terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Nostalgia (bem) animada

O mundo do Fliperama - ou árcades - não é mais o mesmo. Surgido nos anos 1970, a princípio com jogos de pinball e similares, logo logo ele revolucionou o conceito de parque-de-diversão, atingindo seu auge no final daquela década com os jogos eletrônicos que virariam mania mundial, como Pac Man e Space Invaders, e confinando crianças e adolescentes (ok, e muitos adultos também) num ambiente escuro e fechado, similar os cassinos, onde não se via  a hora passar.  Com o advento dos videogames caseiros e sua constante evolução a partir dos anos 1980 (com o clássico ATARI batendo recordes de vendas mundo a fora), os Árcades tiveram que se reinventar, investindo em mais jogos com mais qualidade, mais adrenalina, mais realismo. Jogos antigos foram sendo desligados conforme a procura por eles foi decaindo e hoje sobrevivem graças em boa parte a um sentimento nostálgico vindo dos pais que levam seus filhos pequenos a esses parques "in door".


"DETONA RALPH" seria um desses clássicos videogames de 8 bits, uma clara alusão ao falecido Donkey Kong e seu algoz Mario (sim, o mesmo que ganharia um jogo só seu e conquistaria em breve o trono do mundo dos games, posto que mantém até hoje). Nesse divertidíssimo filme, que poderíamos chamar de "Toy Story versão 2.0", os personagens dos games ganham vida própria quando o fliperama fecha e "passeiam" entre bites & bytes pelos jogos, interagindo, tendo vida-social, mas sempre seguindo sua programação, como se pertencessem a uma casta da qual não podem fugir, mesmo tendo sentimentos e vontade própria.  Ralph é exceção. Ou uma delas. Ele não quer mais ser o vilão. Ele quer ter amigos! E por isso frequenta o grupo de apoio dos vilões de Videogame, que entonam o mantra de que "não é ruim ser mau, e seja bom nisso!". Seguindo uma aposta com um dos personagens carolas de seu game, Ralph parte em busca de uma medalha, que lhe garantiria um posto alto de admiração em sua comunidade, e acaba parando num moderno jogo de corrida fofinho, onde a sua jornada do herói será posta em prática ao ajudar uma personagem a retomar seu lugar naquele mundo.

Advindo da TV, onde dirigiu episódios de Futurama e Os Simpsons, entre outros, o diretor estreante Rich Moore acertou em cheio na condução de sua equipe, sendo a direção de arte merecedora de todos os elogios. Hora retrô, hora ultra-moderno, o filme é um deleite quase nostálgico, para crianças de todas as idades (sem medo de soar clichê). O lema "seja você mesmo e seja feliz" é ensinado escrachadamente desde o início, sem parecer piegas, e isso é perfeitamente aceitável num mundo politicamente correto (até demais).

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