terça-feira, 23 de julho de 2013

Homem de Aço, filme de latão


Quando Christopher Nolam foi anunciado como produtor do novo filme do Super-homem (Superman é para os fracos), tendo inclusive convidado David S. Goyer, seu parceiro na sua trilogia Batman, para escrever o roteiro, os fãs do azulão foram a loucura, ainda mais quando não acreditavam que Zack Snyder pudesse sozinho ser capaz de ressuscitar na tela grande a carreira do maior super herói de todos os tempos. “Agora a coisa vai!”, bradaram todos. Mas a coisa, com o perdão do erro grosseiro, acabou fondo.

Não, o filme não é ruim, mas certamente ele deixa a desejar, principalmente no quesito emoção e empatia com os personagens, especialmente com  Kal-El, a.k.a. Clark Kent. E isso é mal, pois em momento algum o espectador se vê torcendo pelo seu herói. Ou pelo menos com real vontade de torcer. A verdade é que o personagem é fraco. Seus dilemas são pouquíssimos explorados e o que se vê  praticamente da metade para o final dos 140 minutos de filme são sucessivas e excessivamente altas explosões e destruição apocalíptica de Metrópólis bem ao estilo "Transformes", de Michael Bay, e "Os Vingadores", de Joss Whedon, sendo que nesse último pelo menos temos para quem torcer com gosto.  

O filme começa muito bem mostrando um Krypton bem diferente daquele que conhecemos no filme de 1978, mas extremamente realista. Acompanhamos o nascimento do mito, que, contrariando séculos de evolução controlada, vem àquele mundo de maneira natural, um parto normal acompanhado apenas pelo pai cientista Jor –El (Russel Crow, bem escalado para o papel). El sabe que o núcleo de Krypton entrará em colapso (o vilão da vez não é o sol vermelho, aliás, sol que nem vermelho é) e todos no planeta estão condenados. Ao tentar convencer o conselho mundial de que uma esperança para a sua raça poderá ser salva caso o códex da evolução seja a ele entregue (um antigo fragmento com todo o código genético dos kryptonianos), o general Zod (Michael Shannon, solto em cena e extremamente mal dirigido, apesar de ser excelente ator) tenta aplicar um golpe de estado com seus asseclas. Detido pelas forças do bem, ele e sua gangue são banidos para a vida eterna na zona fantasma a bordo de bólidos que mais pareciam consolos eróticos enquanto o resto do planeta é destruído, exatamente como previu Jor-El, morto por Zod no ataque a seu laboratório momentos antes dele e sua esposa Lady Lara (Ayelet Zurer) enviarem o bebê Kal em direção a Terra. 

A partir daí temos o segundo ato já mostrando o adulto Clark Kent (Henry Cavill) em sua jornada de auto-conhecimento pelo planeta, buscando se manter anônimo, exatamente como lhe ensinara seu pai adotivo Jonathan Kent (Kevin Costner, no seu melhor papel desde "Dança com Lobos"). Flashback atrás de flashback mostram como foi sua infância e adolescência, quando finalmente descobriu que não é desse mundo, em momentos dignos de “Árvore da Vida”, de Terrence Malick.  Eventualmente, Clark consegue emprego numa escavação militar (?!) no ártico, onde encontra uma nave krypotoniana lá enterrada há mais de 20 mil anos. É lá que ele consegue descobrir enfim quem é quando conecta seu “pen drive” herdado de  Jor-El, que se revela a ele por meio de um espectro de memórias. Nesse momento do filme somos apresentados a Lois Lane (Amy Adamns), intrépida repórter do Planeta Diário que, salva do sistema de defesa da nave por Kal-El, não vai poupar esforços para descobrir quem é seu salvador. E não é que ela descobre? Temos então a Lois Lane mais inteligente de todos os tempos, fazendo o que qualquer bom repórter faz: investiga a história e pesquisa. Em pouquíssimo tempo ela está batendo a porta da fazenda Kent. E o melhor (ou pior, na visão dos fãs mais ardorosos), Clark não se esconde, muito embora não lhe dê muita satisfação. Aliás, a química entre o casal é quase nula e o roteiro força a união dos dois num beijo totalmente improvável ao final do filme. Desnecessário...

A evolução do uniforme (da direita para a esquerda).
O terceiro -  e longo, muito longo – ato começa quando o planeta é invadido por Zod, que escapara milagrosamente da zona fantasma quando Krypton explodiu, e a bordo da nave que “ganhara de presente” do moribundo conselho kryptoniano vai de planeta em planeta durante 33 anos atrás do filho de Jor-El, mas não por sede de vingança, como no filme de 1978, e sim porque estaria com Kal o códex que permitira a perpetuação de sua raça (o códex, na verdade está escondido dentro do próprio código genético de Kal-El). Ponto para o roteiro!   Disposto a convencer os líderes humanos – ou seja, os EUA – de que não é uma ameaça a eles, Clark, que esbanja no peito do uniforme (acertadamente sem a sunga vermelha) um S, símbolo que eu seu mundo significa “esperança”, parte para enfrentar Zod e temos aí o início de uma, ao que parecia, eterna sequência de batalha apocalíptica que destrói metade da cidade de Smallville e praticamente toda Metrópolis, que já estava sendo atacada pela nave de Terraformação (os planos de Zod eram o de transformar a Terra numa nova Krypton, alterando seu núcleo e sua atmosfera).

Snyder parece que abriu a cartilha de Michael Bay e a levou ao pé da letra em cenas ação de realismo impressionante, não obstante exagerado e  vertiginoso. Imagino que as sessões em 3D tenham deixado os espectadores com dor de cabeça e nauseados. O barulho ensurdecedor das explosões abafaram a nova trilha composta por Hans Zimmer, portanto não consigo dizer se é boa ou ruim, mas certamente a ausência do tema épico de John Williams, com o qual toda uma geração de fãs do Super-Homem cresceu, fez muita, mas muita falta.  Apenas mais um dos motivos para eu ter saído do cinema, vejam só, com certa vontade de re-assistir o fraquíssimo filme de 2006 (que pelo menos foi uma bonita homenagem aos dois filmes de Richard Donner).


2 comentários:

  1. Confesso que nunca fui muito fã do Super-Homem, sendo Smallvile o mais perto que cheguei da história (mesmo assim parei na quarta temporada). Ia assistir esse filme porque não tem muitas opções na minha cidade, mas nada nele me aniiiiima. Acho que vou deixar pra quando sair em DVD mesmo.

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    1. Andrea, visualmente o filme é impecável. Dê preferência ao Blu-ray ou outra fonte em alta-definição.

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