segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Rei do Baião no telão


A relação entre pai e filho já rendeu ao cinema filmes notórios como "Em nome do Pai", de Jim Sheridan, com o oscarizado Daniel Day-Lewis e Kramer vs. Kramer, de Robert Benton, com os também oscarizados Maryl Streep e Dustin Hoffman. Faltava o cinema nacional um bom representante desse filão. Não falta mais. Baseado na dificílima relação entre Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e seu filho, o também músico Gonzaguinha, Breno Silveira trouxe ao grande público um emocionante, mas não perfeito, filme sobre a ascensão do autor de "Asa Branca", o hino do nordeste brasileiro, que mal conhecia o próprio filho.

Escrito por Patrícia Andrade, que teve como base as gravações que Gonzaguinha fez em fita cassete entrevistando seu pai, o filme acerta ao contar a origem humilde de Gonzaga desde que saiu acoçado de Exu, no sertão pernambucano aos 17 anos e alistou-se no exército (fase em que foi interpretado pelo talentosíssimo Land Vieira), até sua ascensão na rádio no Rio de Janeiro, dez anos depois, sem endeusar o artista; ele mostra os percalços dessa trajetória, que ajudam a entender como foi a sua formação.  Chambinho do Acordeon (uma gratíssima surpresa) dá vida a Gonzaga na fase adulta e Adelio Lima na sua fase mais madura, mas é Julio Andrade, inspiradíssimo, quem rouba a cena como Gonzaguinha (interpretado na sua pré-adolescência por Alison Santos e jovem por Giancarlo di Tomazzio). Julio já havia mostrado todo seu talento em "Cão sem Dono", de Beto Brant, e aqui, exprimi tão bem esse talento que, mesmo se não houvesse auxílio da maquiagem e do figurino, confundiria-se com o verdadeiro Luiz Gonzaga Junior, amargurado, com o ego ferido, com raiva do pai, que o "abandonara" com os padrinhos após a morte prematura da mãe, vítima da tuberculose, mas que mesmo assim não esconde a admiração e o amor que sente por ele. Em nenhum momento piegas, o filme ganha ritmo nos números musicais, mas o perde em excessivas e até desnecessárias inserções de material documental durante suas duas horas. Mas o público já está encantando com a reconstituição de época e as interpretações do grande elenco e talvez releve isso. 

Tecnicamente, o filme é impecável! Palmas para a direção de arte de Claudio Amaral Peixoto, para a montagem de Vicente Kubrusly, para o figurino de Clauida Kopke e Ana Avelar e para a fotografia de Adrian Teijido.

Um comentário:

  1. Um filme muito bom.

    Alguns críticos reclamaram dos clichês novelescos.

    Curti a película do início ao fim e fiquei impressionado com o ator que interpretou o Gonzaguinha. A semelhança e os trejeitos são de assustar.

    Parabéns pelo blog!

    Roberto

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