quinta-feira, 23 de maio de 2013

This is Spartacus!




Pouquíssimas pessoas que gostam de cinema - e nem digo cinéfilos - e um pouquinho de história antiga já deve ao menos ter ouvido falar de Spartacus, o escravo que ousou se insurgir contra o império romano no século I antes de Cristo. "Eu sou Spartacus!" foi a frase imortalizada por Kirk Douglas no épico e cultuado filme SPARTACUS (1960), de Stanley Kubrick.  

A epopeia de Spartacus, cujo nome real foi apagado da história pelos romanos, curiosamente sobreviveu a sua derrota, pois serviu de alerta a Roma de que seu império em ascensão, forjado no regime escravocrata, não era incólume a revoltas e sua derrocada viria de seu âmago (como de fato ocorreu menos de cinco séculos depois).

Em 2004 uma minissérie para TV, com o ator Goran Visnjc no papel de Spartacus  tentou contar as novas gerações a história desse herói. Embora bem realizado e com uma linguagem mais atualizada, a produção não chegou aos pés da obra de Kubrik (não havia como não ser comparada) e menos de 10 anos depois é pouquíssimo lembrada, muito menos celebrada.

Eis que em 2010 os produtores Sam Raimi, Rob Tapert e Joshua Donen trouxeram, via canal a cabo STARZ, uma nova e audaciosa versão de Spartacus, agora no formato de seriado, cuja primeira temporada, "Sangue e Areia" ("Blood and Sand"), com 13 episódios, contou, com muito slow motion, litros de sangue "espirrado na tela", sensualidade e sexo (muuuuuito sexo!), inclusive homossexual (mas nada explícito) como o soldado trácio dos exércitos auxiliares de Roma (como eram chamados aqueles que pertenciam aos povos conquistados e eram convocados para lutar ao lado dos romanos)  foi traído pelo seu comandante, capturado e escravizado. Vendido ao lanista Batiatus (John Hanna), foi treinado, a contra-gosto, para ser um  gladiador. A sede de vingança por sua escravização e pela morte da mulher o fez superar todas as humilhações e provações até o antológico episódio final daquela temporada, devidamente intitulado "Mate todos!", quando ele consegue junto aos irmãos gladiadores tomar a vila de Batiatus, não poupando ninguém.

O gancho para a segunda temporada estava garantido, com a audiência fidelizada, quando uma bomba explodiu sobre a produção: Andy Whitfield, que magnanimamente deu vida ao herói, estava com câncer e não poderia voltar para a próxima leva de episódios. A solução seria esperar a recuperação do ator, mas os produtores - e o canal - não poderiam abrir mão do sucesso e trataram de produzir, em vez de uma segunda temporada, uma minissérie sobre outro gladiador treinado na vila de Batiatus: Ganicus. "Deuses da Arena" ("Gods of the arena") teve apenas seis episódios e foi igualmente ovacionada pela crítica e pelo público, que ansiava agora por ver os dois heróis, Spartacus e Ganicus (Dustin Clare) lutarem lato a lado. Mas para o desespero dos fãs - e dos produtores - Andy Whitfield não venceu a batalha contra o câncer e morreu naquele ano de 2011.

Andy Whitfield, como Spartacus. RIP.

O desafio então foi procurar um ator a  altura de Whitfield para dar continuidade a série, que teria ainda mais duas temporadas: "Vingança" ("Vengence") e "Guerra dos condenados" ("War of the Damned").. Liam McIntyre (que poderia ser irmão de Thiago Lacerda) foi o escolhido para dar vida ao herói, que agora, ajudado por Ganicus e Crixus (Manu Bennett), libertava escravos e os liderava, formando um exército que lutava com táticas de gladiador, contra o opressivo e poderoso império romano, que convocou ninguém menos que o futuro cônsul Julio César para auxiliar o general Crassus na empreitada contra os insurgentes.

Os dez episódios da última temporada foram um crescente de angústia pois todos sabiam como a história iria terminar: com a derrota e morte de Spartacus e seu exército. Mas mesmo assim a produção se esmerou naquilo que fazia de melhor: ação. Muita ação. Mas não somente isso; os diálogos inteligentes e recheados de maneirismos para situar o espectador naquele longínquo mundo de dois mil anos atrás foram também destaques em toda a série, com muitos "mind games", intrigas e retóricas. Inclusive a homenagem ao clássico de 1960 veio com o uso da célebre frase "Eu sou Spartacus!", sendo aqui usada em outro contexto, mas igualmente poderoso e com o mesmo objetivo: confundir os romanos sobre quem era Spartacus.

Spartacus e Spartacus.


O épico episódio final do seriado, sabiamente intitulado "Vitória", simplesmente fechou com chave-de-ouro essa ousada empreitada televisiva, que foi comparada, devido a sua linguagem, a outros clássicos do cinema como "300" e "Gladiador". Certamente vai deixar saudades.



Spartacus infelizmente não foi lançado em alta-definição no Brasil (apenas a primeira temporada e a prequel estão disponíveis em DVD aqui), mas na Amazon ela pode ser encontrada em lindíssimas edições  em blu-ray (que infelizmente não possuem opções de áudio e legenda no nosso idioma).

O filme de 1960 já pode ser encontrado aqui em blu-ray, assim como lá fora, inclusive na Amazon UK numa linda edição digibook.

Seguem os links:



 

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