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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Parem o mundo! quero descer!



Que mundo chato estamos vivendo hoje - e perpetuando para nossos filhos!

Não podemos fazer nada! Nem dizer nada! Nem rir de nada!

Não podemos falar mal do (des)governo do PT sem ser taxado de "coxinha" ou de imperialista.

Não podemos falar mal do neo-liberalismo, assim como não podemos defender os interesses da classe trabalhadora, que já somos chamados de comunista!

Não podemos rir de uma piada de pobre que somos rotulados de escravagista!

Não podemos ser a favor da diminuição da maioridade penal porque senão nos acusam de querer botar bebês inocentes na cadeia; mas também não podemos ser contra porque nos acusam de ser coniventes com a criminalidade;

Não podemos xingar ninguém de filho-da-puta sem sermos quase linchados como machistas, porcos-chauvinistas, mesmo quando está implícito de que estamos xingando a pessoa, não sua progenitora.

Não podemos dizer "Neguinho isso", ou "neguinho aquilo" (o que no Rio de Janeiro é vírgula, como se estivéssemos dizendo "malandro isso" ou "malandro aquilo", por exemplo) sem que temamos um processo por crime de racismo.

Não podemos virar para um amigo ou colega e dizer "Deixa de ser viadinho!", quando ele está com alguma frescura, sem que a patrulha LGBT venha com paus e pedras nas mãos nos taxando de homofóbicos e intolerantes.

Não podemos nem dizer "Amém!" que alguém vem nos lembrar que o país é laico, mas esquece-se de que devemos respeitar o direito do cidadão à qualquer religião.

O mundo está muito intolerante!

Parem, que eu quero descer!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Política + Religião: a Idade das Trevas nos ronda...

Essa de misturar política com religião ainda vai levar o mundo ao holocausto definitivo. E não falo apenas nos fundamentalistas istlâmicos não. Há fundamentalismo na maioria das religiões, inclusive (e talvez principalmente) no cristianismo, desde o catolicismo até as mil e uma vertentes evangélicas.  No nosso caso em especial, temos uma bancada evangélica que praticamente MANDA no país, deixando de votar importantes leis que são de suma importância para o desenvolvimento do país, principalmente na área de saúde. E infelizmente a maioria dos presidenciáveis têm o rabo preso com essa bancada, e os milhões que a elegeram.

Pontos importantes como a descriminização de (certas) drogas e o aborto, que são antes de tudo assuntos relacionados à saúde pública, há anos estão empacadas no planalto central e sabe-se lá quando alguém vai ter coragem de falar sobre esse "tabu", assim como o outro tão importante quanto, mas de ordem cívil, que é o casamento homoafetivo.

A palavra "casamento" é sempre levada em consideração com sua conotação religiosa (o que eu respeito), mas antes de tudo é importante lembrar que o casamento, no civil, é um CONTRATO, assim como existe também o CONTRATO DE UNIÃO ESTÁVEL, que dá os mesmos direitos ao casal que o contrato de casamento. Então, não há o menor sentido em se discutir - e vetar - o casamento entre pessoas do mesmo sexo se o direito é o mesmo de uma união estável já garantida por lei.

Quanto ao aborto, algo que particularmente sou contra (com excessões, como o caso de estupro, má formação fetal e risco de morte para a mãe), é preciso entender que não é porque ele é criminalizado que as mulheres deixam de faze-lo, procurando, em sua maioria, clínicas clandestinas onde falta, muitas vezes, um mínimo de higiene, e verdadeiros "açougueiros" praticam o ato, culminando com algo em torno de 20 mil mulheres mortas por ano por razão disso.

É preciso, tanto quanto relação às drogas, quanto em relação ao aborto, investir em EDUCAÇÃO, de modo que se PREVINA seu consequente uso. Com educação afastamos nossas crianças e adolescentes das drogas (da mesma maneira que hoje pais conscientes não deixam seus filhos menores de idade beberem álcool ou fumar um cigarro) e também afastamos as jovens e uma gravidez indesejada (apenas citando um dos muitos motivos para a realização - ilegal - de um aborto no Brasil).

Vamos então deixar nosas convicções religiosas de lado - o que para muitos é muito difícil, compreendo - e passar a pensar no coletivo, no desenvolvimento do país, que está cada vez mais próximo de voltar a Idade Média, onde fogueiras ardiam, queimando "hereges" pelos mais banais motivos....

segunda-feira, 31 de março de 2014

Não nade com tubarões


Na semana passada (mais precisamente dia 27/03), foi divulgada uma pesquisa que dizia que cerca de 65% dos brasileiros (homens e mulheres) considerava merecedoras de serem violentadas as mulheres que usavam roupas provocantes. Absurdo do machismo, não? Claro! A roupa que uma pessoa veste não faz dela culpada ou merecedora de uma violência contra seu corpo e sua alma! Mas sim, a faz mais vulnerável. E por isso me pergunto: sabendo estarem vivendo um país com esse tipo de mentalidade, e também repleto de psicopatas, bandidos e estupradores em potencial, por que alguma mulher se arriscaria a sair na rua de maneira extremamente provocante?

Essa questão eu levantei no Facebook e prontamente fui atacado por todos os lados pelas feministas de plantão - e muitos advogados. Fui taxado de machista, porco chauvinista. Daí para baixo. Mas com certa sutileza, visto que os que "atacaram" eram meus amigos ou conhecidos.

A verdade é que fui mal interpretado. Como eu disse acima, ninguém, NINGUÉM, merece ser estuprado, seja mulher, seja homem, seja criança. Aliás, principalmente uma criança. Mas, repito, se moramos nm país como esse, em que mais da metade da população dos pesquisados acredita que uma mulher merece ser estuprada por usar roupas provocantes, por que alguém se arriscaria a se vestir assim? Não seria o mesmo que se arriscar a nadar com tubarões? Não seria o mesmo que atravessar uma movimentada avenida fora da faixa, com o sinal aberto? Não seria o mesmo que ostentar jóias e aparelhos eletrônicos caríssimos e andar por um bairro ermo a noite? Não seria o mesmo que subir uma favela em meio a um tiroteio entre policiais e traficantes? Para mim isso é tão claro...

Essas comparações foram devidamente rebatidas por meus opositores. Tubarões, por exemplo, são animais irracionais e matam para comer, inconscientemente. Podem até não te comer se você nadar junto a eles, mas é um risco que você corre. Da mesma forma disseram que para evitar a violência urbana (atropelamentos, assaltos) então deveríamos nos trancafiar em casa, porque correríamos menos riscos. Mas isso é óbvio, não? Mas evitamos sair de casa? Não! Saímos porque queremos e precisamos. E rezamos para que papai do céu nos traga em segurança para casa, uma vez que as autoridades não fazem bem seu papel no policiamento ostensivo e mesmo preventivo. Todos estamos passíveis de sermos assaltados, de enfrentarmos um caos no trânsito, sermos atropelados, assaltados, vítimas de bala perdida. Mas nos precavemos contra isso tudo, não? Se saímos, procuramos lugares e caminhos mais seguros (ou menos violentos), olhamos para os lados para atravessar a rua, não falamos com estranhos (minha mãe pelo menos sempre me ensinou isso). Por que seria demais esperar que uma mulher - inteligente e sabedora dos riscos que corre numa sociedade doente e machista como essa indicada pela pesquisa - se "comportar" (atenção para as as aspas, por favor!)  de modo a chamar menos atenção? Sim, a responsabilidade é do governo em promover a segurança pública dos cidadão de bem. E devemos exigir sempre esse direito! Mas devemos também sempre zelar por nossa segurança, nossa sobrevivência. Isso é até instintivo!

"Ah, mas mulheres de burca são igualmente estupradas nos países muçulmanos!", bradaram para mim. "Mulheres vestidas com camadas e camadas de roupa na Índia sofrem estupros coletivos!", outros disseram. E é verdade! assim como senhoras de 70 anos também são estupradas aqui e em outros lugares mundo afora. Crianças são estupradas! Isso indica claramente que a culpa do estupro está loooooonge, bem longe, de ser da roupa ou do comportamento de uma pessoa. O que caracteriza o estupro é o poder. Sim, o poder. A força do mais forte contra o mais fraco. Um pedófilo, por exemplo, não pega o primeiro menino ou menina que vê num parquinho. Ele escolhe o mais frágil, aquele que não vai gritar, aquele que parece mais ingênuo. Dentro do seio familiar, onde ocorrem muitos casos de violência sexual contra crianças, é sempre aquela mais fraca que é a vítima. É a mais VULNERÁVEL.

VULNERABILIDADE é a palavra em questão. Estupradores buscam os mais VULNERÁVEIS entre suas vítimas. Se na Índia ou no Paquistão mulheres de burca são estupradas é porque nesses países a mulher é vista como um ser extremamente inferior, que existe apenas para servir o homem. Então pouco importa a roupa que ela veste. Aqui, como em todos os países do ocidente, mulheres têm a liberdade de vestirem como querem. O que é EXCELENTE! Com o calor que aqui faz no verão, é óbvio que mulheres tendem a se vestir com menos roupa. Um short, uma blusinha, Havaianas. Qual o mal disso? Nenhum! Há, por outro lado, shortinhos, blusinhas e decotes que são considerados vulgares. E vulgaridade, desculpem as feministas de plantão, não faz ninguém mais sensual. Muito pelo contrário! Mas, novamente, repito, tampouco faz-se merecedor de ser estuprado. Mas certamente ela vai chamar muito mais atenção dos psicopatas de plantão, tornando-a um alvo mais fácil, mais vulnerável (vulnerável na percepção do estuprador). E antes que me perguntem o que é se vestir de maneira vultar, desculpem, cada um pode ter a percepção que quiser; não vou dar a cara-a-tapa aqui por conta de achismos. 

A verdade é que cada um deve zelar por si. Mais que uma questão de escolha, é uma questão de bom senso. Eu, por exemplo, nunca me arriscaria a nadar com tubarões.

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► LINK para a reportagem no G1.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A volta

Ano novo, vida nova! Só que não... Volto de férias merecidas para a mesma rotina de sempre. Não que isso seja ruim. Mas poderia ser melhor! Mas para não dizerem que eu só sei reclamar, vou fazer aqui um apanhado sobre os assuntos que bombaram (ou não) nas mídias nesse mês de janeiro - que ainda não acabou - porque não vou fazer um post sobre cada assunto.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Então é Natal (e um ano novo também)


Não, não vou começar a cantar o hit (sic) de Simone, não obstante a música original do mestre John Lennon ("And so this is Christmas") esteja sempre atual e proporcione momentos de reflexão. Na verdade esse post não é sobre o Natal e no momento em que o escrevo estou escutando Bob Marley, outro mestre, pelo Grooveshark.  Esse post é para saudar a todos, não somente os que estão lendo agora, mas todos no planeta.  É uma ode ao ser humano, e suas realizações ao longo da história, as passadas e as que estão por vir.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Mobilidade sem rumo

Recentemente uma pesquisa mundial apontou o Rio de Janeiro como detentor do terceiro pior trânsito do mundo! Passamos - vejam só! - São Paulo! Não tenho dúvidas de que em breve chegaremos ao primeiro lugar. De posse desses dados, organizaram um Hangout (ferramenta do Google que permite vídeo conferências pela internet) com alguns especialistas em mobilidade urbana e urbanismo e com o próprio prefeito do Rio, Eduardo Paes. Muito interessante ver que nosso alcaide, mesmo com os modestos avanços na questão da mobilidade pública, ainda tem idéias muito arcaicas sobre o tema, insistindo, por exemplo, no modelo Ônibus-BRT-VLT como a solução a curto prazo para o problema. Pobre de nós, cariocas e moradores do Rio...

Bem, o vídeo foi gravado e está disponbilizado abaixo.

 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Outono brasileiro (o gigante acordou!)



Sim, o titulo desse post é uma clara referência ao movimento que ficou conhecido como "A Primavera Árabe", movimento este que nos países do oriente médio chegou a derrubar governos. Aqui, infelizmente, não acredito que cheguemos  tanto, mas que certamente já serve para abalar um tiquinho que seja a confiança dos que estão no comando. 

O povo brasileiro sempre foi conhecido por sua inércia mediante os abusos políticos cometidos no decorrer de cinco séculos de história. Somos um povo pacífico, dizem. Até demais. Salvo alguns momentos como a Revolta da Vacina no início do século XX, a luta contra a ditadura militar nos anos 1960 e 1970, as manifestações pelas diretas, em 1984 e o impeachment do presidente Collor, em 1992, culturalmente nós tentemos a aceitar as coisas passivamente. Afinal, tem carnaval todo ano e o campeonato brasileiro de futebol está aí desde a década de 1970! Fora a Copa do Mundo, de quatro em quatro anos! Pão e Circo (ok, mais circo do que pão) garantidos para apaziguar os ânimos, principalmente da grande maioria (propositada mete?) mal educada e mal informada.

Mas parece que não é mais o bastante! E já não era sem tempo!

As manifestações que se formaram nas redes sociais e saíram para as ruas em muitas capitais e outras cidades começaram com o aumento das passagens de ônibus (e metrôs, trens e barcas também), algo que a mídia logo tentou diminuir (afinal, são "apenas 20 centavos"!). Mas logo palavras de ordem contra os gastos excessivos com a Copa, principalmente com estádios, alguns dos quais já ano que vem serão verdadeiros elefantes brancos na sala, contra a corrupção crescente a olhos vistos, contra os altos impostos que não retornam em benefício a população foram se espalhando e a insatisfação geral e generalizada tornaram-se hinos nas passeatas que estão reunindo milhares, até mesmo fora do país!



Curiosamente, a imprensa em geral só começou a dar ouvidos e a divulgar com esmero as manifestações quando a truculência policial, que responde a ordem dos governantes, tomou conta das ruas, feriando gravemente até jornalistas e outros inocentes. Foi a gota d'água realmente para inflar mais ainda as manifestações e, infelizmente, inflamar o ódio de pequenos grupos dentre os milhares, grupos esses que, com infiltrados ou não (teoria da conspiração a toda!), aproveitaram para transformar as passeatas pacíficas em praças de guerra, com atos de vandalismos despropositados. Depredações contra o patrimônio público e privado passaram a ser vistos mundo a fora através da imprensa internacional e por pouco não desmoralizam todo o movimento. Esses babacas (com o perdão da palavra) não entendem que a ocupação do teto da Câmera dos Deputados e do Senado na segunda-feira foi um ato muito mais significativo e intenso do que tacar fogo em carros, em vans da imprensa, linchar policiais (que mal ou bem apenas obedecem ordens), pichar paredes históricas e destruir monumentos tombados.

O mais importante disso tudo, porém, é que o movimento não perca a força. Que a decisão de algumas prefeituras em já rever o aumento das passagens, embora seja uma resposta clara às manifestações, não enfraqueça a luta. É preciso levar a mensagem CLARA ao povão, que não entende porque os jovens (e nem tão jovens) estão indo as ruas, "atrapalhar sua volta para casa", já que ainda não é carnaval nem o país foi campeão na Copa. É preciso reivindicar sempre e não descansar até que o governo realmente trema nas bases e entenda de vez que ele está ali para nos atender, e não o contrário. Caso contrário, o circo da Copa  do Mundo no ano que vem tomará de vez de assalto o povo - em ano eleitoral, como sempre - e fará cumprir a máxima de que o brasileiro não tem memória, se esquecendo do quão importante está sendo esse final de outono brasileiro.

#vemprarua 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Reflexões sobre a maioridade penal



Entra ano, sai ano, a discussão sobre a diminuição da maioridade penal no Brasil, de 18 para 16 anos, entra em voga. E sempre que há um crime brutal envolvendo adolescentes (sendo o mais recente o assassinato de um estudante em Minas Gerais, na porta de casa, por um criminoso que faria 18 anos no dia seguinte ao delito).

No Brasil, há 23 anos, os delinquentes menores de 18 anos se apoiam num absurdo chamado ECA, ou Estatuto da Criança e do Adolescente, ou Lei 8069, que diz que menores de 18 anos são incapazes de responder criminalmente por seus delitos, tendo como punição apenas medidas sócio-disciplinares. Ou seja, menores de idade, segundo essa lei, não podem discernir o certo do errado, o bom do ruim. Ora, balela! Qualquer criança bem educada do mundo sabe o que é certo e o que é errado. Qualquer criança que não tenha um desvio de moral psíquico (sim, psicopatas já nascem psicopatas, não há nada que se possa fazer para cura-lo), que tenha sido educada pelos pais e tendo educação complementar na escola sabe que roubar, matar, estuprar, torturar é errado. E sabe que para todo ato há consequências. Fez algo errado? castigo. Simples assim. Então, por que no Brasil o governo cisma de passar a mão na cabeça de jovens criminosos como se fossem inocentes?

quinta-feira, 7 de março de 2013

Carnívoro não, onívoro, por favor!


De algumas semanas para cá, sempre que há uma oportunidade, me vejo dentro de uma (inútil) discussão (com tons de agressão algumas vezes!) sobre nossos hábitos alimentares. De um lado os árduos defensores da dieta carnívora; do outro, os (muitas vezes chatos) vegetarianos, pregando as vantagens de sua dieta cuja fonte de proteína é um grão.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Abaixo a nossa história (2)

Vale tudo em prol do progresso? Nem tudo. Certamente não vale a destruição de um patrimônio histórico-cultural. No Brasil, claro, isso não é seguido. Em termos de história e preservação de nossa memória, somos   péssimo exemplo. Aqui, infelizmente, algo antigo é considerado velho e por ser velho pode ser descartado. Pouquíssimo, quase nada, na verdade, é preservado, principalmente quando o assunto é o conjunto arquitetônico.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Senhora Princesinha


Hoje o bairro mais famoso do mundo - ouso dizer - completa 120 anos! Antes da abertura do túnel velho, em 1892, Copacabana era um areal encravado entre a enseada e as montanhas e seu acesso era muito difícil, mais ou menos como hoje é a praia do Abricó, na zona oeste do Rio de Janeiro. Aliás, a história se repete agora para a região de Guaratiba, que acaba de receber o ponta-pé inicial para início de sua urbanização ferrenha com a abertura do túnel da Grota Funda.

Voltando a Princesinha do Mar, eterninazada na música do saudoso maestro Tom Jobin (e em versos de tantos outros), fica aqui a reflexão de como os anos não lhe fizeram bem. Outrora refúgio do "caos urbano" que era o centro do Rio de Janeiro do final do século XIX e início do XX, hoje ela representa, na minha humilde opinião, tudo de ruim que o crescimento desenfreado e desorganizado de uma cidade pode ter: ocupação desordenada, favelização, prédios e mais prédios (a maioria, perdoem-me seus habitantes, horrorosos e clássicos exemplos da terrível arquitetura dos anos 1950), trânsito caótico, prostituição e delinquência. Há, claro, ainda algumas ilhas de tranquilidade em meio a esse caos, como o Bairro Peixoto, encravado no coração de Copacabana, que me é muito especial. Mas no geral, Copacabana é a síntese da música "Rio 40 graus", de Fernanda Abreu: "purgatório da beleza e do caos".

Um paraíso ainda em expansão.

Claro, não posso ficar apenas exaltando tudo de ruim que Copacabana tem. Seria de muito mal gosto. De bom, posso apontar a lindíssima orla, com seu calçadão tombado, os fortes do Leme e de Copacabana, o mundialmente famoso hotel Copacabana Palace, o já citado Bairro Peixoto, o cinema Roxy (que mesmo dividido em 3 continua com seu charme), e... e só. Infelizmente. A impressão que dá, pelo menos para mim, é que se uma vez o bairro foi a menina dos olhos do Rio, hoje esses olhos estão sofrendo com uma catarata difícil de ser curada. Ok, a analogia pode ter sido péssima e talvez desnecessária, mas seria muito bom que o caos da Copacabana do início do século XXI desse lugar a tranquilidade de 100 anos atrás, com seus casarões e sobrados e tendo apenas  imponente e majestoso Copa (o hotel) destacando-se na paisagem. 

O Copa. Sem mais...


Como isso é impossível, que pelo menos nos próximos 120 anos a Princesinha tenha tratamento Rainha e receba um banho de loja, com pelo menos mais uma linha de metrô (a larga avenida Nossa Senhora de Copacabana está ai para ceder seu leito), indo até o Leme, a Urca e seguindo para o Centro, de modo a desafogar o trânsito nas ruas e o caos da Linha 1. Que as casas centenárias que sobraram não mofem e venham a cair, que sejam preservadas como peças de um museu a céu aberto. Que as favelas que enfeiam seus morros possam ser contidas ou mesmo - Deus seria louvado! - removidas, de modo que o verde voltasse a predominar suas encostas. E por ai vai...

De qualquer modo, meus parabéns ao bairro e seus ilustres e orgulhosos (ou não) moradores. Que venham mais 120 anos!

E te cuida Guaratiba (e Pedra e Barra...). Seu futuro pode ser tão tenebroso quanto é o de Copa...



Um ótimo link sobre a história de Copacabana:
http://vanesalopez.wordpress.com/pesquisas/copacabana/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Rio, patrimônio de quê?




Pois é, mais uma vez o Rio de Janeiro (e o Brasil, de lambuja) ganhou as manchetes do mundo com a escolha da cidade pela UNESCO como patrimônio da humanidade. Que bom, que maravilha, mas... o que isso significa? Que de uma hora para outra o povo e seus governantes ficarão mais sérios, educados, conscientes de sua posição no panteão histórico e a cidade vai voltar a ser realmente a maravilha dos trópicos? Suas ruas ficarão limpas e sem trânsito? As praias serão todas despoluídas e a areia sem um pedacinho que seja de papel ou plástico? Nossos rios e lagoas e maravilhosa Baia de Guanabara serã despoluídos? Trens, barcas e metrô (não me atrevo a entrar na seara dos BRTs e ônibus) serão baratos, eficientes, chegarão a todos os pontos, desafogando o trânsito e contribuindo para amenizar a poluição? Os hotéis serão mais aconchegantes, menos caros? Aliás, haverá mais hotéis na cidade? Nossas ruas serão mais seguras, o crime organizado (ou não) vai mesmo deixar as pessoas de bem em paz? A policia vai ser eficiente, menos corrupta? Os políticos serão honestos? A educação pública municipal e estadual vão voltar a dar exemplos de qualidade? A especulação imobiliária vai ser freada e os preços dos imóveis vão voltar ao patamar aceitável? Aliás, a especulação vai ser freada e nossos imóveis históricos (sobrados e mansões centenárias) vão ser preservados? A cultura da cidade vai ser preservada?

Fica a dica para refletirmos sobre a real necessidade e merecimento até desse título em detrimento a outras cidades, algumas milenares e de suma importância cultural e histórica para toda a humanidade.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Maré de prejuizos ao consumidor



Você provavelmente já fez alguma compra pela internet. E talvez já tenha experimentado comprar em lojas internacionais, como a gigante Amazon, espalhada pelos quatro cantos do mundo, dos EUA ao Japão. Isso sem falar no E-bay, maior site de classificados on line. Se você, como eu, é um dos milhares de brasileiros que descobriram que comprar lá fora é mais barato que aqui dentro, além de termos possibilidade de obter produtos de melhor qualidade, também está sofrendo com a demora nas entregas, que em alguns casos já ultrapassam quatro meses desde a compra. E não é por acaso essa demora: está em vigor, conforme já escrevi aqui, a Operação MARÉ VERMELHA da Receita Federal.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O declínio da antiga classe média


Nos últimos anos,  um fenômeno ligado exclusivamente ao desenvolvimento do país na década passada, o que gerou maior distribuição de renda, chamou a atenção de estudiosos (sociólogos e “ociólogos”) e principalmente do mercado: o crescimento da classe média, ou a já famosa “nova classe C”. Mas se por um lado podemos festejar que mais pessoas saíram da linha da pobreza e adentraram no maravilhoso mundo do poder de consumo parcelado em até 18 vezes no cartão, devemos lamentar que a antiga classe média (e média alta, se é que ela existe mesmo no Brasil) esteja sendo subjugada por essa nova.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Cotas raciais num país sem raça


Numa manobra extremamente populista, em pleno ano eleitoral, Supremo Tribunal Federal, cujos magistrados não são eleitos pelo povo, mas indicados por quem o povo elege, decidiu pela constitucionalidade das Cotas Raciais em universidades.

Os que defendem a absurda lei alegam que ela vem reparar séculos de exclusão social num país cuja Constituição diz que todos são iguais perante a lei, independente de cor de pele, e credo e classe social (o que todos sabemos que não é verdade, não na prática).  Na minha humilde opinião isso é pura balela. Se a lei supostamente está defendendo aqueles que sofrem por conta de sua condição racial, não estaria ela mesma segregando esse grupo e, pior ainda, inflando mais ainda o discurso racista ao dizer que apenas com uma cota esse mesmo grupo poderia entrar na universidade pública? Sim, é isso mesmo! A lei está dizendo que se você é negro (ou afro-descendente, vá lá), mulato, pardo, “moreninho”, você é um coitado que não tem condições de estudar para passar para uma faculdade de bom nível. E por isso mesmo você tem o direito de tirar uma vaga de um branquelo, filhinho-de-papai, mauricinho que teve a sorte de nascer com a cor certa e apenas por isso teve condições de estudar em boas escolas e com isso angariar conhecimento suficiente para passar para uma faculdade federal.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Mais espelhos

Aproveitando o post de ontem sobre o (fraco) filme "Espelho, Espelho meu", deixo aqui um video que achei por acaso no Vimeo que ilustra de forma muito divertida a briga diária que 10 em cada 10 mulheres (acredito que até Gisele Bündchen sofra desse mal) tem com o espelho.


Gostou? Não?! Comenta ai!

sábado, 31 de dezembro de 2011

E La Nave va


Não, não vou falar da obra-prima de Felini. Não dessa vez. Infelizmente, nunca assisti a fita (como minha avó de 100 anos chama os filmes). Vou falar da barca que passou chamada 2011, que encerrou a primeira década do século XXI (que ainda está preso ao XX de alguma forma).

Lá se foram 10 anos e o mundo pouco mudou. De 2001 para cá vivemos, infelizmente, pouquíssimos avanços em todas as áreas, desde tecnológicos até sociológicos, passando por políticos e religiosos. A sensação que eu tenho é que tivemos nesses 10 anos apenas mais do mesmo, talvez um pouquinho incrementados.  Do ataque às Torres Gêmeas em Nova York à caçada e morte dos ditadores sanguinários do oriente médio, da posse de Lula à queda de  sete ministros  de Dilma, a primeira mulher Presidente do Brasil, em seu primeiro ano de mandato, da queda da indústria fonográfica a ascensão da alta-definição dos discos blu-rays (e outros formatos digitais), tudo isso passando pela crise financeira iniciada há 4 anos nos EUA e que se alastrou  pelo mundo e que agora ameaça a zona do Euro, tudo isso, se colocado na balança da história, não pesaria tanto para dizemos: Nossa! quanta coisa aconteceu nessa década! 

Não, não dá. Não, pelo menos, se acharmos que isso tudo é novidade. Mas não é. Na verdade vivemos quase um dejá vu de fatos ocorridos no primeiro quarto do século passado, condensados em  um decido deste.

Então, que venha 2012! Que o mundo, ou melhor, que a humanidade avance em direção ao século XXI, aquele em que a ficção cientifica nos brindava como sendo de paz, de avanços tecnológicos e sociais. Que em 31 de dezembro de 2012 (se  mundo não acabar!) eu possa escrever aqui – ou em qualquer outro lugar – as maravilhas que tivemos nesse ano, dentre as quais, eu gostaria realmente de citar (e veja bem, é um desejo apenas):

1 – a saída da crise na Europa, que os mercados se solidifiquem novamente, que os trabalhadores não precisem ser sacrificados em prol da estabilização da economia;

2 –a verdadeira cura do câncer sendo  estudada para valer, terminando com o sofrimentos de milhões;

3 – a fome sendo  erradicada do mundo, ou que pelo menos esteja em vias de ser;

4 – as obras para a Copa do Mundo em 2014 e para as Olimpíadas no Rio em 2016 caminhando bem, dentro do prazo, tornando-se um verdadeiro legado para o país e não um estorvo para os cidadãos,   principalmente no tocante à segurança e ao transporte de massa (sim, Cabral, o recado está dado! O metrô que o Rio precisa é bem mais importante do que aquele que só atenderá aos dias dos jogos);

5 – a corrupção, tanto no Brasil, quanto no mundo sendo  continuamente combatida, em todas as esferas da sociedade, de modo que os desejos acima possam ser realmente realizados.

Eu poderia ficar citando quase ad eternum aqui tudo de bom que eu gostaria de dizer sobre o ano que está batendo em nossas portas, mas vou ficar por aqui.  Tudo o que eu e você, querido leitor (ou leitora!) podemos fazer é o nosso papel. Vamos viver nossas vidas com intensidade mas com responsabilidade. E cobrar de quem devemos cobrar para que o mundo finalmente entre no século XXI e siga adiante com esmero.

PAZ!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Tristezinhas via Amazon: fui trollado


Sim, queridos leitores, pela primeira vez em todo esse ano que passou, vou fazer um post sobre as lamúrias das compras on line. E ao invés de cair no lugar comum e execrar as lojas on line brazucas, com as quais todos acabam tendo problemas e dores-de-cabeça eventualmente, vou contar sobre os problemas que eu nunca pensei ter com essa que é a maior loja de varejo on line do mundo, presente em vários países. Estou falando da Amazon, e mais especificamente da Amazon do Reino Unido, que cometeu a trollada da década.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fique rico ou se fruste tentando

Não é de hoje que a humanidade busca prosperar, principalmente no que diz respeito à economia. Com o advento do mercantilismo e posteriormente a revolução industrial e o capitalismo, isso se tornou uma regra a ser seguida por todos; afinal, ninguém que passar necessidades. Claro que o capitalismo selvagem do século XX - que, aliás, culminou com uma crise tremenda na década de 1930, sendo um dos fatores essenciais para a eclosão da II  Guerra Mundial, e outra crise mais ressente já na primeira década do século XXI, cujos reflexos sentimos até hoje e está longe de terminar – vem imperando e é a causa de toda a miséria em que boa parte da população mundial ainda se encontra.

A busca pela riqueza é tamanha que superou a busca intrínseca da humanidade pela felicidade, chegando no mínimo a ser confundida com ela, ou seja, riqueza traz felicidade. Bem, sem querer parecer hipócrita, vou logo dizer: sim, dinheiro traz felicidade. Ou pelo menos traz algo muito bem disfarçado de felicidade. Não falo somente por bens de consumo, “iates, carros, mulheres, mansões...  cem mil dólares!” (PICA-PAU feelings...)... Falo principalmente de segurança financeira, ou seja, não se preocupar com a falta do dinheiro, mas sim em como gastá-lo de maneira sensata.