não iria aparecer e lançar sua hoje tão conhecida maldição sobre a pequena Aurora? Pois é...

Bem, quem conhece a história de "A BELA ADORMECIDA" sabe que o rei manda tacar fogo em todas as rocas e pede que as fadas fujam com Aurora até que ela complete 16 anos e um dia para poder voltar ao reino, sã e salva da maldição. As semelhanças então com o desenho animado (que por sua vez é baseado no conto "La Belle au bois dormant", de Charles Perrault) terminam ai e o que vemos na tela é de explodir as cabeças dos fãs do desenho, quando acompanhamos uma Malévola curiosa e até certo ponto benevolente com Aurora, tornando-se uma espécie de fada-madrinha da menina.

Esqueça Felipe, o príncipe adolescente  que aqui só aparece para fazer uma ponta  praticamente - e totalmente desnecessária. Esqueça a proteção das fadinhas. Esqueça o sono eterno lançado sobre o reino. Esqueça, sobretudo, o beijo-do-amor-verdadeiro. O que o diretor estreante Robert Stromberg nos apresenta aqui funciona  de maneira diferente - mas com direito a dragão e floresta de espinhos gigantes, pelo menos! No final, a mensagem é a mesma: o amor verdadeiro prevalece. Mas ao contrário do desenho gótico, aqui o mal se redime. E todos vivem felizes para sempre. Até o príncipe mané que não sabe seguir uma trilha no bosque.


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