quarta-feira, 23 de outubro de 2013

No espaço, ninguém pode te ouvir



No espaço, ninguém pode te ouvir. Aliás, pode, por rádio. Mas ninguém pode fazer nada por você caso alguma emergência aconteça. Se por acaso você for um astronauta e estiver em apuros - como, por exemplo, uma chuva de destroços de um satélite atingido por um míssil destruir sua nave e matar toda a sua tripulação - você só pode contar com você mesmo para poder se safar da morte certa. Você estará no ambiente mais hostil de todos. Seu oxigênio vai acabar eventualmente - talvez mais rápido do que possa imaginar. Você não tem um transporte para leva-lo de volta. Você não tem um bote salva-vidas. Você não nada a que se agarrar. Literalmente. Você está sozinho no vazio.

Aterrorizante? Sim. Muito. Essa é a premissa do melhor filme de ação / drama deste ano, escrito e dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón.

(Atenção: spoilers adiante!)

Erroneamente classificado em alguns lugares - aqui no Brasil, por exemplo - como ficção científica, esse magnífico drama de superação humana surpreende pela veracidade e detalhes com que é levada as telas a (fictícia) história da astronauta Ryan Stone (Sandra Bullock, em atuação de cair o queixo), que se encontra exatamente naquela situação descrita acima. Quando todas as forças do antagonismo parecem já ter sido usadas contra ela, o brilhante roteiro (também escrito pelo filho de Alfonso, Jonás, e por George Clooney) tira da manga mais uma situação para provoca-la e testa-la até as últimas consequências  Ryan tem duas escolhas: morrer ou viver. Ou melhor, se entregar ou lutar. E ela decide lutar. Ela decide viver. Mesmo com tudo conspirando contra seu sucesso.

Cuarón dirige essa obra-prima com tanta maestria que duvidamos por um instante que estamos assistindo uma obra de ficção e chegamos a acreditar que as cenas foram mesmo gravadas em órbita da Terra. Ok, pode parecer um exagero. Mas o jogo de câmera, alterando entre o ponto-de-vista da heroína (claustrofóbico) e ponto-de-vista do espectador mediante a imensidão do vazio (agorafóbico) nos leva para dentro da ação e nos prende na cadeira, tensos, quase sem fôlego, quase sufocados, como a própria Ryan, durante os 90 minutos da fita. A metáfora da criação da vida está imersa na estória, quando Ryan luta em um ambiente estéril para sobreviver, evoluir e renascer, e fica claro na cena de seu merecido descanso em posição fetal no interior protegido da Estação Espacial Internacional, ou mesmo antes, como um espermatozoide em busca do óvulo, quando ela precisa alcança-la e penetra-la para lá sobreviver, culminando com seu renascimento no lago, onde o módulo cai e inunda como um útero e ela precisa nadar até a superfície para respirar. 

Completam o elenco George Clooney, como o astronauta Matt Kowalski, e o estranhamente sumido das telas Ed Harris (aqui, ainda sumido, apenas empresta sua voz, interpretando o controlador de missão da NASA, uma possível homenagem a um de seus melhores papéis no cinema, o controlador Gene Kranz de Apollo 13).

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Mérito a quem é de direito


A greve dos professores do município do Rio de Janeiro, que já vai para mais de 60 dias, é um direito da classe e sua luta está sendo apoiada por toda a sociedade carioca e fluminense, muito mais por seu descontentamento geral com a quadrilha que (des)governa nossa cidade e nosso estado do que com as reivindicações do magistério. Dentre todas essas reivindicações, uma me chamou particular atenção essa semana: o SEPE (Sindicado Estadual dos Profissionais de Educação) é contra a meritocracia. Mas como assim?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Velocidade Máxima


Na década de 1970, ou seja, no auge da popularidade da Fórmula 1, modalidade de automobilismo que ainda rende muita grana para as escuderias e seus pilotos, mas que anda meio em baixa por essas terras tupiniquins, uma dupla de pilotos foi responsável pelos momentos mais emocionantes do esporte, com uma rivalidade que se não extrapolava os limites dos circuitos, fazia dentro dele valer cada minuto parado na frente da TV acompanhando a corrida.  Infelizmente eu era recém chegado a esse mundo para ter qualquer memória dessas temporadas, só tendo mesmo começado a acompanhar as corridas na década de 1980, com Alain Prost, Nelson Piquet e o saudoso e eterno Ayrton Senna, que igualmente nos proporcionaram momentos extraordinários, de pura adrenalina e emoção nas pistas. Graças ao diretor Ron Howard, mediano e burocrático na maioria de seus filmes, mas que aqui mostra extrema competência, tanto na direção de atores como no posicionamento das câmeras, mostrando total controle sobre sua obra, pude conhecer James Hunt e Nicki Lauda, corredores cujo nome conhecia mas que nunca havia visto competir.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Top 10 filmes nacionais (na minha humilde opinião)

Todo mundo gosta de listas, não é? Todos os sites especializados e blogs afins tem suas listinhas de filmes, sejam de piores ou de melhores, por estilo, por diretor, por ator ou atriz... Enfim, sem muitas delongas, eu, como apaixonado por cinema e grande admirador e entusiasta da sétima arte aqui no Brasil, listo abaixo os dez melhores filmes nacionais (na minha humilde opinião). Sinta-se livre para dar sua opinião!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Truque tão bom que engana o espectador


Não se deixe enganar, "NOW YOU SEE ME" ("Truque de Mestre - Os ilusionistas", aqui no Brasil), o mais novo membro da família "heist movies" (aqueles filmes sobre roubos mirabolantes em que nós nos pegamos torcendo pelo bandido) não é o filmaço que ele se vende ou que alguns críticos estão bradando. Sim, o filme é bom, é empolgante e divertido. Eu me peguei batendo palmas em algumas cenas, fascinado que sou com truques de mágica, excitado também com as cenas de ação de tirar o folego e extremamente bem dirigidas por Louis Leterrier e editadas por Robert Leighton e Vincent Tabaillon (prevejo uma indicação ao Oscar® nessa categoria). Mas ele se vende como sendo um dos roteiros mais inteligentes já filmados nos últimos tempos. Bem, em se tratando de Hollywood isso é até verdade.